• siga o )feminal( no twitter
  • comunidade )feminal( no facebook
  • comunidade )feminal( no orkut

Com menos impostos sobre materiais escolares, Brasil poderia investir mais no aluno, melhorando posição em ranking da OCDE

7 de outubro de 2014

Claudia Reis*

ABFIAE solicita apoio dos candidatos à Presidência da República para o fim da carga tributária sobre materiais escolares como forma de incentivo à educação.

Segundo matéria publicada ontem (10) pelo jornal O Estado de S. Paulo, o gasto por aluno no Brasil corresponde a um terço do investimento feito pelos países desenvolvidos, de acordo com um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado no dia 09 de setembro.

Segundo o levantamento, o gasto público com cada estudante brasileiro em 2011 foi de US$ 2,98 mil, o que corresponde a R$ 6,78 mil. Nos países desenvolvidos, o valor de verbas por aluno, foi cerca de três vezes maior, naquele ano, chegando a US$ 8,95 mil, o que corresponde a R$ 20,36 mil. A OCDE calculou os investimentos públicos de 34 países signatários da entidade, além de dez parceiros, dentre eles o Brasil.

Para a ABFIAE (Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares), a União tem plenas condições de contribuir para o avanço da qualidade do ensino público, embora a responsabilidade constitucional pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e o Médio seja de prefeituras e estados. Uma das soluções, seria a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que estabelece o fim dos impostos sobre os materiais escolares. Trata-se da PEC 24/2014, apresentada pelo senador Alfredo Nascimento.

Em um país onde os governantes cansam de afirmar que educação é prioridade, torna-se no mínimo contraditório, se não um absurdo, convivermos com a elevada carga tributária que incide sobre cadernos, borrachas, agendas, lápis, estojos, canetas e, até mesmo, tinta guache e folhas para fichário. A renúncia fiscal da imunidade tributária desses itens seria ínfima perante o orçamento da União. A aprovação da PEC 24/2014 seria uma solução imediata para a redução da elevadíssima carga tributária sobre material escolar existente no País e uma forma de demonstrar que nossos parlamentares e governantes realmente levam a sério o tema da educação”, pondera Rubens Passos, presidente da ABFIAE.

Fonte: Maxpress (Ricardo Viveiros & Associados)

Aprovado projeto de lei que proíbe criação de animais para extração de peles no estado de São Paulo

24 de setembro de 2014

Ricardo Viveiros – Oficina de Comunicação 18.09.2014

Foi aprovada na tarde desta quarta-feira, dia 17, na Assembleia Legislativa de São Paulo, o projeto de lei (PL) 616/11, de autoria do deputado Feliciano Filho (PEN), que proíbe a criação de animais com finalidade exclusiva para extração de peles no estado.

O projeto, que segue agora para sanção do governador Geraldo Alckmin, determina o fim da criação ou manutenção de qualquer animal doméstico, domesticado, nativo, exótico, silvestre ou ornamental com a finalidade de extração de peles.

“A indústria de extração de peles tem uma das práticas mais cruéis do mundo”, afirma o deputado. “A aprovação deste projeto preserva a vida de milhares de animais que vivem em cubículos muito pequenos, mal podendo se mexer, para depois serem mortos de forma cruel, para satisfazer a vaidade humana”, declara Feliciano.

Dentre os animais utilizados por essa indústria estão coelhos, raposas, visons, texugos, focas, coiotes, esquilos e chincilas. Os animais vivem em cativeiro, em pequenas gaiolas, com piso inadequado, para não encarecer o custo de criação. Apartados de suas condições naturais e impedidos de realizar comportamentos inerentes às espécies, ficam em alto nível de estresse.

Mas o mau trato maior acontece no momento do abate, que muitas vezes é praticado com crueldade extrema, com técnicas que visam preservar a integridade e boa qualidade da pele. A maioria dos animais costuma ser abatidos próximo aos oito meses de vida, logo após a primeira troca de pelagem.

