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História do Outubro Rosa

8 de outubro de 2014

Outubro é o mês da conscientização sobre o câncer de mama. Enquanto a maioria das pessoas tem consciência da doença, muitos se esquecem de tomar as simples medidas para detectá-la em seu estágio inicial. Hoje muito se fala sobre o assunto na mídia – o que é, de fato, um grande progresso – mas, ainda é preciso fazer mais.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo, sendo mais comum entre as mulheres e respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Se diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente bom.

No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente.

Estatísticas indicam aumento de sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Em 2010 o número de mortes no Brasil causadas pela doença chegou 12.852, sendo 147 homens e 12.705 mulheres. Para 2012 a estimativa de novos casos é de 52.680!

Para lembrar a população que o câncer de mama é coisa séria e que tem muito mais chances de ser tratado e curado em seus estágios iniciais foi criado o National Breast Cancer Awareness Month (NBCAM) nos Estados Unidos. O NBCAM é uma campanha anual de saúde internacional que acontece todo mês de outubro com o intuito de aumentar a conscientização sobre a doença e levantar fundos para a investigação de sua causa, prevenção, diagnóstico, tratamento e cura.

O NBCAM foi criado em 1985 como uma parceria entre a Sociedade Americana do Câncer e a divisão farmacêutica da Imperial Chemical Industries (fabricante de vários remédios anticâncer de mama).

Seu objetivo desde o início tem sido a de promover a mamografia como a arma mais eficaz na luta contra a doença. A ideia de usar o laço rosa na luta pela conscientização surgiu só em 1991, quando a fundação Susan G. Komen for Cure distribuiu o símbolo aos participantes em sua corrida em Nova York para sobreviventes de câncer de mama.

Em 1993, Evelyn Lauder, vice-presidente sênior das empresas Estée Lauder fundou a Breast Cancer Research Foundation e estabeleceu a fita cor-de-rosa como sua marca.

Mas só em 1997 entidades das cidades de Yuba e Lodi nos Estados Unidos, começaram efetivamente a comemorar e fomentar ações voltadas a prevenção do câncer de mama, e chamando de Outubro Rosa. Para sensibilizar a população inicialmente as cidades se enfeitavam com os laços rosas, principalmente nos locais públicos. Depois surgiram eventos como eventos de moda (com modelos sobreviventes do câncer), corridas, pink oktoberfest, concertos, peças de teatro e muitas outras ações.

Hoje uma das ações mais legais é a iluminação de monumentos públicos de grande visibilidade.

Fonte: www.outubrorosa.org.br

Perigo de apagão na saúde

7 de outubro de 2014

Milton Kempfer

Foi notícia em dezembro passado de que dois dos maiores hospitais particulares de Brasília estão com as portas das maternidades fechadas para novas pacientes por falta de profissionais.

O assunto não é novidade para a Federação dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Sul. A cada dia temos visto mais e mais funcionários de hospitais abandonando sua profissão.

Em Passo Fundo, uma pesquisa, realizada pela UPF em convênio com o SINDISAÚDE local, apontou que 54% das homologações realizadas em 2011 se trataram de demissões. Também revelou que boa parcela dos trabalhadores está desistindo da saúde e migrando para outras áreas profissionais.

Muito tem se noticiado que faltam médicos no Brasil. A realidade é que falta pessoal para toda a área de assistência hospitalar, que tem contato direto com o paciente.

As vagas não são preenchidas por falta de candidatos. A causa? Os baixos salários, a jornada de trabalho excessiva, plantões em finais de semana e feriados e porque os profissionais têm uma atividade penosa, estressante e com alto risco de contaminação.

Com ganhos próximos ao Piso Mínimo Regional, eles aproveitam o atual cenário, onde o estado lidera em criação de vagas, segundo dados do Ministério do Trabalho, e migram para setores melhor remunerados como a construção civil, o comércio e a indústria de bens de consumo para dar um salto de qualidade de vida.

Segundo projeções da Federasul, o PIB gaúcho deve crescer 4,5% em 2013 e com os R$ 2,4 bilhões para investimentos apontados no Orçamento, o Rio Grande do Sul poderá continuar a figurar no topo da lista de oferta de vagas.

A FEESSERS aposta numa mudança de cenário para os profissionais da saúde e que se reverta o situação de um eminente apagão no setor.

