• siga o )feminal( no twitter
  • comunidade )feminal( no facebook
  • comunidade )feminal( no orkut

Pecado é não usar

31 de janeiro de 2011

Lícia Peres*

A epidemia mundial da AIDS, e aqui no Brasil os dados são reveladores da gravidade do problema, tem merecido a atenção do Ministério da Saúde, cuja política de prevenção e tratamento do vírus tem sido reconhecida internacionalmente. Trata-se de defender nossa população de uma doença grave e que vem causando a morte de .milhares de pessoas. Até dezembro de 2002, o Ministério da Saúde registrava 257.780 casos no Brasil, sendo 185.061em homens e 72.719 em mulheres. Pelos dados do Instituto Patrícia Galvão, Comunicação e Mídia, em dossiê que contou como o apoio da UNIFEM, estima-se hoje que existam 597 mil pessoas entre 15 e 49 anos infectadas pelo HIV (O,65% do total da população) Embora 30% dos brasileiros /as, já tenham feito o teste anti-HIV, calcula-se que cerca de 300 a 400 mil pessoas tenham o vírus e ainda não estejam diagnosticadas. Quem de nós não conhece alguém contaminado pelo vírus? O que parecia distante, está à nossa volta. O problema, portanto, é seríssimo e exige grande conscientização de toda a sociedade, principalmente dos mais jovens, para prevenir a doença.

As famílias e a escola, instituições socializadoras das novas gerações, precisam transmitir permanentemente a eles a importância da prevenção da doença e da necessidade de usar preservativos nas relações sexuais, o que não é tarefa fácil. A juventude, muitas vezes levada pelo arroubo das paixões, relega para segundo plano sua própria segurança e se coloca em risco, evitando pensar nas conseqüências. E, no caso das mulheres, acrescenta-se o fato, pela assimetria de poder, do medo de negociar com o parceiro o uso da camisinha, permanecendo em relações sexuais desprotegidas . Assim, mesmo tratando-se de mulheres com relação estável, com companheiro fixo, estas estão sendo mais e mais infectadas. Sabemos como é difícil intervir numa esfera que é restrita à intimidade das pessoas.

Não bastassem os obstáculos, enfrentamos agora a oposição de setores da Igreja Católica que se arvoram o direito de ignorar a realidade, tentando impor a moral católica.

Em campanha permanente contra o uso de preservativos e na defesa da castidade , setores conservadores da Igreja Católica se insurgiram violentamente contra um vídeo realizado pelas ONGs com o slogan “Pecado é não Usar (camisinha)” , que alerta para a possibilidade da Igreja estar cometendo mais um erro , dentre os crimes que reconhecidamente foram cometidos contra a humanidade ao longo de sua existência e já motivaram confissões de culpa e pedidos de perdão pelo próprio papa. O Programa Nacional de DST e AIDS, do Ministério da Saúde, mesmo não querendo polemizar com a igreja com quem mantém parceria através do trabalho desenvolvido com as pastorais para a prevenção e tratamento da doença, deixou claro que não é possível ignorar a verdade científica e reiterou “ a eficácia do preservativo como única maneira de prevenir o HIV entre pessoas com vida sexual ativa, cerca de 91 milhões no Brasil”.

A relação entre religião e Estado já foi definida. O Estado brasileiro é laico e não pode estar à mercê de nenhum tipo de fundamentalismo . Esta condição é essencial para o exercício dos direitos humanos e para a existência de uma sociedade onde os direitos sexuais e reprodutivos sejam respeitados, enfim, uma sociedade democrática e plural.

A responsabilidade para o enfrentamento da epidemia da AIDS é de todos, governo, empresas e sociedade. E por todo o sofrimento que a realidade vem escancarando aos nossos olhos, podemos afirmar em relação às formas de prevenção, dentre as quais a mais efetiva é o uso a camisinha: “Pecado mesmo é não usar”.