O projeto aprovado pela Assembleia prevê, como penalidades, o pagamento de 500 UFESPs por animal, além da cassação do registro de Inscrição Estadual do criador e pagamento de 1.000 UFESPs, no caso de reincidência. Assessoria de Imprensa:

Ricardo Viveiros – Oficina de Comunicação

Mulheres negras nas eleições

24 de setembro de 2014

Jarid Arraes

Neste ano de eleição, somente 9,24% dos 25.366 candidatos e candidatas aos vários cargos políticos declaram-se como pessoas negras – é o que revela o Tribunal Superior Eleitoral, que pela primeira vez exigiu essa informação dos candidatos.

Ao fazermos um recorte de gênero, as mulheres negras são ainda menos representadas na política, um dado alarmante considerando a população autodeclarada negra no Brasil – que já passa dos 100 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE.

Para as mulheres negras, essa falta de representatividade é extremamente relevante, já que seus problemas específicos – como por exemplo, o difícil acesso ao mercado de trabalho ou o direito ao aborto legalizado – são tão esquecidos e deixados de lado. Em todas as demandas e reivindicações voltadas para as mulheres, aquelas que são negras se encontram no grupo estatístico de maior vulnerabilidade, o que também é refletido na ausência de candidatas mulheres negras: afinal, como garantir que as mulheres negras participem da política por meio de cargos e partidos quando tantos dos seus direitos mais básicos lhes são negados?

As mulheres negras compõem a maior parte das mulheres das periferias e enfrentam a maior dificuldade para estudar e trabalhar, além de serem grandes vítimas do estupro e da violência doméstica. Também são elas as mães que precisam criar seus filhos sozinhas porque não tiveram como interromper uma gravidez indesejada ou foram negligenciadas por homens irresponsáveis. E, ao final do dia, são as mulheres negras que mais fazem jornada tripla de trabalho, para cobrir a renda de seus parceiros mortos pela violência policial. Tudo isso sem mencionar que elas são maioria em trabalhos informais, como o trabalho doméstico, que carrega uma terrível marca sociocultural ainda do período da escravidão no Brasil – mesmo com a tentativa de efetivar leis trabalhistas que garantam dignidade às empregadas domésticas, a PEC 72 ainda não foi devidamente regulamentada; ou seja, essas mulheres ainda estão desamparadas.

Sob esse ótica, é de fato muito importante que as mulheres brancas lutem por mais representação e voz ativa na política brasileira; no entanto, é essencial lembrar que nem todas as mulheres são iguais e que essas diferenças podem gerar privilégios ou negligências, especialmente a depender da cor da pele. Essa polarização é feita pela própria cultura brasileira, que é racista e cria uma hierarquização entre mulheres brancas e negras. Dessa forma, uma mulher que conquiste um cargo político, mas que não se atente para as especificidades das mulheres negras, por exemplo, estará defendendo na maioria das vezes os direitos de apenas uma parcela feminina.

O Movimento Negro e muitas vertentes feministas estão conscientes dessas questões sociais e vêm lutando para trazer essas pautas ao foco, mas o problema está longe de ser resolvido. No caso das eleições presidenciais deste ano, temos três mulheres na corrida pela vitória, sendo duas delas brancas: Dilma Rousseff e Luciana Genro. Marina Silva é um marco nesse sentido, sendo a primeira mulher negra a disputar pelo cargo de presidência da república. Embora seja importante que sua realidade seja reconhecida, Marina não demonstra ter qualquer proposta em especial para resolver o problema do racismo brasileiro, muito menos voltando seu olhar para as pautas das mulheres negras como ela.

O fato é que também faltam candidatas com propostas sólidas relacionadas aos direitos das mulheres e pela luta contra o racismo, mesmo entre aquelas que conquistaram algum espaço. Representatividade importa, mas não somente a representatividade da identificação física; as mulheres negras precisam ser representadas em todos os âmbitos das lutas sociais.

