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Lembranças do Sul uma Loja Temática

2 de agosto de 2012

Na avenida Des. André da Rocha, nº 229, Centro Histórico de Porto Alegre, no dia 28 de julho de 2012, Rio Grande do Sul, foi inaugurada a Loja Lembranças do Sul.

A loja oferece a seus clientes variados itens do tradicionalismo gaúcho e da cultura porto-alegrense como, roupas, lenços, cuias, bombas, mateiras, artigos em artesanatos, livros, cartões postais, mapas e guias da cidade, assim como, aluguel de vestidos e acessórios para prendas.

Com o intuito de proporcionar aos moradores e visitantes da Capital um ponto voltado ao amor pela cultura e a tradição de nosso Estado, Margarida Nunes, fotógrafa e promotora de eventos há 20 anos, oferece o serviço de fotos temáticas gaúchas – fotos personalizadas dos visitantes, trajados com vestes típicas do Estado ou em banners exclusivos da loja que retratam as vestes tradicionalistas sem que o cliente precise trocar de roupa. Todas as fotos serão produzidas e reveladas na hora.

 A loja se propõe a cobrir eventos culturais e festas em geral, com agendamento antecipado no local. Sua equipe espera os amigos e cultuadores das tradições gaúchas com a água quente para um chimarrão com o doce sabor do Rio Grande.

Contatos: lembrancasdosul@gmail.com e telefones (51) 9646.2419 e 9345.435

Publicidade na internet brasileira ultrapassa impressos até 2015

13 de fevereiro de 2012

 

A publicidade na internet brasileira deverá superar os gastos com anúncios em jornais e revistas até 2015, seguindo a onda das economias mais desenvolvidas. A previsão é apontada pela Wark International Ad Forecast, serviço que analisa o segmento. “O tempo gasto com as mídias digitais vem aumentando rapidamente, sendo assim, é natural que os anunciantes migrem para onde se encontram os seus consumidores”, explica o especialista Leandro Kenski, CEO da Media Factory, agência especializada em marketing digital.

Segundo a pesquisa divulgada nesta semana, os mercados emergentes vão garantir o crescimento da publicidade em 2012. Entre os 13 países pesquisados pela Wark, o Brasil deverá apresentar o quarto maior avanço, 8,5%, atrás de Rússia (16,5%), Índia (14%) e China (11,5%).

Em 2010, a publicidade no Brasil ocupou a mesma posição, com avanço de 7,1%. O período foi marcado por decréscimos em algumas das principais economias. Segundo o estudo, a internet puxa o crescimento dos anúncios globalmente, com variação positiva nos países pesquisados de 12,6%, seguida por TV (5,3%), outdoors (5,1%), cinema (3,8%) e rádio (2,9%).

Já os jornais e revistas deverão apresentar leve queda em 2012, de 2% e 1,2%, respectivamente. No caso do Brasil, o aumento da publicidade on-line deverá ser de 23,8%, informa a pesquisa. Já jornais e revistas devem avançar 3,6% e 6%, respectivamente. “Na Media Factory, onde nos especializamos em performance on-line, percebemos que muitos de nossos clientes estão migrando para ações que gerem vendas rapidamente e que possam ser efetivamente mensuradas”, explica Leandro Kenski. “Todas as pesquisas recentes apontam que a velocidade de crescimento do investimento em mídias digitais nos próximos três anos é muito superior a outras mídias”, acrescenta.

Embora os gastos com publicidade on-line nos países pesquisados devam crescer menos em 2012 do que em 2011, quando o aumento foi de 16,6%, o segmento deverá responder por 20% do total investido em anúncios até o fim do ano, informa a Wark.

Entre as chamadas economias desenvolvidas, Alemanha (-0,8%), França (-0,9%) e Itália (-2,3%) apresentarão em 2012 o pior desempenho de sua história na comparação com o ano anterior.

