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Um passo rumo à equidade

6 de março de 2010

Cada vez mais as mulheres se destacam em atividades até pouco tempo consideradas exclusivamente masculinas. Demonstrando que dito sexo frágil vem aumentando consideravelmente a amplitude de suas conquistas, em 2009 o Prêmio Nobel da Economia foi concedido pela primeira vez a uma mulher, a cientista política norte-americana Elinor Ostrom. Para pesquisadores interessados no estudo da participação da feminina na sociedade, o acontecimento teve o poder de indicar uma nova etapa na conquista da equidade entre os gêneros.
No entender da professora da Faculdade de Ciências Humana da Pucrs Ruth Inácio ainda persiste certa tendência a se considerar esse tipo de debate como “coisa de feminista”. “Acredito que esse prêmio vai dar visibilidade a uma discussão que, ou ela está encerrada em pequenos círculos acadêmicos, ou ela é considerada socialmente como secundária: qual a importância se é homem ou se é mulher?” Para ela, esse destaque no universo da ciência é altamente relevante, considerando as enormes dificuldades enfrentadas, ainda hoje, pelas mulheres nas atividades acadêmicas. “Quando a tua vida foi restrita a uma limitação cognitiva no âmbito científico, onde os teus papéis todos, que são múltiplos, te sugam a vida e te impedem uma dedicação mais significativa para o mundo acadêmico, quando isso ocorre as pessoas ainda acham que isso é secundário”, analisa.
O professor do IPA, Attico Chassot, ressalta que outros prêmios Nobel já haviam sido concedidos a mulheres, embora em número bastante inferior ao de homens. Além disso, a maioria dividiu o prêmio com outro cientista de sexo masculino (situação ocorrida também com Elinor, que premiada junto com o norte-americano Oliver Williamson).
Ele lembra que a ausência de nomes femininos na lista dos laureados com o prêmio da Economia chamava a atenção há alguns anos. “Essa coisa de olhar mais para o lar, de saber fazer as compras, criava a expectativa de que a gente pudesse ter uma mulher no Prêmio Nobel da Economia, afinal de contas o fazer delas talvez estivesse mais próximo daquilo que a gente por uma economia ligada às coisas do mundo presente”, considera. “A gente até dizia, a título de brincadeira, que a economia estava tão mal porque nunca houve prêmio para nenhuma mulher”, finalizou Chassot.
Emissão de títulos – Muito embora o administrador Luiz Fernando Garcia, especialista em manejo comportamental, empreendedorismo e negócios, diga que empresas comandadas por mulheres costumam ter crescimento mais lento, não por incompetência, mas por maior responsabilidade, os homens são mais focados em resultados, da mesma forma, mulheres tendem a se arriscar menos, comparou ele.
Para a professora Ruth, o Nobel inovou não apenas pela escolha de Elinor, mas também pelo tema dos seus estudos, que demonstraram como propriedades comuns podem ser administradas com sucesso por associações de usuários. “O trabalho premiado de Elinor se destaca como um tema que aborda os incentivos necessários aos indivíduos para um só socialmente equilibrado dos recursos. Aspectos esses que são mais usuais na psique feminina” analisa Garcia. Percebendo as mudanças em curso na sociedade, o administrador constata que as mulheres estão mais preparadas para o futuro. “As palavras-chave do novo modelo são: integrativo, intuitivo, síntese, holístico, não linear. E estes são peculiares ao feminino”.
Buscando razões para a postura de submissão da mulher diante da sociedade e , mais especificamente, no âmbito da ciência, os professores Ruth Inácio e Attico Chassot voltam seus olhares de pesquisadores para as origens da civilização. Na história da humanidade, Ruth percebe que, culturalmente, a mulher sempre esteve restrita ao universo privado, do lar, onde o desenvolvimento da intelectualidade não seria valorizado. “No paleolítico superior, quando os seres humanos se sedentarizam e dividem as tarefas, a mulher fica com as tarefas do universo privado e o homem com o universo público”, ressalta. Entretanto, diz a professora, naquele período as tarefas ainda eram complementares, por serem ambas essenciais à sobrevivência do grupo. “Complicado é quando se estabelece uma hierarquia, porque ninguém superior a ninguém. Nós somos maravilhosamente diferentes”, enfatiza.
Fonte: JC Mulher (20/11/09)