O Estado terá R$ 2,3 milhões para a saúde e a expectativa com estes investimentos é de os hospitais consigam fixar seus trabalhadores, repondo as vagas abertas e reduzindo a rotatividade no setor. Criar a possibilidade de aperfeiçoamento profissional e afastar o perigo de erros porque fixa trabalhadores com experiência.

No setor público, não é diferente. Investe-se em obras faraônicas e multiplicam-se postos de atendimento. Em pessoal, nada. Nem União, nem estados e nem municípios.

É urgente uma avaliação rigorosa sobre a questão ou ficaremos cada vez mais reféns de uma possível crise de falta de pessoal num dos setores mais essenciais da sociedade gaúcha.

Presidente da FEESSERS – Federação dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde do RS

28 DE SETEMBRO: DIA DE LUTA PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO

25 de setembro de 2014

Em 1990, na Ar­gentina, as mu­lheres presentes no V Encontro Feminista La­tino-America­no e do Caribe escolheram o 28 de setembro como o Dia de Luta pela Des­criminalização e Legalização do Aborto. O aborto não deve ser crime, e já foi legalizado em vá­rios países: Inglaterra, Holanda, Suécia, França, Itá­lia, México, Portugal. Nestes países o aborto se constitui como um direito da mulher de poder decidir sobre uma gravi­dez inesperada, podendo interrompê-la sem que para isso fique com traumas, tenha complicações de saú­de, morra ou seja condenada à prisão. No Brasil, este di­reito não está garantido às mulheres, pois o Código Penal (1940) regula o aborto como crime, ressalvan­do-se os casos de estupro, anencefalia e risco de vida da mulher.

O fato de o aborto ser considerado crime no Brasil pe­naliza diretamente as mulheres pobres, principalmente as mulheres negras, que têm menos acesso aos servi­ços de saúde e métodos contraceptivos. Para aquelas que têm recursos, o aborto está disponível em clínicas particulares com métodos tecnologicamente avançados, com acompanhamento posterior do/a ginecologista. Para mulheres pobres, o aborto representa um grave perigo, uma vez que é pra­ticado em clíni­cas clandestinas, em condições extremamente precárias. Segundo dados do IPAS, as mu­lheres negras es­tão submetidas a um risco de mortalidade em consequência de abortamento três vezes maior que as mulhe­res brancas.

Fonte: CFESS

Hospital Fêmina será referência em atendimento a mulheres vítimas de violência

24 de setembro de 2014

AurélioRuas

Para garantir uma assistência acolhedora e especializada às mulheres vítimas de violência física ou sexual, o Hospital Fêmina promoveu, durante esta terça-feira, a capacitação de uma equipe multiprofissional da instituição, no intuito de ser um Centro de Referência em casos desta natureza.

Ao longo do dia, os profissionais acompanharão palestras de assistentes sociais, enfermeiras, médicos e da delegada Viviane Nery Viegas, da Delegacia de Atendimento à Mulher da Capital. A delegada destacou a abordagem humanizada em casos de abusos sexuais. “É necessário ter sensibilidade com quem passa por uma situação deste gênero”, afirmou.

A iniciativa segue orientação do Ministério da Saúde, e como Centro de Referência, o hospital disponibilizará espaços para acolhimento, atenção médica e de enfermagem, além de assistência psicossocial e de orientação sobre acesso à justiça.

De acordo com o gerente da Unidade de Internação do Hospital Fêmina, Lauro Luis Hagemann, através da capacitação os profissionais estarão mais habilitados para abordarem vítimas da violência física ou sexual, visando a exteriorização da queixa. “O atendimento será mais sistematizado. Há muitas informações que são irrecuperáveis após uma semana, então vamos realizar um acolhimento mais rápido das vítimas para que possamos colher evidências laboratoriais e documentais de forma mais ágil”, revelou.

Segundo a enfermeira e membro da Comissão de Assistência a Mulher Vítima de Violência da instituição, Elizabete Teles, a mudança representa uma melhora na qualidade do atendimento. “Diversas perguntas que eram respondidas a polícia, posteriormente, estarão no prontuário da paciente”, salientou.

O plano integrado de ações multiprofissionais de saúde do Hospital Fêmina contempla métodos anticoncepcionais reversíveis, a implementação da Notificação Compulsória, a garantia do abortamento legal e a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
Fonte: Correio do Povo

Reprogramação da Memória

24 de setembro de 2014

Lícia Peres*

“O que não me mata me fortalece” (Nietzsche)

Cientistas que trabalham em pesquisas com camundongos concluem ser possível transformar lembranças desagradáveis em sentimentos positivos. Os seres humanos teriam, assim, a possibilidade de, em um futuro, viver uma vida livre de mágoas (ZH 29/8).

