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Mulheres na política

31 de agosto de 2010

Luiza Nagib Eluf*

As próximas eleições já entraram para a história, independentemente do resultado. Pela primeira vez no país, duas mulheres disputam o cargo de presidente da República e estão entre os principais candidatos. Dilma Roussef (PT) e Marina Silva (PV) são as protagonistas deste pleito. Antes delas, tentaram Maria Pio de Abreu (em 1989, ficando em 17º lugar) e Heloísa Helena (em 2006, ficando em 3º lugar, com expressiva votação).

Se o fato de termos duas fortes postulantes ao Palácio do Planalto em uma mesma eleição é histórico e motivo de comemoração, a verdade é que a política no Brasil ainda é essencialmente masculina. A participação das mulheres é crescente na história brasileira, mas ainda está aquém do desejado. Somos a maioria da população do país e representamos 40% da força de trabalho fora do lar, mas continuamos invisíveis na área pública. Só em 1985, uma mulher se tornaria prefeita de uma capital (Maria Luiza Fontenelle, do PT, em Fortaleza) e, apenas em 1995, o Brasil elegeria a sua primeira governadora mulher (Roseana Sarney, no Maranhão). Apenas dois dos nossos Estados mais populosos já elegeram governadoras – o Rio de Janeiro (Rosinha Garotinho) e o Rio Grande do Sul (Yeda Crusius).

Na Câmara Federal o cenário é ainda mais desanimador. Em 184 anos de existência do Legislativo, nunca uma mulher ocupou um cargo titular na mesa da Câmara. São apenas 45 mulheres em meio a 513 deputados, ou seja, míseros 8% de representação feminina. No Senado, o percentual sobe para 13%, mas ainda é inexpressivo. O percentual de mulheres na Câmara Federal e no Senado brasileiros é um dos mais baixos da América Latina e do mundo.

Apesar de a legislação determinar que os partidos preencham pelo menos 30% de suas candidaturas com mulheres, isso não ocorre na prática. Entre os fatores que desestimulam as mulheres a participar da política estão o preconceito, que já começa na própria família, a falta de incentivos financeiros e a dificuldade de encarar uma jornada dupla de trabalho, muito mais acentuada no caso de atividade partidária.

Trata-se de um problema cultural. Durante grande parte da história do Brasil, as mulheres não tiveram direitos civis nem cidadania plena. A elas eram negados os mais elementares direitos políticos como votar e ser votadas. Somente em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, as mulheres conquistaram o direito ao voto, depois de muita luta do movimento sufragista. Mesmo assim, apenas as mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria votavam.

Com o Estatuto da Mulher Casada, de 1962, algumas liberdades fundamentais foram conferidas às mulheres, como o direito de viajar sem autorização do marido ou de gerenciar seus bens patrimoniais. Mais tarde, a Lei do Divórcio (1976) possibilitou que casamentos fracassados pudessem ser oficialmente desfeitos, permitindo-se a dissolução do vínculo matrimonial que, finalmente, deixou de ser para sempre. A mesma Lei igualou os direitos dos filhos, independente da situação dos pais. No entanto, esses passos aparentemente elementares, resultaram de muito esforço de persuasão das militantes feministas. A verdadeira emancipação feminina aconteceu apenas com a Constituição de 1988, que equiparou homens e mulheres em direitos e obrigações. Em que pesem os avanços legais, convivemos, ainda, com os resquícios culturais dessa antiga situação de subalternidade.

A desigualdade de gênero nas instâncias de poder é um problema internacional. Em 1995, aconteceu em Pequim, China, a IV Conferência Mundial da Mulher, um verdadeiro marco no avanço dos direitos femininos. No entanto, muitas das recomendações feitas às delegações oficiais dos países participantes não foram implementadas. As propostas legislativas que visavam à garantia dos direitos das mulheres ao patrimônio, à saúde e à liberdade sexual não se realizaram em sua plenitude. Com a população feminina sub-representada nas áreas de comando e compondo apenas 20% dos legisladores em todo o mundo, segundo dados da ONU, estamos muito distantes das metas fixadas em Pequim.

Nesse compasso, serão ainda necessárias muitas décadas para haver paridade de gênero nos cargos políticos de relevância.

Mulheres já foram eleitas para presidente ou primeira-ministra na Índia, Alemanha, Noruega, Inglaterra, Chile e Argentina, para citar alguns exemplos, mas uma andorinha só não faz verão. A emancipação efetiva será realidade apenas quando atingir todas as mulheres, em todas as classes sociais. Enquanto houver violência doméstica, discriminação no trabalho fora do lar e abusos sexuais nenhuma sociedade poderá dizer que a igualdade de gênero foi alcançada. Por essa razão, fortalecer e proteger a população feminina deve ser um projeto de governo.