A participação do Brasil no total aplicado nos 13 países examinados tem aumentado: de 3,1%, em 2003, para estimados 4,5%, em 2012. Os Estados Unidos, cuja fatia passou de 50,4% para 41,6% nos últimos dez anos, vem perdendo espaço para países emergentes.

Já a participação da China terá passado de 6,5%, em 2003, para 12,2% em 2012, segundo as séries históricas da Wark.

Fonte: Brasil Econômico – Gouvêa de Souza / Mercado & Consumo

Quem matou Odete Roitman?

13 de fevereiro de 2012
 

Ricardo Orlandi

O Brasil, como qualquer país, possui algumas peculiaridades, entre elas, a sua quase inexplicável paixão por telenovelas.

É claro que, como a maioria dos homens de nosso pais, nego “peremptoriamente” que assisto telenovelas (sic).

Brincadeiras à parte, este fenômeno sociológico das “soap operas” brasileiras, conquistou não só o nosso país, como se tornou produto de exportação para diversos países.

Diferentemente dos dramalhões mexicanos, a telenovela brasileira ganhou muito em qualidade, tanto na dramaturgia, com atores de renome nacional e internacional, como nos temas abordados, geralmente atuais e com forte cunho social.

Exemplo da qualidade de nossa teledramaturgia é a premiação de Caminho das Índias com o Emmy 2009 na categoria de melhor novela. O International Emmy Awards, ou simplesmente Emmy, é o equivalente ao Oscar da televisão internacional.

“Caminho das Índias” foi escrita por Glória Perez, teve a direção de Fred Mayrink, Leonardo Nogueira, Luciano Sabino e Roberto Carminatti, com núcleo e direção geral de Marcos Schechtman. A novela foi exibida pela Rede Globo de Televisão na faixa das 21 horas entre 19 de janeiro e 12 de setembro de 2009, tendo 203 capítulos com duração média de 1h10m cada.

Mas falar de telenovelas nos leva a sua grande influência nos hábitos e costumes de nossa população.

Várias marcaram época e ficaram gravadas na história da televisão brasileira, lançando ao estrelato diversos atores e atrizes que passaram a visitar diariamente nossas casas pela “telinha” da TV.

Entre as clássicas, me lembro de “O Direito de Nascer”, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Sangue do Meu Sangue”, “O Tempo não Apaga” e “Redenção”, esta última produzida pela extinta TV Excelsior e exibida de 16 de maio de 1966 a 2 de maio de 1968, sendo até hoje a telenovela que passou mais tempo no ar no Brasil, com 596 episódios.

Redenção nos deixou o legado de “Dona Marocas”, personagem interpretado pela atriz mineira Maria Aparecida Báxter, que se tornou sinônimo de mulheres fofoqueiras.

Já na nova geração, encabeçada pela Rede Globo, temos títulos como “Roque Santeiro”, “Selva de Pedra”, “Irmãos Coragem”, “O Bem Amado”, “Dancin Days”, “Pai Herói”, “Roda de Fogo”, e tantas outras que mantiveram a atenção do público durante meses.

As telenovelas fazem parte da nossa cultura, queiram ou não queiram. Agora que não temos mais a censura, certos autores conseguem tocar fundo em temas que passariam “batidos”, não fosse a força da televisão.

Drogas, corrupção, doenças terminais, crime organizado, homossexualismo, racismo, pedofilia, alcoolismo, e vários outros temas polêmicos.

Mas para não me alongar, vejamos dois interessantes momentos em duas novelas de grande sucesso em nosso país: “Vale Tudo” e “O Astro”.

“O Astro”, produzida e exibida pela Rede Globo entre 6 de dezembro de 1977 e 8 de julho de 1978, às 20 horas, foi escrita por Janete Clair e dirigida por Daniel Filho e Gonzaga Blota, tendo contado com 185 capítulos. Daniel Filho acumulou a direção geral. Em 2011 tivemos um “remake” da trama que foi a primeira “novela das onze” a ser exibida pela emissora. Este remake teve seu primeiro capítulo exibido em 12 de julho de 2011, encerrando-se em 28 de outubro de 2011, com 64 capítulos.

