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Bulling: o debate não pode parar

30 de outubro de 2017

Mauro Zacher *

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A recente morte de dois jovens em Goiânia (GO) reacendeu o debate sobre a prática do bulling no paí­s. Vale lembrar que Porto Alegre foi a primeira capital brasileira a ter uma legislação especí­fica voltada à  prevenção e ao combate a esse tipo muito particular de violências, especialmente nas escolas. Mas, infelizmente, em mais de sete anos da vigência da lei, pouco ou quase nada se fez.

Em 2010, após aprofundar o conhecimento do tema com palestras voltadas ao compartilhamento de experiências em escolas por todo o Estado, concluí­mos que era necessária a intervenção do Estado para levar às comunidades escolares um debate franco com educadores, pais e profissionais da saúde, além, claro, dos próprios jovens. Apresentamos projeto que virou lei pioneira no paí­s, referência para outras cidades, Estados e para a União.

Porém, de lá para cá, pouco se fez. O que se constata é que as iniciativas são isoladas, em grande maioria de escolas particulares. E é fácil constatar isso. Tomando como exemplo a Capital, basta olharmos o site da prefeitura para verificarmos que, entre 2011 e 2016, apenas 10 notí­cias tratam de quatro eventos relativos ao bullying. E em 2017, passados 10 meses de uma nova gestão, o tratamento é zero. No Estado e na União, pelo tamanho das suas redes de ensino, as iniciativas são, igualmente, insignificantes.

É fato que a falta de continuidade de polí­ticas públicas para a prevenção e o combate ao bullying coloca nossos jovens em risco. Porém, não podemos dimensionar casos, como o de Goiânia, sem o devido aprofundamento de sua análise. Afinal, nem toda violência escolar pode ser atribuí­da ao bullying. Estar preparado, portanto, para reconhecer situações de risco é o melhor caminho para evitar tragédias que destroem famí­lias e abalam toda a sociedade. E isso só se faz com o permanente debate sobre o tema.

* Vereador da Câmara de Porto Alegre – site@maurozacher.com.br

A vida imita a arte?

11 de outubro de 2017

Maria Berenice Dias *
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Todos estamos atônitos diante de tantos debates e radicalismos sobre temas que acompanham a história da humanidade.

Nudez, sexo, homossexualidade tentam ser barrados da arte em nome da “moral e dos bons costumes”.

Chegou-se ao ponto de fechar exposições, impedir performances artísticas sob a pífia alegação de crianças se encontrarem em ditos ambientes.

Sequer se cogitou da possibilidade de impedir o ingresso de menores de idade em ditos espaços. Não, a solução foi exigir que as portas fossem fechadas e todos impedidos de ter acesso à exposição.

Certamente isso só ocorre no Brasil, país que não investe na educação exatamente para o povo poder ser massa de manobra e servir aos interesses de quem quer assumir o poder.

Assim, ao invés de armas, são usadas as almas de multidões que acreditam no que lhes é dito de forma raivosa e ameaçadora. Ao invés de fuzis é empunhado um livro apócrifo, escrito há mais de dois mil anos, dando-lhe a interpretação que melhor lhes servem.

Planta-se a falsa ideia de que a família vai acabar, quando todos sabem que isso nunca vai acontecer. Pode mudar a sua conformação, mas não sua essência: espaço de afeto e de cuidado.

Também se ameaça com o inferno a quem não entregar seus bens às igrejas ou templos.

Esta é a forma mais perversa de enriquecimento ilícito. Multidões são induzidas em erro. A exploração do medo da morte faz com que as pessoas paguem para obter a vida eterna.

Com este expediente são amealhadas incalculáveis fortunas, livres de impostos, o que enseja a construção de templos monumentais, a aquisição de meios de comunicação e a formação de uma verdadeira teia de controle social.

A manipulação começa desde a infância. Sob a falaciosa expressão Escola sem Partido se conseguiu banir dos currículos escolares o estudo da sexualidade e das questões de gênero.

Com isso se naturaliza a discriminação e a violência contra a mulher. A chamada “ideologia de gênero” é equivocamente interpretada como uma tentativa de acabar com a diferença entre os sexos e incentivar a homossexualidade.

Assustadoramente este movimento só avança, o que tem permitido que os autoproclamados líderes religiosos se apropriem das instâncias de poder. Já invadiram as casas parlamentares e almejam assumir também o Poder Executivo em todas as suas esferas.

Algo precisa ser feito e agora! A responsabilidade é de cada um de nós.

* Advogada e Vice Presidente Nacional do IBFAM