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Falta fraternidade na política

27 de abril de 2010

por Eloá Muniz

O filósofo Antonio Maria Baggio, professor de Filosofia Política do Instituto Universitário Sophia, em Firenze (Itália), em conferência na Universidade de Brasília, propõe o estudo e a análise do conceito de fraternidade para além de uma abordagem religiosa ou assistencialista, mas como uma categoria civil e política.

A fraternidade ganhou conotação religiosa e assistencialista e, em muitos casos, é equiparada à solidariedade. “O termo é quase ausente nos dicionários de Ciência Política”, observou Baggio, enquanto os conceitos de igualdade e liberdade foram incorporados como elementos políticos, e assumidos institucionalmente, a partir da Revolução Francesa de 1789, a fraternidade teve outro destino.

Uma reflexão sobre o conceito torna-se pertinente e necessária, afinal, “a ideia de fraternidade é anterior à Revolução Francesa. Está presente em civilizações até mesmo anteriores a hebraico-cristã”. A diferença é que apenas em 1789 o conceito é evidenciado, sendo colocado no mesmo nível da igualdade e da liberdade. “Essa tríade se tornou a luz na escuridão de um complexo sistema de relações”, observou o filósofo.

Na última década houve um salto de qualidade na reflexão acerca do tema, porque a fraternidade se fez presente em ações sociais que resultaram em mudanças políticas significativas. Segundo Baggio, os estudos que atualmente são desenvolvidos sobre a fraternidade podem determinar o papel que o elemento teve na construção da identidade dos povos e, também, como cada nação o interpreta. “É necessário conhecer a fraternidade a partir de diferentes pontos de vista. Ninguém pode definir o que seja fraternidade sozinho. E, para entendê-la, é preciso vivenciá-la”, diz Baggio.

Fonte: UnB Agência