A trama prende o espectador que queria saber afinal, quem matou Salomão Hayalla?

Já “Vale Tudo”,  também produzida pela Rede Globo, foi exibida de 16 de maio de 1988 a 6 de janeiro de 1989, no horário das 20h30 da emissora. Foi escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères e dirigida por Dênis Carvalho e Ricardo Waddington, com direção geral do primeiro. Contou com 203 capítulos.

Quem matou Odete Roitman? Esse foi o grande mistério de Vale tudo, só revelado no último capítulo, quando o Ibope registrou que 86% dos televisores ligados no país estavam sintonizados na telenovela da Globo. A principal vilã da trama foi interpretada magnificamente pela atriz Beatriz Segall

Para manter o mistério, a cena que revelaria o autor do crime só foi gravada no dia da exibição, de modo que nem mesmo o elenco tivesse conhecimento de tal segredo.

No último capítulo da trama, que foi ao ar no dia 6 de janeiro de 1989, o Brasil inteiro descobriu finalmente quem matou Odete Roitman.

Hoje, 22 anos após, o povo brasileiro continua cada vez mais apaixonado por novelas, mesmo que muitas vezes ainda negue esta paixão.

O mais importante é que a Rede Globo, que por muitos anos manteve sozinha a hegemonia no setor, acabou por incentivar seus concorrentes a criar núcleos de produção que começam a mostrar que existe vida inteligente fora da teledramaturgia global.

Record, SBT e Band, volta e meia estão envoltas em escaramuças com a Globo, por pontos no Ibope, o que demonstra que a concorrência é sempre salutar.

Bem, acho que já escrevi demais e também já está começando mais um capítulo daquela telenovela que “não assisto” (OPS!!!).

Fonte: www.RicardoOrlandini.net

Mulheres desaprovam retrato que mídia faz delas

10 de janeiro de 2012

Corpo, mídia e sexualidade. Este é um dos temas da pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, realizada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, por meio de seu Núcleo de Opinião Pública, e em parceria com o SESC, mostra como a mulher se sente em relação ao próprio corpo.

Se os homens em geral apreciam ver rostos e corpos de belas mulheres na publicidade e em programas de TV, para as mulheres essa representação, além de pouco atraentre, contribui para uma desvalorização da classe feminina.

Confira alguns números da pesquisa

Para Gustavo Venturi, professor do departamento de sociologia da Universidade de São Paulo e um dos coordenadores da pesquisa, a opinião das entrevistadas “mostra um amadurecimento da reflexão sobre a imagem da mulher. O percentual de desaprovação já era alto em 2001 e agora, cresceu mais. Isso mostra que elas estão conscientes de que a mídia, muitas vezes, impõe padrões que não são reais e que não representam a figura feminina”.

Outro dado interessante revelado pela pesquisa é que a grande maioria das mulheres (74%) é a favor de algum tipo de controle (governamental ou do próprio mercado) sobre o teor do conteúdo exibido pela publicidade e pela mídia. “Esse índice nos causou bastante surpresa porque é comum a sociedade reagir de maneira negativa a qualquer possível ideia de controle ou censura”, comenta o pesquisador.

Quatro em cada cinco (80% hoje, 77% em 2001) acham ruim que “na televisão sempre tem programas com mulheres dançando com roupas curtas, mostrando bastante o corpo”, sobretudo por avaliar que isso “dá muita atenção só para o corpo e desvaloriza todas as mulheres” (51%, contra 56% antes).

