• siga o )feminal( no twitter
  • comunidade )feminal( no facebook
  • comunidade )feminal( no orkut

Significação mítica da telenovela

30 de maio de 2010

por Eloá Muniz

A condição que a televisão tem de comunicar-se pela imagem e de conviver com as pessoas na intimidade de suas casas torna-a um veículo com força de comunicação muito mais através do emocional e do afetivo do que pelo racional. Esta característica facilita o desencadeamento dos processos psicológicos da projeção e da identificação.

O ato de ver televisão é um ritual já tão assimilado culturalmente pela família brasileira, que um novo padrão de comportamento foi criado e desenvolvido a partir do hábito cotidiano de reunirem-se para assistir televisão. Este comportamento da família que se emociona diante da telinha, abrange todas as classes sociais, é um fenômeno que atinge pela emoção, pela vivência dos dramas, mobilizando os membros da família pela identificação da realidade que cada um deles tem escondida intimamente com a realidade mostrada na televisão.

A telenovela herdou um procedimento característico do melodrama que é a cumplicidade, onde o suspense era criado a partir das informações que o espectador tinha da trama da história e que os personagens envolvidos na situação não conheciam. Assim, os segredos das personagens exerciam sob o espectador um forte fascínio. Da mesma forma o telespectador de novelas detém informações e interage com um mundo de fantasias e de poderes fictícios.

A televisão trabalha com dois sistemas básicos de comunicação que passam para sua linguagem os fatos da realidade que pretende transmitir. São os signos e os clichês.

O signo atua em dois lados: na cabeça do telespectador e no produto de comunicação que o telespectador vê, pois o produto é realizado por pessoas que também elaboram os pensamentos como signos. A produção sígnica só tem efeito se realiza essa dualidade de forma plena.

O Clichê é o segundo mecanismo básico da linguagem da televisão. Contrariamente ao signo, em que o telespectador não sente violência das mensagens televisivas porque mantém um escudo contra elas, aqui, ele se entrega à estória, sente emoção, se entristece, chora, sente saudade, vive com a personagem. Ou seja, se na linguagem dos signos ele se separa da emoção, na linguagem dos clichês ele se funde com ela, se entrega a ela. O que distingue essa fusão dos sentimentos reais, das emoções verdadeiras, é seu caráter de clichês, que significa que as tristezas, as dores, as lágrimas relembram inconscientemente ao telespectador momentos emocionalmente fortes de sua vida.

A televisão é ligada sempre a mesma hora, para se assistir aos mesmos gêneros de programas. Ela coloca ordem na vida das pessoas. Uma ordem verticalizada que passa a sincronizar o tempo do telespectador e sua vida passa a ser ordenada simbolicamente pelo veículo. A novela faz parte deste processo de ordenação, quando se apresenta ao público de forma seriada criando um espetáculo polissêmico a cada dia e a cada capítulo. Neste sentido o processo ritual é o encadeamento de discursos e gestos facilmente reconhecidos pelo público que desenrolam num espaço e numa temporalidade próprios distintos, portanto, dos espaços e dos momentos da vida quotidiana.

Mostram o digno e o indigno de imitação, tudo mesclado, de forma esboçada e ambígua, porém sinalizando sempre a significação. A significação do símbolo é o significado. Não dizem o que devem ou não fazer, porém reproduzem o que é feito e pensado, e só a repetição sugere que poderia tratar-se de algo que é correto fazer. A vinculação do orgânico e a ordem sócio-moral se realizam também aqui mediante a ritualização.

Neste aspecto, há que entender como equivalentes à simultaneidade de informações sensacionalistas e a transformação do passado na televisão. A insegurança que resulta de exposição acumulada de delitos através da mídia, desde jornal até o filme policial televisivo, e cuja finalidade é assegurar ao cidadão seus contornos, induz que ele busque segurança em seu passado mítico. O mito, para explicar o presente partindo de um passado, tem acontecido sempre e em todas as épocas, conecta com as experiências primárias sobre o acima e abaixo, dentro e fora, claro e escuro, e opera com ele, como algo viável e estabilizado.

