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Mundo feminino da Índia lidera a transformação

6 de março de 2010

Paulatinamente o mundo indiano vem sendo descortinado mostrando sua evolução e revelando o choque cultural após a independência, onde pontificam grandes personalidades ícones, e, não raro, ídolos daquela que é a terceira potência financeira do mundo.
No pano de fundo, a luta contra o preconceito, a opressão mantida por castas contra as classes mais baixas da sociedade, chamados de intocáveis, ou dalits. Alguma coisa foi mostrada nos capítulos da novela global “Caminhos das Índias”, onde o Brasil descortinou os costumes e modo de vida dos indianos. No obstante, a história e as revoluções nos costumes é sempre um caminho longo e que exige bem mais do que cenas de enredo global. A libertação do domínio inglês e luta empreendida por um líder chamado Mahatma Ghandi, responsável pela independência da Índia e pelo surgimento de outras lideranças, como Jawaharlal Nehru, o pai de Indira Ghandi, todos eles membros do Partido do Congresso, que governou e transformou o país.
Ghandi e Nehru não somente lutaram pela liberdade indiana, tendo como aliados os integrantes das classes mais baixas e, principalmente, forjando a luta das mulheres por mudanças no regime de opressão a que estiveram submetidas durante muitos anos até galgar postos representativos na sociedade organizada. A história começara ainda antes mesmo de Indira Ghandi e começamos por mostrar a Princesa Kapurthala, cujo nome era Ana Delgado Briones, uma espanhola que viveu um conto de fadas ao casar-se com o Príncipe de Kapurthala, que é uma região no interior da Índia. Ela é protagonista de uma história onde a vida nababesca dos marajás com suas quatro esposas mostra uma cultura de castas. Ela não tinha este título e por esse motivo foi discriminada pelas outras mulheres do Príncipe, que não a aceitaram, além de ser este o 5° matrimônio, que não é válido pelas leis muçulmanas. Nesse ínterim, aparecem Mahatma Ghandi e Jawaharlal Nehru, que promovem passeatas nacionalistas. A Índia começa a respirar os ventos da liberdade.
Em meio a isto a Princesa é flagrada em adultério pelo Príncipe Kapurthala, originando o divórcio que lhe rende vultuosa pensão. De Madri onde passa morar toma conhecimento da Independência da Índia e o surgimento político de Rajkumari Amsit Kour, a prima rebelde do Príncipe, seu ex-marido. Seguidora de Nehru torna-se a primeira mulher a ocupar um Ministério no país, tendo ocupado duas vezes o Ministério da Saúde.
Em 1966 surge Indira Ghandi, empossada como primeira-ministra vem a revoar os privilégios de uma casta secular e pondo fim ao império dos marajás. Filha de Jawaharlal Nehru e criada ao lado de Mahatma Ghandi, ela tinha uma mente racional e moderna, sem a menor identificação com nenhuma casta, estado ou religião. Indira aboliu os últimos privilégios dos marajás. Em 1947, após a independência do domínio inglês, viram seus estados integrados à União Índia, recebendo em troca regalias garantidas pela constituição, tais como a conservação de seus títulos, jóias e palácios, além de receberem um pagamento anual feito pelo Estado e a isenção de impostos e taxas de importação. O calafrio também se estendeu às elites quando ela anunciou a nacionalização dos bancos e das companhias de seguro. Indira beneficiou o povo e conseguiu o apoio de todos os partidos de esquerda.
Seu governo era populista e imprimiu a revolução agrícola, tornando seu país auto-suficiente na produção de alimentos. Fundamentalmente possuía empatia com a camada pobre e eles a levaram a ser a primeira-ministra mais poderosa da independência. “A Índia é Indira, Indira é a Índia”, dizia o povo. Todos os grandes líderes mundiais da época queriam estreitar seus laços com uma das mulheres mais poderosas do mundo: de Yasser Arafat a Jimmy Carter, passando por Margaret Thatcher.
Indira Ghandi reinou absoluta por 20 anos na Índia, de 1964 a 1984, quando foi assassinada, revolucionou os costumes, guindou o país à condição de terceira maior potência econômica mundial e seu o segundo mais populoso do planeta, como 1,1 bilhão de habitante.