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ONU pede ação afirmativa pró-mulher árabe

23 de fevereiro de 2011

Estudo do PNUD sugere que mundo árabe adote temporariamente medidas que ajudem as mulheres a superar a discriminação.

Os países árabes devem implementar temporariamente ações afirmativas que ajudem as mulheres a atingir condições de vida semelhantes às dos homens, defende o Relatório de Desenvolvimento Humano Árabe, lançado na quinta-feira pelo PNUD. O documento, que aponta a discriminação contra a mulher como o maior desafio para o desenvolvimento da região, mostra que a população feminina árabe tem menor acesso à educação, emprego, saúde e direitos civis. O estudo ainda diz que não é o islamismo a causa do problema, mas sim a inflexibilidade política, a dominação masculina e a guerra.

O relatório, intitulado Rumo à Ascensão das Mulheres no Mundo Árabe, afirma que a taxa de mortalidade materna na região chegou a um nível “inaceitável”. Atualmente, os Estados árabes registram 270 mortes de mães para cada 100 mil bebês nascidos, mas esse número chega a 1 mil mortes por 100 mil bebês nos países mais pobres. No Brasil, o indicador mais recente (de 2003) aponta taxa de 51,74. O estudo ainda destaca que menos de 80% das garotas não chegam ao ensino médio e que metade das mulheres são analfabetas. Mas existem exceções: na Tunísia, na Jordânia e nos territórios palestinos há mais meninas que meninos nas escolas.

No que se refere à representação política, o relatório destaca que o sistema de cotas nas eleições adotado por alguns países árabes ajudou a aumentar a participação da população feminina no governo. No Iraque, por exemplo, a participação de mulheres no parlamento atingiu 25% nas eleições de 2005. No Marrocos, essa proporção subiu de 1%, em 1995, para 11%, em 2003. Mas ainda existem países onde as mulheres não têm vez nas decisões políticas. Na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, apenas os homens votam.

Mudar esse quadro e implementar políticas para colocar as mulheres no mesmo patamar de desenvolvimento dos homens é fundamental para garantir o avanço dos países árabes, de acordo com o administrador do PNUD, Kemal Dervis. “Desenvolvimento humano requer mais que crescimento econômico sozinho. A luta contra a pobreza não é uma campanha de caridade — é uma missão de empoderamento. Isso é especialmente verdade para as mulheres, já que, do 1 bilhão de pessoas mais pobres do mundo, três quintos são mulheres e meninas”, declarou.

Além desvencilhar os movimentos islâmicos da forte opressão exercida sobre as mulheres árabes, o relatório destaca que esses movimentos têm se transformado significativamente e que, em muitos casos, eles estão na vanguarda do empoderamento das mulheres.

Fonte: www.pnud.org.br