A telenovela, tal como o melodrama, funciona como uma catarse social que substitui a contestação e a reflexão pela anestesia e fascínio que a televisão provoca através da sedução pela imagem esteticamente composta e ritualizada. Assim, a novela elabora uma nova ordem simbólica e apropria-se do tempo e do espaço do telespectador, criando em sua vida quotidiana um vínculo e uma relação comunicacional com o veículo televisão.

O prazer de ser o outro e por alguns momentos ter a ilusão do poder. A novela cria a ilusão e possibilita ao telespectador fundir-se com o personagem e experimentar outra identidade. Tal como os jogos de mimicry, a novela não tem compromisso com a verdade, mas com a verossimilhança, o fingir perfeito. O espelho da realidade, a história contada através dos personagens filtrados pela imagem icônica.

A ritualização, a ordem simbólica estabelecida e a rede fascinam cada vez mais a pessoa e a tornam sempre mais solitária, pois ela deixou de preocupar-se com seus vizinhos e seus amigos, para preocupar-se com os problemas das personagens da televisão. A relação com a televisão é mais fácil, pois ela possui o controle da ação, se estiver incomodando é só desligar. Com a relação humana é diferente, ela é real. A pessoa no mundo moderno vive uma solidão distinta – é uma solidão existencial.

Sedução pela representação icônica da imagem

30 de maio de 2010

por Eloá Muniz

A novela é o gênero televisivo com maior sucesso de audiência no Brasil. Teve sua origem no percurso temporal realizado pelo melodrama desde a pantomima, o teatro falado de feira, o folhetim, a radionovela, o cinema e a telenovela.

A telenovela, tal como o melodrama, funciona como uma catarse social que substitui a contestação e a reflexão pela anestesia e fascínio que a televisão provoca através da sedução pela imagem esteticamente composta e ritualizada. Assim, a novela elabora uma nova ordem simbólica e apropria-se do tempo e do espaço do telespectador, criando em sua vida quotidiana um vínculo e uma relação comunicacional com o veículo televisão.

A televisão fascina as pessoas muito mais que as outras formas de comunicação. Ela introduz uma nova linguagem, que inicialmente seduz o telespectador e depois é incorporada por ele. Desta maneira ela influencia e agrega novos hábitos de recepção e percepção da sociedade e da cultura.

O gênero que mais reflete esta absorção e influencia no público é a novela e, neste momento se estabelece uma contradição importante, o melodrama que surge como uma forma de contestação e dramatização do sofrimento popular, torna-se agora um instrumento da classe dominante para divulgar sua ideologia através dos personagens que são apresentados durante o desenvolvimento do discurso narrativo e da identificação estabelecida entre o público.

Enquanto a vida real transcorre de forma regular, repetitiva, quotidiana, a mente da pessoa, ao contrário, trabalha ansiosa por inovações, melhorias, mudanças de vida. Elas vivem permanentemente em conflito entre esses dois mundos.

O prazer de ser o outro e por alguns momentos ter a ilusão do poder. A novela cria a ilusão e possibilita ao telespectador fundir-se com o personagem e experimentar outra identidade. Tal como os jogos de mimicry, a novela não tem compromisso com a verdade, mas com a verossimilhança, o fingir perfeito. O espelho da realidade, a história contada através dos personagens filtrados pela imagem icônica.

A telenovela como espaço de educação e socialização do consumo feminino

30 de maio de 2010

por Eloá Muniz

Os estudos sobre comportamento vêem o fenômeno da publicidade como um processo de educação e socialização que ensina os cidadãos a consumir, criando mais consumidores.

A publicidade é um braço fundamental da expansão industrial, incentiva a formação de consumidores para os bens, promove novas construções de espaço doméstico e de cuidados pessoais que precisam destes bens para se efetivar. A entrada no mercado consumidor é uma “experiência civilizadora”.

E a televisão parece ser no Brasil o meio ideal para efetuar essa mudança de comportamentos, esse “processo civilizador”. Dessa maneira a mulher é vista como a consumidora por excelência, pois é ela que compra a maior parte dos produtos.

A telenovela tem uma importância considerável na história da TV brasileira e sua própria estrutura narrativa – seriada – é considerada útil a produção e a venda de espaços comerciais, tanto nos intervalos como sob a forma de merchandising.

