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Tailandesas comemoram eleição de 1ª mulher como premiê do país

10 de janeiro de 2012

Após seis primeiros-ministros em seis anos de uma crise política por vezes sangrenta, uma mulher será indicada como primeira-ministra. Algo inédito no país, Yingluck Shinawatra, empresária de 44 anos que até dois meses estava fora da política, deve ser eleita a nova primeira-ministra da Tailândia após a maciça vitória de seu partido, o Puea Thai (Para Tailandeses, em tradução livre).

O principal líder do partido é o irmão de Yingluck, o ex-premiê Thaksin Shinawatra, que já foi eleito premiê por duas vezes e está vivendo como fugitivo da Justiça da Tailândia em Dubai. Thaksin quer voltar ao seu país e uma das políticas da irmã será a anistia a crimes políticos.

Yingluck, conhecida como Pou, nunca havia concorrido a um cargo público ou assumido um posto no governo. Mas alguns tailandeses, principalmente as mulheres, veem a vitória como um grande passo para as mulheres do país, que têm lutado por representação igual no governo

Fonte: Agência Patrícia Galvão

Por que elas ganham menos?

10 de janeiro de 2012

Consultor explica que os homens não ganham mais que as mulheres apenas por questões de preconceito, mas por outro motivo: ao contrário das mulheres, geralmente os homens colocam a carreira muito à frente da família.

Participar de almoços e jantares de negócios; ser agressivo na busca de metas; reivindicar aumentos de salários; prospectar clientes; trabalhar nos finais de semana; cobrar resultados, cortar custos; viajar com frequência; fazer política para ser promovido. Essas são algumas das muitas atividades “extras” que fazem parte do dia a dia de executivos de empresas nacionais e multinacionais. No mercado de trabalho, o diferencial não está, muitas vezes, presente nas tarefas que são desenvolvidas, mas na personalidade do profissional que a desenvolve. Nesse sentido, quem exerce melhor estas atividades, o homem ou a mulher? Na era do politicamente correto, quase todos responderiam que tanto faz, o importante seria a capacidade de realização e a produtividade desta pessoa.

Mas, se isso é verdade, por que, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais 2010 (RAIS), as mulheres, que representam 42% dos 44 milhões de trabalhadores formais do Brasil, ganham, em média, 17% menos do que os homens? Uma das explicações para esta questão, de acordo com Eduardo Ferraz, consultor em Gestão de Pessoas e estudioso da Neurociência Comportamental, é que a diferença salarial é definida quando o profissional escolhe qual moeda de troca ele dará prioridade em sua carreira. As empresas têm basicamente quatro moedas para oferecer aos seus funcionários: dinheiro, segurança, status e aprendizado.

Quem gosta mais de dinheiro, inconscientemente deixará em segundo plano as outras moedas, abrindo mão principalmente da segurança que significaria horários fixos, estabilidade, e, portanto, tempo para dedicar à família. Há mais homens ganhando mais e em cargos de chefia, pois eles culturalmente priorizam a carreira e colocam a família em segundo plano”, explica o consultor, que complementa: “as mulheres, em sua maioria, preferem trabalhos que lhes proporcionem mais segurança do que dinheiro. Não há uma opção melhor que a outra, apenas consequências”, Ferraz, que também é autor do livro Por que a gente é do jeito que a gente é?, lembra que os profissionais (homens ou mulheres) que deixam de lado a segurança, seja por estarem atrás de mais dinheiro, status ou aprendizado, estão sujeitos à instabilidade, mudanças freqüentes, carga horária maior e pressão constante por resultados.

O preço pela estabilidade

Segundo Ferraz, “Tudo tem seu preço”. Quem der muita prioridade ao aprendizado, tenderá a abrir mão do dinheiro e (ou) do status, e assim por diante, já que, quando uma moeda é muito importante, ocupa o espaço das outras. No caso das mulheres, a escolha pela segurança é quase instintiva. “Elas têm uma sobrecarga muito maior que a dos homens. Além de estar sempre atualizada, ter cursos de especialização, e ser uma profissional brilhante, ainda tem que cuidar dos filhos, ser uma filha dedicada, ter o corpo saudável, cuidar da casa, ser amorosa com marido, e ainda ouvir – pacientemente – da sogra, que não dedica tempo suficiente à família. É um verdadeiro massacre, e pouquíssimos homens agüentariam a carga que a maioria das mulheres suportam”, descreve Eduardo Ferraz.