Mudar essa realidade não é tão simples quanto votar em uma candidata negra, pois há várias outras barreiras impedindo o acesso dessas mulheres aos cargos administrativos no Brasil e também sufocando suas propostas, que não são bem aceitas por desafiarem o status quo. Mas é importante buscar pessoas que representem nossas ideias e estejam comprometidas com as causas pelas quais lutamos, fazendo um trabalho dentro do próprio movimento feminista para que as demandas das mulheres negras sejam atendidas.

A página no Facebook “Vote em uma Feminista” é um excelente exemplo de engajamento político, não apontando especificamente uma candidata ou partido, mas mostrando que há opções em quem votar de mulheres comprometidas com as pautas feministas – entre elas, várias candidatas negras.

No final das contas, muita luta ainda será necessária para que as mulheres negras alcancem os mesmos números e direitos que as mulheres brancas já possuem. Encarar essa realidade não cria uma cisão dentro dos movimentos de mulheres, pelo contrário, nos desperta para a realidade do machismo, que atua por meio de muitos mecanismos de exclusão. Unidas e conscientes de nossas diferenças, podemos enfrentar a misoginia e o racismo. Que nessas eleições possamos somar nossas forças para eleger mulheres diversas que tenham em comum seus projetos transformadores e fundamentalmente feministas.

 

Fonte: Lugar de Mulher 

Demanda por crédito no varejo cresce apenas entre consumidores que recebem até um salário mínimo

24 de setembro de 2014

Ana Greghi*

Nos últimos três anos, o percentual de pessoas com renda de até R$ 724,00 que procuraram por crédito no Varejo passou de 11% para 22%, sendo que nas demais faixas salariais registrou-se queda.

A desaceleração do crescimento do varejo vem apresentando quedas consecutivas desde 2010, segundo o Indicador de Atividade do Varejo da Serasa Experian. O fato e demais variações da economia brasileira explicam a crescente queda na demanda por crédito entre os consumidores que ganham entre um e dez salários mínimos, de acordo com estudo inédito da Serasa Experian. Na contramão dessa tendência, porém, estão os brasileiros que recebem até um salário mínimo mensalmente: em 2011, esses consumidores eram 11,9% do grupo de tomadores de crédito e, em 2014, representam 22,8%.

A mudança de perfil dos demandadores de crédito, apresentada pelo estudo da Serasa Experian, representa um risco real para quem empresta. “Mas os credores também podem enxergar nesse novo cenário oportunidades para desafiar o processo, fechar bons negócios e proteger também o cidadão”, lembra Guedes. “Empresas como a Serasa Experian disponibilizam uma série de estudos, sistemas e plataformas para que o crédito seja concedido de forma mais criterioso, afastando riscos, mas mantendo os bons pagadores. Os consumidores com até um salário mínimo de rendimentos são clientes em potencial e não devem ser excluídos por conta de seu holerite. As estatísticas provam que são eles é que estão aquecendo o mercado de crédito. A nova realidade requer novas ferramentas, novas políticas e modelos de gestão para manter o ciclo de negócios ativo.”

Para se ter uma ideia do que essa mudança de perfil representa para o varejo, atualmente, 74% de quem busca financiamento de eletromóveis, 66% de quem compra vestuário no crédito e 57% de quem utiliza o crédito nas compras de material de construção ganha até dois salários mínimos.

Segundo os economistas da Serasa, o novo cenário pode trazer a ameaça da inadimplência na carona, dependendo dos critérios de aprovação do crédito em cada uma das empresas, mas principalmente pelo risco do superendividamento.

O estudo comprova que justamente nos segmentos de eletromóveis e de construção a participação de consumidores de alto risco que procuraram por crédito vem aumentando. Em eletromóveis passou de 32,4%, em 2011, para 38%, em 2014, enquanto na construção subiu de 25,2%, em 2011, para 28,9%, em 2014.

Segundo os economistas, são considerados de alto risco, aqueles que apresentam uma probabilidade superior a 20% de não cumprirem seus compromissos financeiros nos primeiros quatro meses após a concessão de crédito. Em termos territoriais, o estudo aponta que 50% dos consumidores da região Norte que procuraram por crédito no Varejo são de alto risco, 44% no Nordeste, 38% no Centro Oeste, 37% no Sudeste e 36% no Sul.

