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Ainda a violência contra a mulher é discutida

16 de março de 2010

Apesar de todos os movimentos e lutas da mulher por igualdade, a violência contra o gênero permanece sendo o principal assunto no Dia Internacional da Mulher, oito de março.

Essa questão depende fundamentalmente da atitude da mulher, buscando não só a denúncia, mas expondo o tema a todas as instâncias possíveis, até se chegar ao nível da igualdade entre os gêneros, sempre baseado no princípio básico do respeito, oferecendo oportunidades iguais.

Isso só não é possível ainda pelo pensamento patriarcal predominante nos poderes constituídos, como o Tribunal Superior de Justiça, que por ser a última instância, legisla dentro de conceitos conservadores, salvaguardando os interesses dos agressores, desprezando, com esta determinação, a única maneira de acabar com a violência que é a proteção à mulher. Nesse viés o avanço da mulher se constitui numa luta ímpar pela igualdade entre homens e mulheres.

A propósito disso, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) apresentou um estudo e uma reflexão sobre os efeitos psicológicos da violência contra a mulher. A pesquisa revela a presença da mulher no campo profissional e foi realizada pelo Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP).

Levantamento feito em 2001 mostra que uma em cada cinco mulheres foi agredida mais de uma vez e que metade delas não procurou ajuda, ou seja, não fez denúncia contra o agressor.

O combate à violência conta a mulher teve avanços com a aprovação da Lei Maria da Penha, mas no final de fevereiro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) brecou o processo entendendo que em caso de violência doméstica que cause lesão corporal leve, a ação penal depende de a mulher apresentar a denúncia.

Para o movimento de mulheres, e para o CFP, tal situação é um retrocesso, pois dificuldades no combate à violência – sobretudo à doméstica – é o contexto em que ocorre essa violência, no qual as mulheres sofrem ameaças, temem pela sua família, e, em muitos casos, acabam abrindo mão dos processos após os momentos sofridos de violência.

“São essas atitudes que perpetuam a violência e que precisam ser enfrentados no Brasil”, afirma a conselheira do CFP, Jureuda Guerra.

Os efeitos psicológicos da violência contra as mulheres podem emergir em diferentes sintomas, que variam da violência física visível (machucados, aborto) a distúrbios emocionais, uso abusivo de álcool e outras drogas, isolamento, problemas no trabalho.

Danos das violências são freqüentes tais como: pesadelos repetitivos, ansiedade, raiva, culpa, vergonha, medo do agressor, quadros fóbico-ansiosos e depressivos agudos, queixas psicossomáticas, isolamento social e sentimentos de estigmatização.

Para a conselheira Jureuda Guerra, “as mulheres em situação de violência perdem com mais freqüência o emprego, têm mais dificuldades em negociar aumentos salariais e promoção na carreira profissional, principalmente por ficarem em dúvida com relação ao que seu parceiro irá pensar de sua promoção”, avalia Jureuda. Ela aponta também dificuldades para cuidar de si próprias, estudar e desenvolver formas de viver com conforto e autonomia, contribuindo ainda mais para seu sofrimento psíquico e social.

“Nossa experiência nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) nos faz perceber que a grande demanda, atualmente, é mulheres que têm na sua história situações de violência doméstica e familiar, que acaba se refletindo em sofrimentos psíquicos”. Para ela, as políticas públicas precisam olhar com mais atenção esses sofrimentos e o perfil da população atendida, para conseguir realizar atendimentos que respondam às demandas reais dessas mulheres, algo ainda por ser construído no Brasil.

“Também notamos um forte uso de antidepressivos, sobretudo por mulheres entre 25 e 40 anos. Quando olhamos as histórias delas, encontramos muitas situações de violência doméstica”, avalia Jureuda, psicóloga e especialista em saúde mental e em saúde pública.