Senti inquietação e mal-estar.

Desconhecia estar em curso algo tão radical como a manipulação dos neurônios a partir de estímulos, capaz de reconstruir a memória com a finalidade de obter uma vida sem sofrimentos.

Como nos construiríamos enquanto seres humanos quando a vida é uma trajetória da qual o sofrimento e a finitude são elementos constitutivos?  Enfrentar as dores e as perdas, para que seja possível sua superação, nos torna criaturas inteiras e capazes de desenvolver a empatia com o próximo.

Acredito mesmo que ser feliz dá trabalho. Implica saber lidar com a frustração, aceitar o inevitável, manter o foco no presente e abrir mão da ilusão do controle.

Lembro da marcante entrevista de um conceituado psicanalista gaúcho, Cyro Martins. Perguntado sobre o que era necessário para a obtenção da saúde mental, ele citou três elementos: um bom sentido de realidade, senso de humor e uma visão poética em relação à vida.

Sabendo-se que os seres humanos carregam a dualidade, o bem e o mal, e que a História registra as atrocidades cometidas contra pessoas, grupos e comunidades inteiras, como seria possível apagar a memória individual e coletiva, fazendo de conta que o acontecido inexistiu?

A enciclopédia virtual do Holocausto contém artigos, filmes, fotografias, testemunho dos sobreviventes, cronograma dos acontecimentos, o registro do horror pelo qual passou um povo e vitimou 6 milhões de judeus. Os crimes da ditadura  com as torturas, as mortes e os desaparecimentos não podem ser olvidados. Muitos dos que passaram pelo inferno estão aí, firmes, depondo, apontando seus algozes e até revivendo seus traumas a bem da verdade. Têm exercido o papel de guardiões da memória.

O racismo, a violência contra as mulheres e meninas e tantas mazelas que chegam ao nosso conhecimento diariamente exigem a tomada de posição.

Não descreio da boa intenção dos pesquisadores que procuram enganar o cérebro. Mas outros caminhos podem e devem ser trilhados para tornar a existência mais suportável.

* Socióloga

Pecado é não usar

31 de janeiro de 2011

Lícia Peres*

A epidemia mundial da AIDS, e aqui no Brasil os dados são reveladores da gravidade do problema, tem merecido a atenção do Ministério da Saúde, cuja política de prevenção e tratamento do vírus tem sido reconhecida internacionalmente. Trata-se de defender nossa população de uma doença grave e que vem causando a morte de .milhares de pessoas. Até dezembro de 2002, o Ministério da Saúde registrava 257.780 casos no Brasil, sendo 185.061em homens e 72.719 em mulheres. Pelos dados do Instituto Patrícia Galvão, Comunicação e Mídia, em dossiê que contou como o apoio da UNIFEM, estima-se hoje que existam 597 mil pessoas entre 15 e 49 anos infectadas pelo HIV (O,65% do total da população) Embora 30% dos brasileiros /as, já tenham feito o teste anti-HIV, calcula-se que cerca de 300 a 400 mil pessoas tenham o vírus e ainda não estejam diagnosticadas. Quem de nós não conhece alguém contaminado pelo vírus? O que parecia distante, está à nossa volta. O problema, portanto, é seríssimo e exige grande conscientização de toda a sociedade, principalmente dos mais jovens, para prevenir a doença.

As famílias e a escola, instituições socializadoras das novas gerações, precisam transmitir permanentemente a eles a importância da prevenção da doença e da necessidade de usar preservativos nas relações sexuais, o que não é tarefa fácil. A juventude, muitas vezes levada pelo arroubo das paixões, relega para segundo plano sua própria segurança e se coloca em risco, evitando pensar nas conseqüências. E, no caso das mulheres, acrescenta-se o fato, pela assimetria de poder, do medo de negociar com o parceiro o uso da camisinha, permanecendo em relações sexuais desprotegidas . Assim, mesmo tratando-se de mulheres com relação estável, com companheiro fixo, estas estão sendo mais e mais infectadas. Sabemos como é difícil intervir numa esfera que é restrita à intimidade das pessoas.

Não bastassem os obstáculos, enfrentamos agora a oposição de setores da Igreja Católica que se arvoram o direito de ignorar a realidade, tentando impor a moral católica.