Ao avaliarmos apenas os créditos concedidos no primeiro trimestre de 2014 observou-se uma alta da taxa de inadimplência em relação ao mesmo período do ano passado: 8,7% contra 6,7%. Na opinião do gerente, a predominância de consumidores de maior risco em função principalmente de uma maior exposição ao risco pode explicar o aumento. “Uma porcentagem muito grande dos proventos desses consumidores fica comprometida com dívidas, o que os coloca a um passo do endividamento”, diz. Além disso, segundo o estudo, 77% dos consumidores que buscam crédito ou serviços financiados o fazem em mais de uma empresa.

Risco real A alta porcentagem de pessoas com dívidas ativas junto a mais de uma empresa é um mal que já pode ser combatido com o cadastro positivo. Com o novo parâmetro, os concessores visualizam qual porcentagem da renda daquele cliente já está comprometida com outros financiamentos e assim conseguem tomar a melhor decisão de crédito, tanto para minimizar o próprio risco como para proteger o cidadão de entrar no labirinto do superendividamento.

Fonte: Maxpress (BR Experian)

Violência doméstica custa cerca de R$ 16 trilhões por ano, e é pior que guerras, diz estudo

23 de setembro de 2014

09.09.2014. A violência doméstica, principalmente contra mulheres e crianças, mata muito mais que guerras e é um flagelo muitas vezes subestimado que custa à economia mundial mais de R$ 16 trilhões (U$S 8 trilhões de dólares) por ano, informaram especialistas nesta terça-feira (9).

O estudo, que seus autores dizem ter sido uma primeira tentativa de estimar os gastos globais da violência, estimulou a ONU (Organização das Nações Unidas) a prestar mais atenção aos abusos em casa, que recebem menos destaque que conflitos armados como os da Síria ou da Ucrânia.

“Para cada morte civil em um campo de batalha, nove pessoas […] são mortas em desavenças interpessoais”, escreveram Anke Hoeffler, da Universidade Oxford, e James Fearon, da Universidade Stanford, no relatório.

Das brigas domésticas às guerras, eles estimaram que em todo o mundo a violência custe cerca de R$ 20 trilhões (US$ 9,5 trilhões de dólares) por ano, sobretudo na perda da produção econômica, o que equivale a 11,2 % do Produto Interno Bruto mundial.

Nos últimos anos, cerca de 20 a 25 nações sofreram com guerras civis, o que devastou muitas economias locais e custou cerca de R$ 240 bilhões (US$ 170 bilhões) por ano. Os homicídios, a maioria de homens e não relacionados com brigas domésticas, custaram cerca de R$ 1 trilhão (US$ 650 bilhões)

Mas estas cifras se apequenam diante dos quase R$ 16 trilhões (US$ 8 trilhões) anuais do custo da violência doméstica, cuja maioria das vítimas é mulher e criança.

O estudo afirma que cerca de 290 milhões de crianças sofreram alguma forma de violência disciplinar em casa, de acordo com estimativas baseadas em dados do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Com base nos custos estimados, que vão de lesões a serviços de assistência infantil, o estudo calculou que o abuso não-fatal de crianças drena 1,9 % do PIB em nações ricas e até 19 % do PIB na África subsaariana, onde as modalidades severas de disciplina são comuns.

Bjorn Lomborg, chefe do Centro de Consenso de Copenhagen, que encomendou o relatório, disse que a violência doméstica é frequentemente subestimada, assim como acidentes de carro atraem menos atenção que acidentes de avião, embora muito mais pessoas morram no primeiro caso.

‘Não se trata só de dizer ‘isto é um problema sério’, disse ele à Reuters. “É uma maneira de encontrar soluções inteligentes”. O Centro emprega estudos de mais de 50 economistas, inclusive três prêmios Nobel, e procura soluções de baixo custo para combater desde a mudança climática até a malária.