É por isso que muitas mulheres tacitamente aceitam ganhar menos em troca de uma carreira que lhe dê mais segurança e flexibilidade para suas múltiplas jornadas”.

O consultor chama a atenção para as mulheres que priorizam a carreira e entregam resultados consistentes, fato que garante uma autoridade moral para exigir chances parecidas com a dos homens. “Quer meu talento em tempo integral? Pague o mesmo que fulano ganha para realizar um trabalho parecido. Esta postura quase sempre funciona, pois ninguém quer perder um funcionário de alta performance independente do sexo”.

O preço é alto, mas para quem está disposta a pagar vale à pena investir, mesmo que muitas vezes tenha que adotar uma jornada “quíntupla”: ser ótima profissional, mãe, esposa, ganhar mais que os homens e ainda ser elogiada pela sogra…

*Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultorias “in company”, com aplicações práticas da Neurociência comportamental, possuindo mais de 30.000 horas de experiência prática. É pós-graduado em Direção de Empresas, especializado em Coordenação e Dinâmica de Grupos e autor do livro “Por que a gente é do jeito que a gente é?”, da Editora Gente. 

Fonte: Maxpress

DataSenado: Para brasileiras, violência doméstica tem aumentado

6 de setembro de 2011

Laércio Franzon*

Uma pesquisa nacional do DataSenado, concluída no final de fevereiro, revela que 66% das mulheres acham que a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou, mas, ao mesmo tempo, 60% delas acredita que a proteção contra este tipo de agressão melhorou após a criação da Lei Maria da Penha.

O levantamento sobre violência doméstica contra a mulher já tem tradição no programa de trabalho do DataSenado, que fez a primeira pesquisa sobre o tema em 2005. A cada dois anos o estudo se repete, com a atualização de parte das perguntas e ampliação do universo pesquisado. A pesquisa de 2009, por exemplo, foi feita apenas nas capitais.

Em sua quarta versão, os resultados de 2011 indicam que o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha cresceu nos dois últimos anos: 98% disseram já ter ouvido falar na lei, contra 83% em 2009. Foram feitas 1.352 entrevistas, apenas com mulheres, em 119 municípios, incluídas todas as capitais e o Distrito Federal.

Medo e rigor da lei impedem denúncias

O DataSenado apurou também que, para as mulheres entrevistadas, conhecer a lei não faz com que as vítimas de agressão denunciem o fato às autoridades. O medo continua sendo a razão principal para evitar a exposição dos agressores, com 68% das respostas. Para 64% das mulheres ouvidas pelo DataSenado, o fato de a vítima não poder mais retirar a queixa na delegacia faz com que a maioria das mulheres deixe de denunciar o agressor.

Do total de entrevistadas, 57% declararam conhecer mulheres que já sofreram algum tipo de violência doméstica. A que mais se destaca é a violência física, citada por 78% das pessoas ouvidas pela pesquisa. Em segundo lugar aparece a violência moral, com 28%, praticamente empatada com a violência psicológica, 27%.

Álcool e ciúmes são as causas principais

Entre as mulheres que afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência e que citaram, espontaneamente, o motivo da agressão, embriaguês e ciúmes foram os mais lembrados. Os principais responsáveis pelas agressões, 66% dos casos, foram os maridos ou companheiros. Quase a totalidade das entrevistadas, 96%, entende que a Lei Maria da Penha deve valer também para ex-namorado, ex-marido ou ex-companheiro.

A maioria das mulheres agredidas, 67%, informou não conviver mais com o agressor, mas uma parte significativa, 32%, ainda convive e, destas, segundo a pesquisa, 18% continuam a sofrer agressões. Dentre as que disseram ainda viver com o agressor e ainda serem vítimas de violência doméstica, 40% afirmaram ser agredidas raramente, mas 20% revelaram sofrer ataques diários.