*Socióloga

Gravidez na adolescência: a realidade numérica

31 de março de 2010

Utilizando os dados oficiais do Brasil, disponibilizados pelo Ministério da Saúde e pelo DATASUS ao público em geral, no site www.datasus.gov.br , extremamente confiáveis, principalmente em relação ao estado do RGS e à cidade de Porto Alegre, no período de 1994 a 2007 (uma série histórica de 14 anos) encontramos o seguinte panorama numérico e percentual em relação a gravidez em adolescentes menores de 20 anos:

Em 1994, dos 2.571.571 partos ocorridos no Brasil, em mulheres de 10 a 59 anos, 17.628 (0,68 %) ocorreram em meninas de 10 a 14 anos e 490.716 (19,08 %) em adolescentes de 15 a 19 anos, totalizando 19,76%. Já em 2005, dos 3.035.096 partos ocorridos no Brasil, 26.752 (0,88 %) ocorreram em meninas de 10 a 14 anos, 634.385 (20,90 %) em adolescentes de 15 a 19 anos, totalizando 21,78 %. Mostrando um crescimento em 12 anos de cerca de 29 % na proporção de gravidez em meninas de 10 a 14 anos e de cerca de 9,5 % na proporção de gravidez em adolescentes de 15 a 19 anos. Em 2007 ocorreram 2.891.328 partos (mostrando uma tendência de queda no número total de nascimentos iniciada em 2006), no entanto foram 27.963 partos em meninas de 10 a 14 anos (0,97% do total de partos), mostrando um aumento de 42,6% nesta proporção desde 1994 e um aumento de 58,63% nos números absolutos. Em relação aos partos em adolescentes de 15 a 19 anos, em 2007 foram 582.409 partos (20,14% do total) mostrando uma tendência de queda tanto em valores absolutos quanto em valores relativos em relação ao ano de 2005. Portanto temos em 2007 ainda 21,11% dos partos em mulheres de 10 a 19 anos na data do parto – cerca de “um quinto” das grávidas brasileiras com menos de 20 anos.

Para o estado do Rio Grande do Sul, a situação observada é a seguinte: Em 1994, ocorreram 188.666 partos, com 1.278 (0,68%) em meninas de 10 a 14 anos e 32.495 (17,22 %) em adolescentes de 15 a 19 anos. Já em 2005, após 12 anos, estes números passam para 147.199 partos, com 1.123 (0,76 %) em meninas de 10 a 14 anos e 26.383 (17,92 %) em adolescentes de 15 a 19 anos. Apesar do pequeno crescimento nas porcentagens, observamos em nosso Estado uma QUEDA no número absoluto de partos de 12% em meninas de 10 a 14 anos e de 18,8 % em adolescentes de 15 a 19 anos – totalizando 6.267 partos em adolescentes de 10 a 19 anos a MENOS, o que é uma boa notícia. Em 2007 foram 133.401 partos (mantendo a tendência de queda destes números apesar do crescimento numérico da população de mulheres), com 1.027 partos em meninas de 10 a 14 anos (0,77%) e 22.721 em adolescentes de 15 a 19 anos (17,03%). No Estado do Rio Grande do Sul observamos menos de 18% dos partos em mulheres de menos de 20 anos.

Para a cidade de Porto Alegre, a situação é ainda mais otimista em relação aos dados nacionais. Em 1994, tivemos 23.938 partos, com 181 (0,76 %) em meninas de 10 a 14 anos e 4.079 (17,04 %) em adolescentes de 15 a 19 anos. No ano de 2005 passamos para 18.943 partos, com 115 (0,61 %) em meninas de 10 a 14 anos e 3.217 (16,98 %) em adolescentes de 15 a 19 anos. Observamos tanto QUEDA nas proporções quanto nos números absolutos. Comparando o ano de 1994 com 2005, foram 928 partos a menos em adolescentes em nossa cidade. Em 2007 ocorreram 17.814 partos, 133 em meninas de 10 a 14 anos (0,75%) e 2.718 (15,26%) em adolescentes de 15 a 19 anos – totalizando cerca de 16% dos partos em mulheres de menos de 20 anos.