É indiscutível hoje a associação entre mulher e consumo feita pelo meio publicitário e de marketing. É na esteira dessa associação entre mulher e consumo que a telenovela surge (e se mantém) como um programa especialmente adaptado a vender uma grande variedade de produtos e estilos, dado que o gênero narrativo já era visto como feminino.

Microblog de sucesso quer faturar com publicidade

29 de maio de 2010

por Eloá Muniz

Promoted Tweets é o nome do sistema que o microblog Twitter utilizará para ganhar participação no mercado publicitário e dessa maneira sair do vermelho.

Fazer do seu sucesso na rede internacional de computadores uma grande fonte de renda é o planejamento do Twitter para o final deste ano. O novo sistema de publicidade, lançado pela rede social, será uma base fundamental para que a operação do Twitter gere lucros, informaram os dirigentes das operações do microblog.

A rede social atualmente conta com 12 novos anunciantes para integrar o programa de “Promoted Tweets”, conforme resultados obtidos no ano de 2009. Estima-se que até o final deste ano mais de uma centena de marcas sejam anunciantes do Twitter.

Marketing político e eleitoral, o tema da hora

31 de março de 2010

O marketing político é um conjunto de técnicas e procedimentos que tem como objetivo adequar um candidato/candidata ao seu eleitorado potencial, procurando fazê-lo, num primeiro momento, conhecido do maior número de eleitores possível e, em seguida, mostrando seu diferencial, obviamente o melhor posicionado.

Adequar o candidato/candidata ao seu eleitorado potencial significa, basicamente, saber o que pensam e o que querem os eleitores em determinado momento.

A partir dessas informações é possível compatibilizar o discurso do candidato/candidata com os anseios do eleitor, fazendo com que se posicione de acordo com as preocupações da sociedade, sem contrariar sua história política.

O marketing político é algo mais permanente; está relacionado com a formação da imagem em longo prazo.

O marketing eleitoral abrange todas as técnicas de comunicação disponíveis no mercado, iniciando-se por um trabalho de pesquisa e sondagem, que norteará a construção da espinha dorsal da comunicação eleitoral como um todo e do projeto de marketing político.

O marketing eleitoral preocupa-se, portanto, com a formação da imagem em curto prazo. O fator crucial é o tempo.

Os candidatos precisam desenvolver um trabalho contínuo e sistemático de formação de imagem, objetivando aumentar seu poder de influência sobre o eleitor na decisão de voto. Portanto, a estratégia para formação da imagem positiva do candidato inicia-se no marketing eleitoral, é sustentada pelo marketing político, retornando ao marketing eleitoral. Forma-se uma cadeia de construção crescente de imagem, ampliando o espaço político através da aceitação popular e a diminuição do índice de rejeição do candidato/candidata.

No mercado empresarial o consumidor tem garantida a premissa básica do marketing, a plena satisfação. Deste modo, cabe às empresas (públicas ou privadas, nacionais ou transnacionais) assegurar, por seus próprios meios, o completo atendimento das necessidades e desejos de seus consumidores por serviços e produtos de boa qualidade.

Atualmente, esta garantia de satisfação está assegurada de duas formas: a livre concorrência e o Código de Defesa do Consumidor.

A primeira, consagrada em economias liberais, faz com que as empresas que não estejam cumprindo adequadamente suas funções, de satisfazer seus consumidores, sejam substituídas por outras que estejam cumprindo melhor estas funções.

A segunda, o Código de Defesa do Consumidor, dá a garantia legal de que o consumidor lesado, seja por defeito do produto ou por propaganda enganosa, deva ser imediatamente ressarcido dos prejuízos causados pelo fornecedor.

O marketing político/eleitoral isso não acorre, não há um código de defesa do eleitor; à revelia da satisfação com o produto, o consumidor ficará com ele durante quatro ou oito anos, sem direito a troca ou devolução.

Há, ainda, a questão do horário eleitoral gratuito, onde o eleitor não tem alternativa de programação. Além de veicular simultaneamente em todos os canais, não é uma comunicação sutil que respeite o bom gosto do telespectador.

E por fim, o voto obrigatório. Diferentemente do marketing empresarial, onde o consumidor compra se quiser, vê a publicidade se quiser; no marketing político ele não tem alternativa. Ele tem que comprar, ou seja, ele é obrigado a votar. Mesmo que a sua opção seja pelo voto branco ou nulo ele tem que votar.
Para respeitar o eleitor e diminuir o índice de rejeição ao sistema político é necessário que a classe política comece um trabalho sério de melhoria da qualidade do trabalho prestado e da satisfação do eleitor com seu candidato.