O estudo pretende ajudar a ONU a selecionar metas para 2030 para alcançar os Objetivos do Milênio estabelecidos para o período 2000-2015, que incluem a redução da pobreza e a melhoria dos depósitos de água potável. Os novos objetivos poderiam incluir o fim dos espancamentos como forma socialmente aceita de disciplina infantil e a redução da violência doméstica contra mulheres.

Rodrigo Soares, professor da Escola de Economia de São Paulo-FGV, disse ser bom ressaltar o grande número de mortes causadas pela violência doméstica, embora a falta de dados faça com que seja “um pouco ambicioso demais” estimar os custos globais.

Fonte: R7

Ranking IDH: Brasil precisa avançar na participação feminina na política

15 de setembro de 2014

(Correio Braziliense, 24/07/2014) Os dados do PNUD mostram que o Brasil conseguiu avançar em termos de igualdade de gênero. O Índice de Desenvolvimento de Gênero ficou em 0,441 levando o Brasil a ocupar a 85ª posição entre 149 países, a frente de Colômbia e atrás de México. No relatório, o PNUD afirma que uma maior igualdade entre homens e mulheres está associado a um melhor desenvolvimento. Embora o Brasil tenha avançado nesse aspecto, ainda há desafio pela frente.

Na avaliação de Jorge Chediek, coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil e representante-residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Brasil precisa avançar no ponto da participação feminina na política. “Os indicadores de participação política que poderiam ser bem melhores. Temos uma presidenta mulher, o que é extraordinário, mas a participação a cargos eletivos, como prefeito, governador é menor do que gostaríamos que fosse, e do que é em outros países”, avaliou.

A média de presença feminina nos parlamentos no mundo gira em 22%, segundo dados do Inter-Parliamentary Union (IPU), enquanto no Brasil, ela é inferior a 10%. Na América Latina, por exemplo, apenas o Haiti e Panamá têm menos mulheres nos órgãos equivalentes à Câmara dos Deputados do que o Brasil.

Fora do aspecto político, entretanto, Chediek, valoriza no Brasil as políticas voltadas às mulheres. “Em termos de outras dimensões de gênero, reconhecemos como muito positivo o fato de muitos dos programas sociais brasileiros estarem dirigidos a mulheres (…) Ajudam o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, então estamos com uma tendência de melhoria dos indicadores de empoderamento econômico”, diz.

Maria de Lurdes, 31 anos, é um exemplo de empoderamento feminino. Ela começou como repositora em uma rede de supermercados, passou por ajudante de manutenção, assistente de almoxarifado, caixa, e após oito anos, tornou-se gerente de uma das unidades. Durante o período que esteve no cargo de chefia, ouviu por trás das gôndolas funcionários dizendo: “Como ela chegou aí? Deve ter um caso com alguém”. Teve que se acostumar com as provocações. “Parece que liderar não é tarefa de uma mulher negra”, pontua.

 Saiu do emprego após trabalhar pelo terceiro domingo de páscoa seguido. “Não tinha tempo para cuidar das minhas filhas, não era vida”. Hoje, é gerente de uma loja de bijuterias na Rodoviária de Brasília, onde tem quatro funcionárias sob sua responsabilidade. Diz que o principal fator para continuar no atual emprego é a flexibilidade de horários, mas que é mais fácil para uma mulher liderar uma loja de artigos femininos. “No supermercado eu era questionada, como se não tivesse preparo para dar ordens. Diminuiu, mas ainda existe muito preconceito”, disse, enquanto encarava uma atendente que falava ao celular durante o serviço.

 

Pesquisa sobre trabalhadoras no comércio aponta que elas estudam mais e ganham menos

15 de setembro de 2014

Márcia Carvalho*

27.03.2012. O número de mulheres trabalhadoras no comércio na última década aumentou de 40%, em 2000, para 46%, em 2010. E as trabalhadoras em serviço do ramo de contabilidade chegam a 73%, enquanto que nos serviços em geral o índice é de 55%.  Este foi um dos dados apontados pela pesquisa do Dieese sobre o perfil das trabalhadoras no comércio e serviços encomendado pela Fecosul. Estes números foram apresentados nesta terça-feira (27/03) em uma atividade relativa ao Dia Internacional da Mulher, promovida pela Secretaria da Mulher da Fecosul.