Em campanha permanente contra o uso de preservativos e na defesa da castidade , setores conservadores da Igreja Católica se insurgiram violentamente contra um vídeo realizado pelas ONGs com o slogan “Pecado é não Usar (camisinha)” , que alerta para a possibilidade da Igreja estar cometendo mais um erro , dentre os crimes que reconhecidamente foram cometidos contra a humanidade ao longo de sua existência e já motivaram confissões de culpa e pedidos de perdão pelo próprio papa. O Programa Nacional de DST e AIDS, do Ministério da Saúde, mesmo não querendo polemizar com a igreja com quem mantém parceria através do trabalho desenvolvido com as pastorais para a prevenção e tratamento da doença, deixou claro que não é possível ignorar a verdade científica e reiterou “ a eficácia do preservativo como única maneira de prevenir o HIV entre pessoas com vida sexual ativa, cerca de 91 milhões no Brasil”.

A relação entre religião e Estado já foi definida. O Estado brasileiro é laico e não pode estar à mercê de nenhum tipo de fundamentalismo . Esta condição é essencial para o exercício dos direitos humanos e para a existência de uma sociedade onde os direitos sexuais e reprodutivos sejam respeitados, enfim, uma sociedade democrática e plural.

A responsabilidade para o enfrentamento da epidemia da AIDS é de todos, governo, empresas e sociedade. E por todo o sofrimento que a realidade vem escancarando aos nossos olhos, podemos afirmar em relação às formas de prevenção, dentre as quais a mais efetiva é o uso a camisinha: “Pecado mesmo é não usar”.

*Socióloga

Organização de Mulheres querem discutir qualquer alteração no Plano Nacional dos Direitos Humanos

31 de março de 2010

Em nota dirigida à Imprensa a Organização de Mulheres fizeram uma retificação da informação sobre o diálogo do Ministro Paulo Vannuchi com movimentos de mulheres. Elas discordam da alteração do III PNDH porque não teria havido suficiente discussão entre os segmentos da luta pelo livre aborto.

A afirmativa decorre do fato de o Governo ter anunciado a decisão de alterar diversos pontos do Terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, assinado por ministros/as e por Lula, isto em dezembro do ano passado. Tais alterações no texto significam, na visão da OM, ceder a pressões de setores posicionados na alta hierarquia da estrutura de poder vigente: ruralistas, grandes empresas da área de comunicações e episcopado. Para tratar da alteração do programa, Paulo Vannuchi se reuniu com os ministros da Saúde, José Gomes Temporão e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassol; com o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho; com a Confederação dos Bispos do Brasil (CNBB) e com 11 organizações do movimento feminista.

O esclarecimento prossegue com a Organização das Mulheres reconhecendo que o ministro Vannuchi recebeu em audiência, dia 24 de fevereiro, representantes de 14 – e não 11 organizações. Compuseram este grupo as feministas, organizações dos movimentos de mulheres, ONGs com trabalho no campo dos direitos reprodutivos e lideranças do movimento pelos direitos humanos.

Nesta ocasião o Ministro teria insistido para que os movimento que defendem a legalização do aborto participassem do esforço conciliatório de revisão do texto do Plano Nacional dos Direitos Humanos. O que a Organização de Mulheres contesta é a informação de que as modificações tenham sido feitas com o seu aval, elas afirmam que não houve acordo com relação a qualquer modificação no texto do III PNDB, e muito menos com relação a abrir mão do texto que justifica a autonomia das mulheres sobre o próprio corpo e na revisão da lei que pune o aborto.

A recusa em aceitar a proposta do Ministro Vannuchi foi via carta eletrônica a ele enviada em 15 de março, contendo assinatura de 66 organizações e contem a afirmativa de esperarem que o texto do III PNDH seja aprovado em sua integralidade.

A justificativa da posição da OM é o ponto do texto que trata do abortamento saudado como expressão da vontade política das mulheres organizadas, e reflete o posicionamento e ansiedades da sociedade civil organizada.

O III PNDH não é um documento isolado construído pela SEDH, porque quaisquer alterações em seu texto devam ser discutidas coletivamente com os movimentos de direitos humanos e os setores do governo que participaram de sua construção e redação, sob pena de ser ilegítima e antidemocrática.