Os dados preliminares para o ano de 2009 (CGVS/EEV) nos mostram 18.558 partos, com 105 (0,57%) em meninas de 10-14 anos e 2.632 (14,18%) em adolescentes de 15 a 19 anos – sugerindo mais uma pequena queda nestes números e proporções onde chegamos a menos de 15% dos partos em mulheres menores de 20 anos.

Com certeza estas famílias em que meninas de 10 a 14 anos engravidaram merecem toda a atenção dos serviços de saúde e de nossas políticas sociais, principalmente pelo risco de abuso sexual.

Md. Maria Regina Varnieri Brito – Epidemiologia e Saúde Pública
Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde SMS/PMPA
Equipe de Vigilância de Eventos Vitais (EEV)

Feminologia: a nova tendência da medicina que trata a mulher

6 de março de 2010

O médico feminólogo transcende aos cuidados orgânicos e diagnósticos preventivos, oferecendo um caminho de auto-entendimento e autopercepção para a transformação feminina.

Na medicina existem diversas linhas de trabalho, que se adaptaram na cura de doenças de seus pacientes com o passar dos anos. Constantemente, são divulgados novos estudos e novas técnicas, mas a atenção à individualidade do paciente é o que diferencia os profissionais e suas linhas de atuação. A feminologia tem a feminilidade como valor máximo da mulher contemporânea, com características hormonais, comportamentais e físicas. Além disso, é levado em conta, reconhecer os desvios que causam algumas “doenças” como a tensão pré-menstrual (TPM), depressão pós-parto, depressão no climatério e até disfunções sexuais.

Em 1985, um grupo de médicos de São Paulo iniciou um estudo para tratar a mulher contemporânea unindo o que é aprendido nas faculdades de medicina às teorias da psicologia, aos estudos psiquiátricos e até mesmo a dados antropológicos. Surgia, então, a feminologia que até hoje desperta curiosidade em profissionais e, principalmente em pacientes ávidas por um tratamento diferenciado.
As mulheres de hoje são tão diferentes de suas ancestrais que, somente os conhecimentos da ginecologia clássica ou da psicologia, não dão conta de seu entendimento e atendimento adequados. Os estudos do século passado, que geraram a ginecologia, não tratavam dos males de que sofrem a mulheres atuais: vida competitiva no mercado de trabalho, stress, número menor de filhos, expectativa de vida ampliada.

É importante entender a mulher como um ser complexo e que é resultado do quociente hormonal aliado ao emocional e ao racional. Esta somatória determina inúmeras transformações e alterações no corpo, no humor e no comportamento. Muitos profissionais tentam fazer com que as mulheres não ‘sofram’ com seus hormônios e, para isso, tentam anular suas funções eliminando, assim, a essência e o instinto de feminilidade.

A medicina precisa entender a mulher como um ser totalmente diferenciado e não pode ser tratada como um homem. Na mulher temos que lidar com a menstruação, a gestação, o pós-parto e a menopausa. Isso gera uma enxurrada de hormônios que, quando bem administrados e equilibrados, destacam as maravilhas do ser feminino, deixando de ser um ‘problema’ para as pacientes.

Por isso, é importante que a mulher busque o auxílio de um profissional qualificado e que tenha esse cuidado de tratá-la como um ser único, que precisa estar bem com seus hormônios para ter qualidade de vida.

Dr. Eliezer Berenstein

É o fundador da Clínica Berenstein de Atendimento à Mulher. Médico pela Faculdade Franciscana de Medicina é especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia. Também é especialista em Homeopatia pelo Conselho Federal de Medicina. Pós-graduado em Sexualidade Humana pelo Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, atua voluntariamente como auxiliar de ensino da Faculdade de Medicina do ABC.

Sobre a Clínica Berenstein de Atendimento à Mulher

A Clínica Berenstein de Atendimento à Mulher é comandada pelo ginecologista e feminólogo Dr. Eliezer Berenstein. Ele reuniu oito profissionais de saúde que atuam buscando a qualidade de vida feminina por meio do exercício da feminologia clínica. Essa nova técnica é aplicada por meio de uma equipe multi e trans disciplinar com bases na filosofia feminológica.