Um exemplo de divisão justa do poder foi adotado por Michelle Bachelet, no Chile, e por José Luiz Zapatero, na Espanha, que decidiram nomear um ministério paritário (metade homens e metade mulheres). Essa medida, na esfera do poder executivo, é fundamental para promover o respeito a uma parcela da população até hoje subjugada e menosprezada pelos padrões patriarcais. Se as mulheres não estiverem no poder, suas reivindicações não serão concretizadas, os projetos que as beneficiam estarão fadados ao esquecimento.

No Brasil, foi aprovada uma nova lei eleitoral, a Lei n. 12.034/2009 que determina a obrigatoriedade dos partidos políticos de destinar 5% do fundo partidário à formação política de mulheres, prevendo punição para o descumprimento da regra, e determinando a obrigatoriedade do preenchimento dos 30% de vagas de candidaturas femininas; além disso, reserva 10% do tempo de propaganda partidária em anos não-eleitorais para promover a participação da mulher.

Democracia se aprende, se constrói, se exerce. No caso das mulheres e de outros segmentos excluídos, a verdadeira democracia requer o acesso ao poder político. O Brasil cidadão precisa ser mais feminino, mais tolerante, mais igualitário, mais atento à preservação ambiental, em suma, mais responsável pelo seu próprio futuro, nos exatos termos consignados em nossa Constituição.

* Procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo. É autora de vários livros, dentre os quais “A Paixão no Banco dos Réus” e “Matar ou Morrer, o Caso Euclides da Cunha”. www.luizaeluf.com.br

Rio é o estado com maior índice de mulheres na disputa eleitoral

2 de agosto de 2010

Os estados onde as mulheres mais se interessam na disputa por um cargo nas eleições de outubro são o Rio de Janeiro, com 27,95% de candidatas, seguido por Santa Catarina, com 27,9%, e pelo Rio Grande do Sul, com 26,9%. Os estados que, proporcionalmente, terão menos mulheres no pleito são Espírito Santo (12,9%), Pernambuco (13,6%) e Minas Gerais (14,8%).

Apesar de serem a maioria entre os eleitores (52%), as mulheres ainda são minoria na disputa das eleições deste ano. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos 21.760 candidatos registrados até o momento, apenas 21,5 % são mulheres. O cargo em que o registro de mulheres é maior é de deputado distrital: 220 dos 885 candidatos, o que representa um índice de 25,7%.

O cargo menos pleiteado pelas mulheres é o de governador – somente 10,7% dos 168 candidatos são do sexo feminino, totalizando 18 candidatas.

A Lei Eleitoral determina que 30% das vagas sejam destinadas ao sexo que se apresente como minoritário entre os inscritos para concorrer aos cargos de deputado federal, estadual e distrital. Apesar de não citar as mulheres, o artigo foi incluído para incentivar a participação feminina na política brasileira.

Agência Brasil

TSE divulga perfil do eleitorado brasileiro

2 de agosto de 2010

Eleitorado feminino chega a 51,73% do total

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou, recentemente, perfil do eleitorado brasileiro. Há mais de 130 milhões de eleitores e eleitoras aptos a votar nas eleições de 2010.

Na maioria das Unidades da Federação, o número de eleitoras supera o de eleitores. O cenário é diferente em apenas quatro estados: Mato Grosso, Pará, Roraima e Rondônia.

Em 2010, as mulheres entre 25 e 34 anos representam a maioria do eleitorado brasileiro.

O quadro abaixo apresenta um comparativo de gênero do eleitorado brasileiro.

Fonte TSE.

Lícia Peres, a pauta feminista na campanha eleitoral gaúcha

16 de junho de 2010

por Eloá Muniz

A agenda das eleições de outubro de 2010 está concentrada na manutenção da estabilidade financeira e dos programas sociais de assistência às classes mais vulneráveis.

Falta colocar na pauta das discussões as políticas públicas para as mulheres quanto aos direitos humanos e a conseqüente conscientização desses direitos. Criar possibilidades de realização profissional, capacitação com vistas à independência econômica, criar condições de vida com mais qualidade, a partir do desvelamento da auto estima e das habilidades inerentes a cada ser humano é necessidade pontual na campanha deste ano, tanto no estado como no país.

A socióloga Lícia Peres tem uma trajetória de luta neste campo, quando no início dos anos 80 juntamente com Dilma Rousseff criaram a AMT – Ação da Mulher Trabalhista. A AMT teve papel determinante na luta pela anistia e todos os desdobramentos decorrentes desta luta, no que tange aos desaparecidos, aos anistiados e suas famílias. Hoje, Lícia Peres, ainda envolvida com este tema reuniu um grupo de pessoas e criou um Museu com os documentos contando a história de várias pessoas que tiveram seus direitos violados no período da ditadura.

Sua atuação, entretanto, vai além. Sempre engajada na luta pelos direitos das mulheres, sua participação no movimento feminista do Rio Grande do Sul e Brasil é significativa e consistente. É indissociável seu nome da história do feminismo no Brasil.