É preciso que os políticos sejam realmente representantes dos votos recebidos e dêem respostas satisfatórias aos seus eleitores.

por Eloá Muniz

“O” feminal a um clic

9 de março de 2010

O feminal chega até sua tela para trazer informações do universo feminino priorizando o conteúdo afirmativo da luta feminista.

Neste contexto por que “O” feminal? Simples. Para subverter a ordem. É secular que a educação de homens e mulheres se faz pela teoria, seja qual for a área, pelo viés masculino. A sociedade patriarcal reproduz a ideologia masculina.

O mais estranho é que a mulher desde que se aventurou pelo espaço público ficou confinada a área de trabalho na educação das crianças e, eventualmente, saúde; apenas ampliou o trabalho que já realizava do espaço privado e reproduziu esta ideologia.

Hoje a mulher ocupa todas as instâncias profissionais, mas continua reproduzindo a ideologia masculina, por alienação, por desejo de poder, para ser aceita pela maioria, por ser careta, por não ser careta, por não ter consciência de sua identidade.

Atualmente, as mulheres são maioria nos cursos de educação superior, nos programas de pós-graduação; mas quanto mais estudam, mais reproduzem o mundo masculino. É contraditório, mas real.

Ao completar cem anos do Dia Internacional da Mulher ainda lutamos por condições de trabalho, por equidade e por igualdade de salários. Em relação à luta pela eliminação da violência contra a mulher não avançamos muito. Elas continuam sendo queimadas e violentadas pelos seus parceiros. Andamos em círculo.

 Ao reproduzir dois aforismos de pensadores importantes na formação intelectual das pessoas, que se dedicam ao aprofundamento do pensamento teórico, que talvez indiquem um caminho para romper com o círculo como o grande Jean-Jacques Rousseau “as mulheres não sabem correr; quando fogem é para serem alcançadas” e, Fréderic Nietzche, “a mulher não é feliz enquanto não se sentir propriedade de alguém” fica claro quanto ainda precisamos andar.

Evidentemente, estes pensamentos pinçados isoladamente não podem representar todo o pensamento destes homens, mas evidenciam comportamentos que permeiam todo o seu legado. A mulher é oral e o homem textual. A oralidade feminina passa de geração a geração mitificando os fatos, mas a textualidade masculina perpetua os fatos historicamente.

O Feminal vem na direção contrária. Cada vez que uma mulher pronunciar o nome deste espaço de conteúdo colaborativo lembrará: é preciso construir uma visão feminista deste pensamento, seja qual for, e emitirá textualmente de forma afirmativa.

Nada mudará de uma só vez, mas a utopia do “clic” poderá iniciar a construção de um pensamento feminino, como um legado às futuras gerações.      

Eloá Muniz

Publicitária

Feminal, o viver próprio da mulher

6 de março de 2010

Este é um espaço democrático. Reunirá informações educativas dirigidas à promoção da mudança de comportamento frente a uma cultura secular do modelo masculino de sociedade.
O Feminal está focado no olhar das mulheres sobre a sociedade contemporânea abordando temas como os espaços profissionais, instâncias de poder e como as mulheres vêem estas relações no futuro.
O Feminal é um desafio às mulheres. Nele serão disponibilizados temas ligados ao interesse feminino. Que vida deseja viver? Que sociedade deseja construir? Que legado deseja firmar?
Conquistar o respeito pela equidade de gênero que a sociedade insiste em não reconhecer.
Enfrentar as questões do patriarcado e a reeducação do comportamento feminino frente às mudanças que precisam acontecer, para que as mulheres possam ter uma nova atitude frente à violência, ao assédio moral e ético, tão comuns em seu quotidiano.
O Feminal está disposto a enfrentar este desafio. Articular-se com as redes sociais, atingir um número cada vez maior de mulheres na consolidação do feminismo como movimento.
Parte da sociedade pensa que o feminismo está superado, mas, ao contrário, está apenas em uma nova fase, a busca do empoderamento pela conquista da equidade profissional e social.
Eloá Muniz
Publicitária