A pesquisa do Dieese mostrou que são 132 mil comerciárias no Rio Grande do Sul, também mostrou que elas têm mais escolaridade – 58% tem ensino médio. Outro dado apontado é que as comerciárias são jovens, um terço tem entre 18 e 24 anos, e são mães, com filhos entre sete e 14 anos. No entanto, elas ainda ganham 76% do salário dos homens. Segundo Daniela Sandi, economista do Dieese, o maior poder dos sindicatos está em garantir conquistas nas convenções coletivas, como auxílio creche, por exemplo.

Outra painelista, a assessora de gênero e formação da Fetag, Sonilda Silva Pereira, falou sobre a participação das mulheres nos espaços de poder. “A maior participação das mulheres depende da vontade dos sindicatos, em garantir e facilitar esta participação. E isso é um processo de formação e de educação sindical e de gênero dentro das entidades”, observou Sonilda. “As mulheres trazem muitas transformações para as entidades sindicais em todos os níveis, desde a solidariedade até a preocupação com a saúde”, completa a líder rural.

Para a Secretária da Mulher da Fecosul, Silvana Maria da Silva, o objetivo do evento foi atingido: fazer a reflexão sobre o 8 de março – Dia Internacional da Mulher. “As duas exposições se completaram, uma nos mostrou quem somos e onde estamos e a outra nos fez pensar sobre a nossa participação na sociedade”, avaliou Silvana.

“Ao mesmo tempo em que os dados do Dieese servirão de instrumentos para trabalharmos o dia a dia nos sindicatos e na Fecosul, a Sonilda nos mostrou a importância da participação no movimento sindical, político e social. Entendemos que é preciso fazer uma reavaliação da nossa atuação tanto com as mulheres como com os homens nas nossas bases”, observou Silvana. Ela lamentou apenas a pouca participação dos sindicatos nesta atividade voltada para a discussão sobre as mulheres.

Para Flávia Moura dos Santos, presidente do Sindesc, as apresentações dão mais argumentos para levar as nossas políticas para as bases da categoria. “Estamos avançando e as diferenças estão diminuindo”, destacou.

Para Cristina Mendes, vice-presidente do Sindicomerciários Novo Hamburgo, os dados apresentados pelo Dieese foram esclarecedores. “Pensávamos que éramos maioria, mas não somos”, disse.  Já Vani Quadros, também de Novo Hamburgo, chamou a atenção a dificuldade de atrair mais jovens para os sindicatos. “É preciso fazer um trabalho específico para a juventude”, observou.

*Assessoria Fecosul

Igualdade de Gênero e Desenvolvimento: uma via de mão dupla?

15 de setembro de 2014

Rebecca Tavares*

27.03.2012 Todo ano, o Banco Mundial publica um Relatório Sobre o Desenvolvimento Mundial. Pela primeira vez, em 2012 o foco desse relatório é igualdade de gênero e desenvolvimento. Nele, o Banco reconhece uma realidade com a qual a ONU Mulheres já vem trabalhando há tempos: igualdade de gênero é premissa fundamental e ferramenta de desenvolvimento. Nas últimas décadas, as mulheres avançaram muito na escolaridade, ultrapassando os homens em alguns países; sua expectativa de vida cresceu e sua participação na força de trabalho remunerada explodiu. Atualmente, as mulheres representam 40% da força de trabalho global. No Brasil, sua participação cresceu 22% nos últimos trinta anos, em grande parte devido à sua melhor educação.

O Banco Mundial ressalta que, no mundo todo, o desenvolvimento auxilia na promoção da igualdade de gênero, mas não é suficiente para obter igualdade. O aumento da escolaridade das mulheres se relaciona com crescimento econômico, e a partir das demandas do mercado de trabalho, as mulheres são estimuladas a aumentar seu nível educacional. Como resultado, passam a receber salários maiores. Mas, apesar dos avanços, a maioria das mulheres segue confinada em setores periféricos da economia e em posições mal remuneradas. E continuam a receber salários menores em comparação com homens na mesma posição.