A autonomia e a liberdade sexual e reprodutiva das mulheres é fator fundamental para a construção da democracia, que tem nos espaços das conferências um canal de participação da sociedade civil, inclusive de representações da Igreja Católica; não é democrático que o Governo recepcione e atenda às demandas de um segmento que corre por fora deste processo. Isso significaria deslegitimar os instrumentos instituídos em seu próprio governo, como as conferências de políticas públicas que reúnem milhares de representantes da população brasileira organizada.

A organização de mulheres querem é que o Brasil passe a liderar na questão do respeito aos Direitos Humanos das Mulheres e nas Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro.

Gravidez na adolescência: a realidade numérica

31 de março de 2010

Utilizando os dados oficiais do Brasil, disponibilizados pelo Ministério da Saúde e pelo DATASUS ao público em geral, no site www.datasus.gov.br , extremamente confiáveis, principalmente em relação ao estado do RGS e à cidade de Porto Alegre, no período de 1994 a 2007 (uma série histórica de 14 anos) encontramos o seguinte panorama numérico e percentual em relação a gravidez em adolescentes menores de 20 anos:

Em 1994, dos 2.571.571 partos ocorridos no Brasil, em mulheres de 10 a 59 anos, 17.628 (0,68 %) ocorreram em meninas de 10 a 14 anos e 490.716 (19,08 %) em adolescentes de 15 a 19 anos, totalizando 19,76%. Já em 2005, dos 3.035.096 partos ocorridos no Brasil, 26.752 (0,88 %) ocorreram em meninas de 10 a 14 anos, 634.385 (20,90 %) em adolescentes de 15 a 19 anos, totalizando 21,78 %. Mostrando um crescimento em 12 anos de cerca de 29 % na proporção de gravidez em meninas de 10 a 14 anos e de cerca de 9,5 % na proporção de gravidez em adolescentes de 15 a 19 anos. Em 2007 ocorreram 2.891.328 partos (mostrando uma tendência de queda no número total de nascimentos iniciada em 2006), no entanto foram 27.963 partos em meninas de 10 a 14 anos (0,97% do total de partos), mostrando um aumento de 42,6% nesta proporção desde 1994 e um aumento de 58,63% nos números absolutos. Em relação aos partos em adolescentes de 15 a 19 anos, em 2007 foram 582.409 partos (20,14% do total) mostrando uma tendência de queda tanto em valores absolutos quanto em valores relativos em relação ao ano de 2005. Portanto temos em 2007 ainda 21,11% dos partos em mulheres de 10 a 19 anos na data do parto – cerca de “um quinto” das grávidas brasileiras com menos de 20 anos.

Para o estado do Rio Grande do Sul, a situação observada é a seguinte: Em 1994, ocorreram 188.666 partos, com 1.278 (0,68%) em meninas de 10 a 14 anos e 32.495 (17,22 %) em adolescentes de 15 a 19 anos. Já em 2005, após 12 anos, estes números passam para 147.199 partos, com 1.123 (0,76 %) em meninas de 10 a 14 anos e 26.383 (17,92 %) em adolescentes de 15 a 19 anos. Apesar do pequeno crescimento nas porcentagens, observamos em nosso Estado uma QUEDA no número absoluto de partos de 12% em meninas de 10 a 14 anos e de 18,8 % em adolescentes de 15 a 19 anos – totalizando 6.267 partos em adolescentes de 10 a 19 anos a MENOS, o que é uma boa notícia. Em 2007 foram 133.401 partos (mantendo a tendência de queda destes números apesar do crescimento numérico da população de mulheres), com 1.027 partos em meninas de 10 a 14 anos (0,77%) e 22.721 em adolescentes de 15 a 19 anos (17,03%). No Estado do Rio Grande do Sul observamos menos de 18% dos partos em mulheres de menos de 20 anos.

Para a cidade de Porto Alegre, a situação é ainda mais otimista em relação aos dados nacionais. Em 1994, tivemos 23.938 partos, com 181 (0,76 %) em meninas de 10 a 14 anos e 4.079 (17,04 %) em adolescentes de 15 a 19 anos. No ano de 2005 passamos para 18.943 partos, com 115 (0,61 %) em meninas de 10 a 14 anos e 3.217 (16,98 %) em adolescentes de 15 a 19 anos. Observamos tanto QUEDA nas proporções quanto nos números absolutos. Comparando o ano de 1994 com 2005, foram 928 partos a menos em adolescentes em nossa cidade. Em 2007 ocorreram 17.814 partos, 133 em meninas de 10 a 14 anos (0,75%) e 2.718 (15,26%) em adolescentes de 15 a 19 anos – totalizando cerca de 16% dos partos em mulheres de menos de 20 anos.