Três em cada quatro brasileiras (74%) são favoráveis a “um maior controle da programação e da publicidade na TV”, dividindo-se entre as que acreditam que isso deve ser feito por autorregulamentação das TVs e agências de publicidade” (38%), as favoráveis a uma “maior fiscalização ou censura por parte do governo” (37%), e ainda as que prefeririam o controle “por um órgão ou conselho com pessoas da sociedade” (20%).

A maioria das mulheres (64% hoje, 59% em 2001) avalia que de um modo geral elas próprias “saem perdendo” por ser comum no Brasil usarem “roupas que marcam o corpo, como calças justas, saias curtas e blusas decotadas”. Apenas 9% acreditam que as mulheres “saem ganhando” com isso (18% em 2001).

Apenas 50% das mulheres hoje (54% em 2001) declaram-se totalmente satisfeitas “com sua aparência física” em comparação a 70% dos homens.

Entre a quase metade das mulheres (47%) que não está plenamente satisfeita com sua aparência, declaram-se espontaneamente descontentes com a barriga 15%, acima do peso 14% e com os seis 7%.

Fonte: Meio & Mensagem/Fundação Perseu Abramo

As redes sociais e a democracia

9 de novembro de 2010

Em nossa democracia, é muito baixa a possibilidade de decidir e intervir. A única delas é o voto, pouco para um exército acostumado a clicar, a escolher tudo a toda hora.

por Fernand Alphen

Redes sociais: duas entre cada dez palavras pronunciadas por qualquer bem pensante hoje em dia, em papos de “Abalar Bangu”. Mais um daqueles inúmeros fenômenos que surgem para acrescentar alguns charts às palestras dos gurus Best Sellers. Mais um tema para excitar os especuladores, os caçadores de talentos e os vendilhões de empresas.

Tudo nas novas plataformas de informação são reedições corrigidas e ampliadas. Os luditas e blasés adoram dizer isso. Portanto, para eles, redes sociais são espécies de “Rotary(s) Clubes” digitais.

Esse tipo de desmistificação é sempre um divertido argumento para brochar os excessivamente excitados mas é quase sempre um álibi intelectual para uma inépcia de entendimento das mudanças de comportamento que estão por detrás dessas “velhas novidades”.

Mas o que me interessa mais nos clubinhos virtuais é uma espécie de panacéia democrática que por ali grassa. Sem querer intelectualizar demais o papo, já é lugar comum dizer que a molecada tem um interesse muito passageiro, para não dizer inexistente, por política. A não ser em momentos de euforia ideológica, como a atualmente em curso no ringue das eleições norte-americanas, ela tem um desprezo absoluto por qualquer lógica majoritária.

É que de fato, essa coisa de submeter-se a qualquer decisão da “maioria”, é frustrante em tempos de liberdade de expressão absoluta e universal, de cauda longa, de morte do direito autoral e etc.

Em nossa democracia, é muito baixa a possibilidade de decidir e intervir. A única delas é o voto, pouco para um exército acostumado a clicar, a escolher tudo a toda hora.

É essa falência do “majoritário” que motiva e apaixona as redes sociais em todas as suas manifestações.

No limite, é como se estivéssemos encubando uma nova ordem mundial em que os humanos se agrupassem em torno de idéias compartilhadas, interesses ou polêmicas comuns, gostos e simpatias antes de geografias, línguas e qualquer outro tipo de aglutinação física.

No limite, as redes sociais configuram os novos “Estados” que trocam o majoritário pela unanimidade. E não há “exclusividade” nem “limite” de “nacionalidades”. Pode-se pertencer ao quantos “países” quisermos, com múltiplas “identidades” até e “desertá-los” quando eles não mais interessarem ou outros mais atraentes surgirem.

Antes de tratar-se de uma utopia, a experiência da nova ordem e sua possibilidade virtual vai corroendo todos os organismos e reinventando as relações sociais irremediavelmente.

* É diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S – falphen@fnazca.com

Princesas cor-de-rosa

31 de agosto de 2010

*Mirian Goldenberg

O rosa, imposto desde o berço, simbolizaria o culto da aparência no lugar da
inteligência?