No mundo todo, 35 milhões de meninas ainda estão impedidas de freqüentar a escola; as mulheres recebem oitenta centavos por dólar pago aos homens, em média; e meio bilhão de mulheres sofre violência por parte de homens do seu círculo social. Por outro lado, enquanto no mundo todo as mulheres estão mais escolarizadas e participam mais na força de trabalho remunerada, elas ainda estão fora dos espaços de decisão. Já sabemos que quando há mais mulheres nesses lugares, as políticas de inclusão e crescimento são direcionadas mais equitativamente para as mulheres, especialmente chefes de família. De acordo com o Banco Mundial, menos de 20% dos parlamentares no mundo são mulheres, não havendo distinção entre países desenvolvidos ou em desenvolvimento. No Brasil, somente 11,8% dos parlamentares são mulheres. Essas desigualdades não são apenas injustas, mas também encerram um dado econômico. Ao não investir na igualdade para as mulheres, os estados estão desperdiçando os talentos de metade da população e perdendo a chance de aumentar o crescimento econômico.

Talvez a contribuição mais importante desse Relatório seja a confirmação, com dados e evidências, daquilo que os economistas propuseram há algum tempo: que a igualdade de gênero não é apenas uma questão de justiça social, mas tem também efeitos econômicos positivos. Com base em dados de vários países, a conclusão é que a simples eliminação de barreiras discriminatórias contra as mulheres em certos setores e ocupações pode levar, por si só, a um aumento de 25% na produtividade, sem necessidade de qualquer novo investimento.

A ONU Mulheres trabalha pela eliminação das desigualdades de gênero como essencial para o desenvolvimento. No Brasil, estamos realizando um estudo que ajudará a estimar o impacto da produção feminina no crescimento do PIB brasileiro. Esperamos, com isto, ampliar o espaço para discussão sobre o efeito multiplicador que a igualdade de gênero produz em termos de promoção do desenvolvimento em que todos ganham, o país gera mais riqueza e essa riqueza é melhor distribuída, levando a um desenvolvimento inclusivo e sustentável.

O Banco Mundial reconhece um padrão de mão dupla nos efeitos da igualdade de gênero sobre o desenvolvimento, no qual a igualdade de gênero contribui para o desenvolvimento econômico e vice-versa. O ritmo extraordinariamente rápido das mudanças nas normas sociais está associado com os retornos econômicos para as mulheres da escolarização e da sua entrada na força de trabalho. Ainda que se confirme uma correlação positiva, fatores causais precisam ser mais bem compreendidos. Uma teoria indica que, com o desenvolvimento, as instituições se fortalecem, o que, por sua vez, promove o acesso das mulheres e meninas aos direitos e oportunidades. No entanto, apesar das várias análises multifatoriais disponíveis, ainda são necessários dados mais abrangentes.

Na ONU Mulheres, já constatamos, e o relatório do Banco Mundial o confirma, que o desenvolvimento econômico não é suficiente para se chegar à igualdade de gênero plena. Esta requer diretrizes específicas, e é por isto que muitos governos estabeleceram políticas de incentivo à candidatura de mulheres aos cargos executivos e à destinação de benefícios para a redução da pobreza diretamente às mulheres, pois está provado que assim eles são diretamente repassados às suas famílias. Os programas governamentais são mais eficazes quando visam às mulheres, o que prova que a igualdade não é apenas uma questão de justiça, mas também uma política de desenvolvimento inteligente.

*Diretora, ONU Mulheres, Brasil e Cone Sul

Fonte: ONU Mulheres Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres

 

Lembranças do Sul uma Loja Temática

2 de agosto de 2012

Na avenida Des. André da Rocha, nº 229, Centro Histórico de Porto Alegre, no dia 28 de julho de 2012, Rio Grande do Sul, foi inaugurada a Loja Lembranças do Sul.