Os profissionais da clínica têm como objetivos a busca pela saúde integral da mulher (física, emocional e existencial) e o desenvolvimento de novas tecnologias de abordagem clínica. Para isso, é necessária uma atuação criativa que vai além dos conceitos e práticas aprendidos formalmente nas faculdades, mas desenvolvidos por uma abordagem sistêmica da vida.

E-mail: diego.bonel@tudoempauta.com.br  

Pele negra exige cuidados diferenciados durante o verão

6 de março de 2010

Pessoas de pele negra têm algumas vantagens em relação as pessoas de pele mais clara na hora de se exporem ao sol. Tudo porque a pele é mais firme e possui maior atividade dos melacinótipos, que funcionam como um protetor solar natural, aumentando a resistência cutânea, principalmente contra o câncer de pele.
Mesmo com tantos benefícios o fato não é desculpa para descuidar da proteção solar, alerta o dermatologista Valter Claudino, do Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa de Santo André que lembra que os cuidados devem ser os mesmos das pessoas de pele clara, em relação a exposição solar, estar atento aos horários de pico, usar bonés e protetor solar com fator 20, no mínimo.
Durante o verão também são importantes alguns cuidados como evitar substâncias gordurosas e ácidas, produtos a base de álcool, peelings, laser ou qualquer procedimento traumático, levando em conta sempre o tipo de cicatrização.
Segundo o dermatologista, nesta época, por ser mais oleosa, a pele negra pode ter um aumento no aparecimento de cravos e espinhas. “O mais importante é evitar espremer a região já que durante a cicatrização, pode ocorrer um derrame de pigmento que resultará em manchas escuras. A pele deve ser limpa, hidratada e protegida a base de protetor solar diariamente, evitando a formação de manchas”, observa Claudino.
É preciso estar atento ao aparecimento de manchas, além de seus aspectos como a coloração, caso ela seja branca é sinal de desidratação, sendo importante reforçar a hidratação, com aplicação de cremes após o banho, evitar água quente, banhos demorados com sabonetes esfoliantes e sol em excesso sem proteção.
Caso a mancha seja escura, vale usar filtro solar com um fator de proteção maior que 30, diretamente nas manchas, além de cremes clareadores a noite.
“Sem proteção a pele negra mancha facilmente, perde o brilho e torna-se opaca. Os cuidados precisam ser redobrados por conta da exposição ao sol, prevenindo-se também o aumento de cravos e espinhas”, explica o especialista.
A limpeza da pele deve ser feita corretamente pela manhã e a noite, o que evitará a dilatação dos poros. Lavar o rosto com um sabonete de acordo com o tipo de pele, usar uma loção adstringente e passar filtro solar próprio antes de sair de casa, ajudam a diminuir a oleosidade do rosto. A noite após a limpeza é recomendado utilizar um creme com vitamina C ou hidroxiácidos. No corpo um hidratante lubrificante, com óleo de avelã, uva ou macadâmia é o suficiente. Antes de utilizar alguns produtos o ideal é um especialista seja consultado para melhor avaliar o tipo de pele.
A pele negra possui algumas substâncias mais abundantes como é o caso da melanina e do colágeno, o que facilita a hiperpigmentação e a formação de quelóides,, portanto é preciso cuidado redobrado na hora de fazer tratamentos estéticos. Os peelings e lasers se não forem bem aplicados, podem prejudicar a pele, que passará por um processo inflamatório intenso e perderá água rapidamente. Para esse tipo de pele existem tratamentos mais suaves e superficiais que agridem menos a pele.
Para exibir uma pele saudável e bem tratada, vale abusar da água, beber pelo menos 2 litros por dia, tomar banhos rápidos e de preferência não muito quentes, optar pelo uso de sabonetes hidratantes e evitar o uso de esponja. Aplicar um creme ou loção indicada para peles negras, também é uma boa pedida. A hidratação desses produtos é mais intensa do que os óleos após o banho, já que a pele úmida os absorve melhor. Esfoliar a pele uma vez por semana também é recomendável, pois favorece a penetração do creme.
Por Luciana Ponteli (mprossi@uol.com.br)