A MONOCROMIA impera nas roupas e nos brinquedos das meninas. Basta observar em parques, praias, shoppings, escolas: o cor-de-rosa reina no universo infantil feminino.

O rosa não é só a cor das Barbies, mas também de vestidos, camisetas, biquínis, mochilas, sapatos, pulseiras, bicicletas, cadernos, lençóis, fantasias de princesa etc.

Enquanto as meninas estão de rosa da cabeça aos pés, os meninos vestem azul, verde, amarelo, vermelho, preto, cinza, laranja, branco e, até, algumas vezes, rosa.

Eles não são apenas mais livres no uso de cores, mas correm, brincam, gritam, jogam, se sujam e se machucam muito mais do que elas.

No comércio há uma invasão, nunca vista anteriormente, de produtos cor-de-rosa. Muitas mães afirmam que há uma ditadura do rosa, que as filhas acabam ficando viciadas nessa cor. Não há escolha para as que gostariam de mais diversidade.

No blog PinkStinks, duas mães inglesas declararam guerra ao que chamam de “pinkification” das meninas: a onipresença da cor rosa.

Elas acreditam que o fenômeno vai muito além da cor.

Dizem que a cultura do rosa, imposta às meninas desde o berço, é baseada no culto da beleza, do corpo, da aparência, da magreza, em detrimento da inteligência.

Apesar de parecer inofensivo, dizem, o rosa simboliza a cultura da celebridade, fama, riqueza e da obsessão pela imagem, que aprisiona e limita as aspirações das meninas sobre o que podem ser e realizar quando se tornarem mulheres.

O rosa, para elas, representa um retrocesso, o retorno de um modelo feminino que parecia ter sido abolido nos anos 1970 pelas mulheres que desejavam ser livres, independentes, fortes, poderosas, sexualmente ativas e donas do próprio corpo.

A comparação entre as cores e as brincadeiras de meninos e meninas sugere que faltará a elas, quando adultas, algo fundamental: liberdade.

Liberdade que, na minha pesquisa com cariocas das classes médias, elas afirmam invejar nos homens. Já eles dizem não invejar absolutamente nada nas mulheres.

Se a roupa fala da nossa cultura, o que o rosa diz sobre as futuras mulheres? Estaria falando de uma cultura que associa mulher a delicadeza, doçura, sensibilidade, inocência, fragilidade, fraqueza, passividade, inferioridade, submissão? De mulheres infantis e dependentes, que precisam da proteção de príncipes? Da dominação que transforma garotas superpoderosas em princesas cor-de-rosa?

*Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ao alcance de um mouse: o Orkut, o facismo e o descarte do ser humano

22 de agosto de 2010

por Ana Veloso*

“Tolerar a existência do outro, e permitir que ele seja diferente ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro. Deveríamos criar uma relação entre as pessoas da qual estivessem excluídas a tolerância e a intolerância”. (José Saramago)

A profusão de comunidades que atacam os nordestinos no Orkut faz pensar. Assim como as comunidades dos “adeptos do estupro corretivo”, causa repulsa, revolta e estranhamento. A oferta das possibilidades tecnológicas de tais redes sociais não pode ser classificada de forma simplista como boa ou má. A técnica pela técnica, o mero aparato, tem ideologia?

Não podemos observar os fenômenos comunicacionais e tecnológicos separados dos contextos históricos, políticos, culturais e sociais onde estão inseridos. O ser desumano é a desmedida de todas as coisas. De forma vil, se apropria de tudo e de todos como objetos para consumo. Como se os outros, os humanos, os “descartáveis”, não pudessem ter a liberdade para ser, viver, existir.