A loja oferece a seus clientes variados itens do tradicionalismo gaúcho e da cultura porto-alegrense como, roupas, lenços, cuias, bombas, mateiras, artigos em artesanatos, livros, cartões postais, mapas e guias da cidade, assim como, aluguel de vestidos e acessórios para prendas.

Com o intuito de proporcionar aos moradores e visitantes da Capital um ponto voltado ao amor pela cultura e a tradição de nosso Estado, Margarida Nunes, fotógrafa e promotora de eventos há 20 anos, oferece o serviço de fotos temáticas gaúchas – fotos personalizadas dos visitantes, trajados com vestes típicas do Estado ou em banners exclusivos da loja que retratam as vestes tradicionalistas sem que o cliente precise trocar de roupa. Todas as fotos serão produzidas e reveladas na hora.

 A loja se propõe a cobrir eventos culturais e festas em geral, com agendamento antecipado no local. Sua equipe espera os amigos e cultuadores das tradições gaúchas com a água quente para um chimarrão com o doce sabor do Rio Grande.

Contatos: lembrancasdosul@gmail.com e telefones (51) 9646.2419 e 9345.435

Publicidade na internet brasileira ultrapassa impressos até 2015

13 de fevereiro de 2012

 

A publicidade na internet brasileira deverá superar os gastos com anúncios em jornais e revistas até 2015, seguindo a onda das economias mais desenvolvidas. A previsão é apontada pela Wark International Ad Forecast, serviço que analisa o segmento. “O tempo gasto com as mídias digitais vem aumentando rapidamente, sendo assim, é natural que os anunciantes migrem para onde se encontram os seus consumidores”, explica o especialista Leandro Kenski, CEO da Media Factory, agência especializada em marketing digital.

Segundo a pesquisa divulgada nesta semana, os mercados emergentes vão garantir o crescimento da publicidade em 2012. Entre os 13 países pesquisados pela Wark, o Brasil deverá apresentar o quarto maior avanço, 8,5%, atrás de Rússia (16,5%), Índia (14%) e China (11,5%).

Em 2010, a publicidade no Brasil ocupou a mesma posição, com avanço de 7,1%. O período foi marcado por decréscimos em algumas das principais economias. Segundo o estudo, a internet puxa o crescimento dos anúncios globalmente, com variação positiva nos países pesquisados de 12,6%, seguida por TV (5,3%), outdoors (5,1%), cinema (3,8%) e rádio (2,9%).

Já os jornais e revistas deverão apresentar leve queda em 2012, de 2% e 1,2%, respectivamente. No caso do Brasil, o aumento da publicidade on-line deverá ser de 23,8%, informa a pesquisa. Já jornais e revistas devem avançar 3,6% e 6%, respectivamente. “Na Media Factory, onde nos especializamos em performance on-line, percebemos que muitos de nossos clientes estão migrando para ações que gerem vendas rapidamente e que possam ser efetivamente mensuradas”, explica Leandro Kenski. “Todas as pesquisas recentes apontam que a velocidade de crescimento do investimento em mídias digitais nos próximos três anos é muito superior a outras mídias”, acrescenta.

Embora os gastos com publicidade on-line nos países pesquisados devam crescer menos em 2012 do que em 2011, quando o aumento foi de 16,6%, o segmento deverá responder por 20% do total investido em anúncios até o fim do ano, informa a Wark.

Entre as chamadas economias desenvolvidas, Alemanha (-0,8%), França (-0,9%) e Itália (-2,3%) apresentarão em 2012 o pior desempenho de sua história na comparação com o ano anterior.

A participação do Brasil no total aplicado nos 13 países examinados tem aumentado: de 3,1%, em 2003, para estimados 4,5%, em 2012. Os Estados Unidos, cuja fatia passou de 50,4% para 41,6% nos últimos dez anos, vem perdendo espaço para países emergentes.

Já a participação da China terá passado de 6,5%, em 2003, para 12,2% em 2012, segundo as séries históricas da Wark.

Fonte: Brasil Econômico – Gouvêa de Souza / Mercado & Consumo