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Quem matou Odete Roitman?

13 de fevereiro de 2012
 

Ricardo Orlandi

O Brasil, como qualquer país, possui algumas peculiaridades, entre elas, a sua quase inexplicável paixão por telenovelas.

É claro que, como a maioria dos homens de nosso pais, nego “peremptoriamente” que assisto telenovelas (sic).

Brincadeiras à parte, este fenômeno sociológico das “soap operas” brasileiras, conquistou não só o nosso país, como se tornou produto de exportação para diversos países.

Diferentemente dos dramalhões mexicanos, a telenovela brasileira ganhou muito em qualidade, tanto na dramaturgia, com atores de renome nacional e internacional, como nos temas abordados, geralmente atuais e com forte cunho social.

Exemplo da qualidade de nossa teledramaturgia é a premiação de Caminho das Índias com o Emmy 2009 na categoria de melhor novela. O International Emmy Awards, ou simplesmente Emmy, é o equivalente ao Oscar da televisão internacional.

“Caminho das Índias” foi escrita por Glória Perez, teve a direção de Fred Mayrink, Leonardo Nogueira, Luciano Sabino e Roberto Carminatti, com núcleo e direção geral de Marcos Schechtman. A novela foi exibida pela Rede Globo de Televisão na faixa das 21 horas entre 19 de janeiro e 12 de setembro de 2009, tendo 203 capítulos com duração média de 1h10m cada.

Mas falar de telenovelas nos leva a sua grande influência nos hábitos e costumes de nossa população.

Várias marcaram época e ficaram gravadas na história da televisão brasileira, lançando ao estrelato diversos atores e atrizes que passaram a visitar diariamente nossas casas pela “telinha” da TV.

Entre as clássicas, me lembro de “O Direito de Nascer”, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Sangue do Meu Sangue”, “O Tempo não Apaga” e “Redenção”, esta última produzida pela extinta TV Excelsior e exibida de 16 de maio de 1966 a 2 de maio de 1968, sendo até hoje a telenovela que passou mais tempo no ar no Brasil, com 596 episódios.

Redenção nos deixou o legado de “Dona Marocas”, personagem interpretado pela atriz mineira Maria Aparecida Báxter, que se tornou sinônimo de mulheres fofoqueiras.

Já na nova geração, encabeçada pela Rede Globo, temos títulos como “Roque Santeiro”, “Selva de Pedra”, “Irmãos Coragem”, “O Bem Amado”, “Dancin Days”, “Pai Herói”, “Roda de Fogo”, e tantas outras que mantiveram a atenção do público durante meses.

As telenovelas fazem parte da nossa cultura, queiram ou não queiram. Agora que não temos mais a censura, certos autores conseguem tocar fundo em temas que passariam “batidos”, não fosse a força da televisão.

Drogas, corrupção, doenças terminais, crime organizado, homossexualismo, racismo, pedofilia, alcoolismo, e vários outros temas polêmicos.

Mas para não me alongar, vejamos dois interessantes momentos em duas novelas de grande sucesso em nosso país: “Vale Tudo” e “O Astro”.

“O Astro”, produzida e exibida pela Rede Globo entre 6 de dezembro de 1977 e 8 de julho de 1978, às 20 horas, foi escrita por Janete Clair e dirigida por Daniel Filho e Gonzaga Blota, tendo contado com 185 capítulos. Daniel Filho acumulou a direção geral. Em 2011 tivemos um “remake” da trama que foi a primeira “novela das onze” a ser exibida pela emissora. Este remake teve seu primeiro capítulo exibido em 12 de julho de 2011, encerrando-se em 28 de outubro de 2011, com 64 capítulos.

A trama prende o espectador que queria saber afinal, quem matou Salomão Hayalla?

Já “Vale Tudo”,  também produzida pela Rede Globo, foi exibida de 16 de maio de 1988 a 6 de janeiro de 1989, no horário das 20h30 da emissora. Foi escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères e dirigida por Dênis Carvalho e Ricardo Waddington, com direção geral do primeiro. Contou com 203 capítulos.

Quem matou Odete Roitman? Esse foi o grande mistério de Vale tudo, só revelado no último capítulo, quando o Ibope registrou que 86% dos televisores ligados no país estavam sintonizados na telenovela da Globo. A principal vilã da trama foi interpretada magnificamente pela atriz Beatriz Segall

Para manter o mistério, a cena que revelaria o autor do crime só foi gravada no dia da exibição, de modo que nem mesmo o elenco tivesse conhecimento de tal segredo.

No último capítulo da trama, que foi ao ar no dia 6 de janeiro de 1989, o Brasil inteiro descobriu finalmente quem matou Odete Roitman.

Hoje, 22 anos após, o povo brasileiro continua cada vez mais apaixonado por novelas, mesmo que muitas vezes ainda negue esta paixão.

O mais importante é que a Rede Globo, que por muitos anos manteve sozinha a hegemonia no setor, acabou por incentivar seus concorrentes a criar núcleos de produção que começam a mostrar que existe vida inteligente fora da teledramaturgia global.

Record, SBT e Band, volta e meia estão envoltas em escaramuças com a Globo, por pontos no Ibope, o que demonstra que a concorrência é sempre salutar.

Bem, acho que já escrevi demais e também já está começando mais um capítulo daquela telenovela que “não assisto” (OPS!!!).

Fonte: www.RicardoOrlandini.net