Quando denunciamos a conexão entre os/as que se identificam pelo desejo de exterminar os nordestinos ou dos/as que celebram o “estupro corretivo de lésbicas”, e fazem suas manifestações criminosas via internet, observamos a instrumentalização de uma ferramenta para a violação dos direitos humanos. Isso não é nenhuma novidade uma sociedade que lançou a bomba atômica. “Os fins justificam os meios” (Maquiavel).

O primeiro fenômeno foi intensificado, recentemente, depois da catástrofe que dizimou centenas de vidas em Alagoas e Pernambuco. O segundo existe há muito tempo, tendo sido publicizado, inclusive, por representantes da ONU. Uma análise dos discursos dos/as pertencentes a esses “grupos” revela um teor tão intenso de violência que chega a causar descentramento, sobretudo diante do que compartilhamos como sentimento de pertencimento à humanidade. “O inferno são os outros” (Sartre).

“O exercício da liberdade de expressão não pode violar outros direitos humanos”. De qual tipo de “liberdade” estamos tratando? Certamente, não daquela que eleva a alma. Da que desenvolve o ser e o impulsiona à vida, à contemplação da natureza e à arte. Falamos de um sentido de liberdade que os/as participantes desses espaços virtuais ignoram. Sob a égide da opressão/dominação não é possível conceber a essência da liberdade.

As posições, os termos e a forma de pensar e agir dos que estão envolvidos nestes guetos exprimem o facismo presente em nosso cotidiano. Quando tratamos do tema, de modo sério e responsável, muitos/as saem em defesa dos/as que compactuam com esse absurdo. Já ouvi: “são jovens brincando”, “faz parte da liberdade na internet ”, “restringir é censurar”.

Até quando, tais argumentos irão dissimular a verdade? Quem prega o separatismo, a xenofobia, o racismo e os crimes de ódio coloca combustível nas engrenagens que movem a barbárie em todo o mundo. É por isso que a mecanização da vida e o descarte do ser humano são, hoje, divulgados sem o menor pudor para quem estiver “conectado/a”. Assim como a exploração sexual comercial virtual de crianças e adolescentes, são delitos que, no Brasil, estão ao alcance de um mouse.

* Jornalista, professora de jornalismo da UNICAP, colaboradora do Centro das Mulheres do Cabo, doutoranda em Comunicação pela UFPE e empreendedora social Ashoka

Super-heróis são maus modelos

21 de agosto de 2010

por Arnaldo Rabelo

Segundo a Dra. Sharon Lamb, professora emérita da Universidade de Massachusetts-Boston, a imagem de super-heróis batendo em vilões pode não ser boa se a sociedade quiser promover comportamentos masculinos mais gentis e menos estereotipados.

Em comunicado divulgado pela entidade, ela afirmou existir uma grande diferença entre os heróis dos filmes de hoje e os dos quadrinhos do passado. Em suas próprias palavras, “os heróis de hoje participam de ações ininterruptas de violência”. Esses personagens seriam agressivos, sarcásticos e raramente demonstrariam a virtude de fazer o bem à humanidade. Sharon diz ainda que, despidos de seus trajes de heróis, estes homens são péssimos exemplos: exploram as mulheres e mostram sua masculinidade com armas poderosas.

Para a psicóloga, o exemplo típico desse novo Super-Herói moderno é o Ironman, ou Homem-de-Ferro.

Segundo ela, a grande diferença dos personagens dos quadrinhos do passado para os atuais super-heróis dos filmes é que os primeiros representavam modelos nos quais os garotos podiam se espelhar – já que, despidos de seus trajes, eles seriam pessoas reais, com problemas reais e vulnerabilidades.

A psicóloga afirma ainda que, na mídia de hoje, só existem duas imagens com as quais os garotos pode se identificar: super-heróis ou vagabundos. De acordo com ela, após uma pesquisa feita com 674 meninos de 4 a 18 anos, a conclusão é a de que a publicidade se aproveita do fato de que jovens precisam moldar sua identidade durante a adolescência. O truque seria então lhes “vender” uma versão limitada de masculinidade.

