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Presidenta, sim!

12 de janeiro de 2011

Marcos Bagno*

Dilma Rousseff adotou a forma PRESIDENTA, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada.

Se uma mulher e seu cachorro estão atravessando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas.

Somente no século XX as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”.

Agora que temos uma mulher na presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como Carta Capital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua.

Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta?

Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples -e no lugar de um -a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião pública.

* Professor de Linguística na Universidade de Brasília

A governadora Dalit

6 de março de 2010

Kumari Mayawati foi eleita para governar o Estado mais populoso da Índia. Uttar Pradesh, cuja população é superior a 180 milhões de habitantes. Eleita pelo Partido Bahujan Samaj, defensor das castas baixas, ela faz oposição ao Partido do Congresso e isso preocupa a dinastia Nehru-Ghandi, que vê em Rahul Ghandi, bisneto de Nehru, um possível primeiro-ministro do País.

A política na Índia vem atraindo as mulheres. O sistema de cotas garante a elas 30% nas cadeiras do Legislativo. Existem quatro partidos liderados por mulheres, sendo que foi criada, mas recentemente, a Frente Unida de Mulheres, que objetiva apresentar candidaturas femininas em todos os níveis que se identifiquem com o combate a corrupção, a pobreza e defendam as questões do gênero.

A participação na política é a maneira que as indianas encontraram para combater a exclusão de que são vítimas, em que 40% das mulheres são analfabetas.

Voto feminino é maioria em todas as faixas etárias

6 de março de 2010

Dados divulgados pelo TSE indicam que, entre os eleitores, há 4.028.720 mulheres a mais. As mulheres são maioria entre aproximadamente 126 milhões de brasileiros aptos a votar em 2006.
Em 2002, elas já eram maioria, com vantagem de 1,89 ponto percentual em relação aos homens, apresentando uma diferença que aumentou para 3,2 pontos percentuais.
Ao contrário de 2002, quando os homens ainda eram maioria em alguns segmentos específicos de faixa etária, hoje há mais mulheres do que homens em todas as faixas pesquisadas. A que vai dos 25 aos 34 anos concentra o maior número de eleitoras: elas são 15.425.021.
Estamos, portanto, a um click de mudar a ordem preestabelecida e criar uma sociedade mais solidária escolhendo representantes que tenham em suas plataformas identidades com as a agenda feminista, basta escolher.