Os dados preliminares para o ano de 2009 (CGVS/EEV) nos mostram 18.558 partos, com 105 (0,57%) em meninas de 10-14 anos e 2.632 (14,18%) em adolescentes de 15 a 19 anos – sugerindo mais uma pequena queda nestes números e proporções onde chegamos a menos de 15% dos partos em mulheres menores de 20 anos.

Com certeza estas famílias em que meninas de 10 a 14 anos engravidaram merecem toda a atenção dos serviços de saúde e de nossas políticas sociais, principalmente pelo risco de abuso sexual.

Md. Maria Regina Varnieri Brito – Epidemiologia e Saúde Pública
Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde SMS/PMPA
Equipe de Vigilância de Eventos Vitais (EEV)

Legalização do aborto será revista pelo governo brasileiro

21 de março de 2010

Nada como ano de eleição para rever conceitos e mudar direções assumidas em tempos em não ocorrem pleitos eletivos, ou mesmo depois deles terem sido realizados. O governo federal se rendeu às críticas de entidades sociais com o anuncio de que vai alterar os pontos polêmicos do decreto que instituiu no final de 2009 o Programa Nacional de Direitos Humanos.

Isso inclui artigos como o que prevê a legalidade do aborto, uma das bandeiras de movimentos feministas no Brasil e em outros países do mundo inteiro. O que as mulheres reivindicam é a liberdade de deliberar sobre o seu próprio corpo. Em matéria neste site podemos ver o protesto das mulheres espanholas de Barcelona, que, exibindo os seios, saíram pelas ruas da cidade catalã reivindicando o direito de liberdade quanto ao aborto.

O ministro Paulo Vannucchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos fez o anuncio no dia 16 de março atendendo determinação do presidente Luis Inácio Lula da Silva e que foi reforçada recentemente pela Comissão de Ética do Planalto. “Estamos dispostos a promover as correções necessárias. O programa não é lei, nem invade competências do Judiciário ou do Legislativo, apenas arrola propostas”, afirmou Vannucchi.

Ele assegurou também que uma nova etapa de negociações com as partes insatisfeitas e que o novo texto será publicado até o final deste semestre.

Além da legalização do aborto, também serão eliminadas do texto a proibição de símbolos religiosos em locais públicos e a necessidade de ouvir invasores de terras no cumprimento de decisões judiciais sobre conflitos agrários, como reintegração de posse.

Feministas espanholas lutam pelo aborto livre e gratuito e atacam Igreja Católica

18 de março de 2010

O dia 7 de março ficou marcado por uma manifestação das feministas da Espanha, que saíram às ruas para protestar contra setores da oposição que pregam a Marcha pela Vida. Elas se referem aos controles patriarcais, dentre eles as hierarquias da Igreja, que buscam privar as mulheres do direito de decidir autonomamente sobre o próprio corpo. A principal reivindicação é o aborto livre e gratuito, medida capaz de impedir a morte de milhares de mulheres em abortos inseguros em muitos países. No mundo, todo ano morrem mais de 70 mil mulheres em abortos clandestinos, numa chacina visível aos olhos negligentes e insensíveis das autoridades constituídas.

Publicado originalmente em http://fotograccion.org

Segundo as feministas espanholas, estes setores, alinhados à Igreja Católica, pretendem impor seus padrões morais e religiosos como políticas públicas. O movimento saiu às ruas para defender o direito de decidir livremente sobre o próprio corpo ao mesmo tempo em que refutam toda autoridade médica, jurídica, estatal ou religiosa de tomar decisões sobre a vida delas. O protesto se tornou mais eloqüente pela mostra dos seios como um ato de irreverência, escapando das formas de regulação e de controle a que foram submetidos, modelados, ampliados, mostrados, sujeitados e escondidos. “Hoje nossos peitos são resistência política, tornar visível um corpo que historicamente tem sido expropriado, aprisionado, seqüestrado, controlado e dominado. Peitos que se atrevem a dizer basta, que rompem cadeias, que se mostram placidamente decididos a ser seios que condenam a privatização, a coisificação, que negam, resistem e escapam, seios que reclamam justiça, seios que desejam a liberdade, seios da subversão, que demandam direitos”, disseram a feministas.
Elas reivindicam o direito fundamental ao aborto livre e gratuito na saúde pública.