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Diversidade: a parede de pedras

30 de março de 2011

por Samuel de Freitas Júnior*

A valorização da pluralidade torna a empresa mais preparada a enfrentar as mudanças.

A palavra diversidade, dentre outros significados, representa idéia de pluralidade, multiplicidade, diferentes ângulos de visão ou de abordagem, heterogeneidade, variedade, tolerância e convivência mútua. Tal significado também pode ser transcrito para o mundo corporativo.

Embora o tema a primeira vista pareça ser uma necessidade decorrente da responsabilidade social, mais do que ser eticamente correta, para a empresa, a valorização da pluralidade da força de trabalho a torna mais preparada a enfrentar a variedade de situações impostas pelas rápidas mudanças no comportamento de seus consumidores, da contínua renovação do mercado e das oscilações econômicas do mundo atual.

A fim de dar significância ao tema, trago uma metáfora, que em minha opinião é uma das melhores traduções do tema diversidade para o mercado profissional, extraída do um livro Made in Japan, de 1986, escrito pelo então presidente Akio Morita, que em compara a gestão de pessoas nas empresas japonesas e as americanas daquela época.

Segundo o autor, as companhias americanas parecem estruturas do tipo paredes de tijolos, ao passo que as japonesas são de pedra. As primeiras, que podem ser comparadas a muitas firmas brasileiras de hoje em dia, a partir de um plano de negócios traçado, após definirem os limites para cada operação iniciam a procura para pessoas que se ajustem ao modelo. Caso um determinado candidato seja super ou pouco qualificado para a posição, automaticamente é descartado, de modo que, diz o autor, “essa estrutura é como uma parede de tijolos: a forma de cada empregado deve se ajustar perfeitamente ao conjunto, do contrário, não serve”.

Já no Japão, continua Morita, os candidatos talentosos são contratados, e, à medida que suas habilidades são identificadas, as empresas encontram a melhor forma de aproveitá-los. As pessoas são consideradas pedras brutas, e os gerentes têm a missão de observá-las e “construir uma parede que combine todos os elementos da melhor maneira possível, da mesma forma que um pedreiro constrói uma parede de pedras. As pedras, às vezes, são redondas, quadradas, longas, grandes ou pequenas, mas, de alguma maneira, a gerência tem que encaixá-las bem”.

Como é do conhecimento popular, uma parede de pedras, além de ser mais resistente que uma parede de tijolos, é de melhor adaptabilidade a qualquer tipo de terreno. Por este motivo, seguindo a comparação do ex-presidente da Sony, à medida que os negócios mudam, as pedras são recolocadas em posições diferentes, tanto que o grau dos gerentes e trabalhadores se tornou uma marca registrada nas empresas japonesas.

As empresas devem sempre buscar os melhores profissionais, e encontrar a melhor forma de aproveitá-los, sem, no entanto, simplificar seus objetivos em prol da diversidade. No mundo corporativo de hoje, diversidade, antes de tudo, é sinônimo de qualidade, produtividade e sustentabilidade.

* Mestre em economia pela Universidade Católica de Brasília e gerente de Produto da Área Internacional da Caixa Econômica Federal

Fonte: HSM Online