Para ela, a solução seria ensinar os jovens a se distanciarem dessas imagens e encorajá-los a achar as “mentiras” nelas.

Outros estudos mostram que o interesse que meninos entre 4 e 8 anos têm por super-heróis é determinado por sua necessidade natural de maior poder e controle, nesta fase da vida em que ganha certa autonomia. Seria uma forma de aprender a lidar com esta autonomia, garantindo a auto-sobrevivência. Esta está longe de ser uma questão simples.

Fonte: Info

Significação mítica da telenovela

30 de maio de 2010

por Eloá Muniz

A condição que a televisão tem de comunicar-se pela imagem e de conviver com as pessoas na intimidade de suas casas torna-a um veículo com força de comunicação muito mais através do emocional e do afetivo do que pelo racional. Esta característica facilita o desencadeamento dos processos psicológicos da projeção e da identificação.

O ato de ver televisão é um ritual já tão assimilado culturalmente pela família brasileira, que um novo padrão de comportamento foi criado e desenvolvido a partir do hábito cotidiano de reunirem-se para assistir televisão. Este comportamento da família que se emociona diante da telinha, abrange todas as classes sociais, é um fenômeno que atinge pela emoção, pela vivência dos dramas, mobilizando os membros da família pela identificação da realidade que cada um deles tem escondida intimamente com a realidade mostrada na televisão.

A telenovela herdou um procedimento característico do melodrama que é a cumplicidade, onde o suspense era criado a partir das informações que o espectador tinha da trama da história e que os personagens envolvidos na situação não conheciam. Assim, os segredos das personagens exerciam sob o espectador um forte fascínio. Da mesma forma o telespectador de novelas detém informações e interage com um mundo de fantasias e de poderes fictícios.

A televisão trabalha com dois sistemas básicos de comunicação que passam para sua linguagem os fatos da realidade que pretende transmitir. São os signos e os clichês.

O signo atua em dois lados: na cabeça do telespectador e no produto de comunicação que o telespectador vê, pois o produto é realizado por pessoas que também elaboram os pensamentos como signos. A produção sígnica só tem efeito se realiza essa dualidade de forma plena.

O Clichê é o segundo mecanismo básico da linguagem da televisão. Contrariamente ao signo, em que o telespectador não sente violência das mensagens televisivas porque mantém um escudo contra elas, aqui, ele se entrega à estória, sente emoção, se entristece, chora, sente saudade, vive com a personagem. Ou seja, se na linguagem dos signos ele se separa da emoção, na linguagem dos clichês ele se funde com ela, se entrega a ela. O que distingue essa fusão dos sentimentos reais, das emoções verdadeiras, é seu caráter de clichês, que significa que as tristezas, as dores, as lágrimas relembram inconscientemente ao telespectador momentos emocionalmente fortes de sua vida.

A televisão é ligada sempre a mesma hora, para se assistir aos mesmos gêneros de programas. Ela coloca ordem na vida das pessoas. Uma ordem verticalizada que passa a sincronizar o tempo do telespectador e sua vida passa a ser ordenada simbolicamente pelo veículo. A novela faz parte deste processo de ordenação, quando se apresenta ao público de forma seriada criando um espetáculo polissêmico a cada dia e a cada capítulo. Neste sentido o processo ritual é o encadeamento de discursos e gestos facilmente reconhecidos pelo público que desenrolam num espaço e numa temporalidade próprios distintos, portanto, dos espaços e dos momentos da vida quotidiana.

Mostram o digno e o indigno de imitação, tudo mesclado, de forma esboçada e ambígua, porém sinalizando sempre a significação. A significação do símbolo é o significado. Não dizem o que devem ou não fazer, porém reproduzem o que é feito e pensado, e só a repetição sugere que poderia tratar-se de algo que é correto fazer. A vinculação do orgânico e a ordem sócio-moral se realizam também aqui mediante a ritualização.