Possui várias obras sobre o tema e, além, de sua característica intelectual é uma pessoa atuante. Incontáveis os projetos ligados à mulher e inúmeras as vezes que atendendo solitações de projetos políticos, participa contribuindo para o empoderamento feminino como movimento e não como projeto de visibilidade pessoal.

Bem vinda, Lícia Peres, à campanha eleitoral deste ano! Agora a pauta de campanha contemplará os anseios feministas e o sonho de que tudo pode mudar com dignidade e respeito.

Marketing político e eleitoral, o tema da hora

31 de março de 2010

O marketing político é um conjunto de técnicas e procedimentos que tem como objetivo adequar um candidato/candidata ao seu eleitorado potencial, procurando fazê-lo, num primeiro momento, conhecido do maior número de eleitores possível e, em seguida, mostrando seu diferencial, obviamente o melhor posicionado.

Adequar o candidato/candidata ao seu eleitorado potencial significa, basicamente, saber o que pensam e o que querem os eleitores em determinado momento.

A partir dessas informações é possível compatibilizar o discurso do candidato/candidata com os anseios do eleitor, fazendo com que se posicione de acordo com as preocupações da sociedade, sem contrariar sua história política.

O marketing político é algo mais permanente; está relacionado com a formação da imagem em longo prazo.

O marketing eleitoral abrange todas as técnicas de comunicação disponíveis no mercado, iniciando-se por um trabalho de pesquisa e sondagem, que norteará a construção da espinha dorsal da comunicação eleitoral como um todo e do projeto de marketing político.

O marketing eleitoral preocupa-se, portanto, com a formação da imagem em curto prazo. O fator crucial é o tempo.

Os candidatos precisam desenvolver um trabalho contínuo e sistemático de formação de imagem, objetivando aumentar seu poder de influência sobre o eleitor na decisão de voto. Portanto, a estratégia para formação da imagem positiva do candidato inicia-se no marketing eleitoral, é sustentada pelo marketing político, retornando ao marketing eleitoral. Forma-se uma cadeia de construção crescente de imagem, ampliando o espaço político através da aceitação popular e a diminuição do índice de rejeição do candidato/candidata.

No mercado empresarial o consumidor tem garantida a premissa básica do marketing, a plena satisfação. Deste modo, cabe às empresas (públicas ou privadas, nacionais ou transnacionais) assegurar, por seus próprios meios, o completo atendimento das necessidades e desejos de seus consumidores por serviços e produtos de boa qualidade.

Atualmente, esta garantia de satisfação está assegurada de duas formas: a livre concorrência e o Código de Defesa do Consumidor.

A primeira, consagrada em economias liberais, faz com que as empresas que não estejam cumprindo adequadamente suas funções, de satisfazer seus consumidores, sejam substituídas por outras que estejam cumprindo melhor estas funções.

A segunda, o Código de Defesa do Consumidor, dá a garantia legal de que o consumidor lesado, seja por defeito do produto ou por propaganda enganosa, deva ser imediatamente ressarcido dos prejuízos causados pelo fornecedor.

O marketing político/eleitoral isso não acorre, não há um código de defesa do eleitor; à revelia da satisfação com o produto, o consumidor ficará com ele durante quatro ou oito anos, sem direito a troca ou devolução.

Há, ainda, a questão do horário eleitoral gratuito, onde o eleitor não tem alternativa de programação. Além de veicular simultaneamente em todos os canais, não é uma comunicação sutil que respeite o bom gosto do telespectador.

E por fim, o voto obrigatório. Diferentemente do marketing empresarial, onde o consumidor compra se quiser, vê a publicidade se quiser; no marketing político ele não tem alternativa. Ele tem que comprar, ou seja, ele é obrigado a votar. Mesmo que a sua opção seja pelo voto branco ou nulo ele tem que votar.
Para respeitar o eleitor e diminuir o índice de rejeição ao sistema político é necessário que a classe política comece um trabalho sério de melhoria da qualidade do trabalho prestado e da satisfação do eleitor com seu candidato.

É preciso que os políticos sejam realmente representantes dos votos recebidos e dêem respostas satisfatórias aos seus eleitores.

por Eloá Muniz

Voto feminino é maioria em todas as faixas etárias

6 de março de 2010

Dados divulgados pelo TSE indicam que, entre os eleitores, há 4.028.720 mulheres a mais. As mulheres são maioria entre aproximadamente 126 milhões de brasileiros aptos a votar em 2006.
Em 2002, elas já eram maioria, com vantagem de 1,89 ponto percentual em relação aos homens, apresentando uma diferença que aumentou para 3,2 pontos percentuais.
Ao contrário de 2002, quando os homens ainda eram maioria em alguns segmentos específicos de faixa etária, hoje há mais mulheres do que homens em todas as faixas pesquisadas. A que vai dos 25 aos 34 anos concentra o maior número de eleitoras: elas são 15.425.021.
Estamos, portanto, a um click de mudar a ordem preestabelecida e criar uma sociedade mais solidária escolhendo representantes que tenham em suas plataformas identidades com as a agenda feminista, basta escolher.