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Mulheres sujeitos da comunicação em redes, e não meras usuárias

30 de março de 2011

por Mônica Aguiar

Em 2010, das 19.678 solicitações iniciais de apoio à pesquisa apresentada à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), 42% foram apresentadas por mulheres. O percentual tem crescido continuamente desde 1992, quando foi de 30%. (Folha de S.Paulo) Graciela Natansohn e Karla Brunet estudam cibercultura e feminismo na Universidade Federal da Bahia (labdebug.net).

O desafio, de acordo com artigo escrito pelas estudiosas, é “fazer das mulheres sujeitos da comunicação em redes, e não meras usuárias”. Isso para que os portais dirigidos à mulher deixem de “repetir estereótipos sexistas tradicionais, que remetem a mulher ao lar, às compras, à beleza, à saúde e ao consumo”. Leia trechos do artigo:

“Recentemente, surgiram notícias de que as mulheres lideram no uso de redes sociais como Facebook, Twitter e Orkut. Um dado relevante, que mostra a familiaridade delas com o uso das redes sociais. Ao mesmo tempo, nos questionamos: onde estão as mulheres na liderança nesses serviços de internet?”

“Mesmo um olhar leigo perceberá que a relação entre mulheres e internet não é muito diferente da entre mulheres e mídias tradicionais: a imagem delas é superexplorada para a pornografia e, na maioria das vezes, com viés preconceituoso”. “Do outro lado, portais dirigidos à mulher repetem estereótipos sexistas tradicionais, que remetem a mulher ao lar, às compras, à beleza, à saúde e ao consumo”. “O acesso ao computador é afetado pela pouca inserção feminina em postos de decisão técnica, no desenvolvimento de tecnologias úteis para elas e na produção de conteúdo”.

Tecnologia como aliada

“Há temas mais prioritários na agenda das mulheres, dizem uns: perante a violência, o assédio moral e sexual, os problemas de saúde e moradia, a tecnologia é menor.

Nada mais falso: a Internet é uma excelente ferramenta para que elas possam se defender e se informar”.

“O desafio é fazer das mulheres sujeitos da comunicação em redes, e não meras usuárias. Devem ser agentes ativas nos processos de desenho, aplicação, recepção e avaliação de projetos em rede. E fazer da tecnologia a sua aliada. “

“No bojo da luta pela democratização da comunicação, é preciso – e urgente – que as usuárias de Internet percebam as tecnologias da informação e comunicação com um olhar estratégico, como ferramentas de criação, expressão, produção e fortalecimento individual e das organizações de mulheres.”

FONTE: BLOG MULHER NEGRA