Neste aspecto, há que entender como equivalentes à simultaneidade de informações sensacionalistas e a transformação do passado na televisão. A insegurança que resulta de exposição acumulada de delitos através da mídia, desde jornal até o filme policial televisivo, e cuja finalidade é assegurar ao cidadão seus contornos, induz que ele busque segurança em seu passado mítico. O mito, para explicar o presente partindo de um passado, tem acontecido sempre e em todas as épocas, conecta com as experiências primárias sobre o acima e abaixo, dentro e fora, claro e escuro, e opera com ele, como algo viável e estabilizado.

A telenovela, tal como o melodrama, funciona como uma catarse social que substitui a contestação e a reflexão pela anestesia e fascínio que a televisão provoca através da sedução pela imagem esteticamente composta e ritualizada. Assim, a novela elabora uma nova ordem simbólica e apropria-se do tempo e do espaço do telespectador, criando em sua vida quotidiana um vínculo e uma relação comunicacional com o veículo televisão.

O prazer de ser o outro e por alguns momentos ter a ilusão do poder. A novela cria a ilusão e possibilita ao telespectador fundir-se com o personagem e experimentar outra identidade. Tal como os jogos de mimicry, a novela não tem compromisso com a verdade, mas com a verossimilhança, o fingir perfeito. O espelho da realidade, a história contada através dos personagens filtrados pela imagem icônica.

A ritualização, a ordem simbólica estabelecida e a rede fascinam cada vez mais a pessoa e a tornam sempre mais solitária, pois ela deixou de preocupar-se com seus vizinhos e seus amigos, para preocupar-se com os problemas das personagens da televisão. A relação com a televisão é mais fácil, pois ela possui o controle da ação, se estiver incomodando é só desligar. Com a relação humana é diferente, ela é real. A pessoa no mundo moderno vive uma solidão distinta – é uma solidão existencial.

Sedução pela representação icônica da imagem

30 de maio de 2010

por Eloá Muniz

A novela é o gênero televisivo com maior sucesso de audiência no Brasil. Teve sua origem no percurso temporal realizado pelo melodrama desde a pantomima, o teatro falado de feira, o folhetim, a radionovela, o cinema e a telenovela.

A telenovela, tal como o melodrama, funciona como uma catarse social que substitui a contestação e a reflexão pela anestesia e fascínio que a televisão provoca através da sedução pela imagem esteticamente composta e ritualizada. Assim, a novela elabora uma nova ordem simbólica e apropria-se do tempo e do espaço do telespectador, criando em sua vida quotidiana um vínculo e uma relação comunicacional com o veículo televisão.

A televisão fascina as pessoas muito mais que as outras formas de comunicação. Ela introduz uma nova linguagem, que inicialmente seduz o telespectador e depois é incorporada por ele. Desta maneira ela influencia e agrega novos hábitos de recepção e percepção da sociedade e da cultura.

O gênero que mais reflete esta absorção e influencia no público é a novela e, neste momento se estabelece uma contradição importante, o melodrama que surge como uma forma de contestação e dramatização do sofrimento popular, torna-se agora um instrumento da classe dominante para divulgar sua ideologia através dos personagens que são apresentados durante o desenvolvimento do discurso narrativo e da identificação estabelecida entre o público.

Enquanto a vida real transcorre de forma regular, repetitiva, quotidiana, a mente da pessoa, ao contrário, trabalha ansiosa por inovações, melhorias, mudanças de vida. Elas vivem permanentemente em conflito entre esses dois mundos.

O prazer de ser o outro e por alguns momentos ter a ilusão do poder. A novela cria a ilusão e possibilita ao telespectador fundir-se com o personagem e experimentar outra identidade. Tal como os jogos de mimicry, a novela não tem compromisso com a verdade, mas com a verossimilhança, o fingir perfeito. O espelho da realidade, a história contada através dos personagens filtrados pela imagem icônica.