O levantamento, finalmente, buscou saber o que pensam as mulheres sobre a nova interpretação da Lei Maria da Penha, estabelecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em dezembro último. A corte entendeu que a lei é compatível com a dos Juizados Especiais, permitindo a suspensão da pena nos casos em que a condenação for inferior a um ano. Quando isto ocorrer, o juiz pode trocar a pena de prisão por uma pena alternativa ou, ainda, suspender o processo. A pesquisa apurou que a maioria das entrevistadas ficou insatisfeita. Para 79% a decisão enfraquece a lei.

* Agência Senado

Falta de creche prejudica entrada de mulher no mercado de trabalho, diz Dieese

6 de setembro de 2011

A falta de creches é um dos maiores entraves para que as mulheres aumentem sua participação no mercado de trabalho. Essa é uma das conclusões do Anuário das Mulheres Brasileiras 2011, lançado nesta segunda-feira (4) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) e a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SEPM) do governo federal.

De acordo com o anuário, em 2009, 58,8% das mulheres com mais de 16 anos, portanto, que fazem parte da população economicamente ativa (PEA) do país, estavam trabalhando. Já entre os homens com mais de 16 anos, esse percentual chegava a 81,5%. A diferença, segundo a pesquisa, deve-se, em parte, à deficiência da infraestrutura dedicada à mulher.

As creches, fundamentais para que elas possam trabalhar fora de casa, atendiam só 18,4% das crianças até 3 anos de idade também em 2009.

“A carência dessa política pública [creches] é um impeditivo para que a mulher tenha sua independência econômica que o trabalho propicia”, afirmou o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, durante a apresentação do anuário, em São Paulo.

O levantamento é uma compilação de dados de várias pesquisas feitas sobre as condições de vida das mulheres brasileiras. Da publicação, constam estatísticas sobre oito temas. Entre eles, saúde, educação, violência, política e trabalho.

Lúcio disse que, em todas as áreas, existe diferença entre a situação de homens e mulheres no país.

“A mulheres são maioria em número, mas são minoria no aspecto sociológico”, afirmou, lembrando que a população feminina representa mais da metade do total de habitantes do país, porém tem condições de vida inferior a dos homens.

De acordo com o anuário, as mulheres estudam, na média, um ano a mais que os homens. Entretanto, recebem salários que representam só 56% do que ganham os trabalhadores do sexo masculino.

Elas mulheres também representam 58,7% dos indigentes do país. São ainda os 53,7% dos pobres.

Toda essa diferença econômica, de acordo com Lúcio, ainda acarreta uma diferença mais grave: a da violência.

Segundo o anuário do Dieese, 43,1% das mulheres foram vítimas de agressões dentro de sua própria casa. Entre os homens, esse percentual é de 12,3%. “A violência devia ser zero para ambos os sexos, mas as agressões contra mulheres são mais graves e frequentes”, disse o diretor do Dieese. “Precisamos reduzir todas as diferenças e isso tende a reduzir da violência contra a mulher.”

Fonte : Agência Patrícia Galvão

52% acham que juízes e policiais desqualificam o problema da violância contra as mulheres

6 de setembro de 2011

Pesquisa sobre violência doméstica, realizada pelo Instituto Avon e pela Ipsos, revela que 52% dos homens e mulheres acham que juízes e policiais desqualificam o problema da violência contra as mulheres.

 
Medo de ser morta paralisa a vítima 

A pesquisa “Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil”, realizada em 70 municípios brasileiros, com 1.800 homens e mulheres, aponta que o medo de ser morta é outro dos principais motivos que leva a vítima a não romper com o agressor. Na região Centro-Oeste, esse motivo foi apontado por 21% das entrevistadas. No Sudeste, por 15%; no Sul, por 16%. O Nordeste tem o menor índice: 13%.

“É uma vergonha as mulheres não saírem de casa porque podem ser mortas. Ciúme não é paixão. É algo mais complexo. O homem acha que tem posse da mulher. E a sociedade machista é um problema porque acha que a mulher não tem direito à autoestima e nem pode falar, se manifestar”, afirmou a socióloga Fátima Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão.

Homens batem “sem motivo” 

Segundo Fátima Jordão, uma técnica sofisticada foi utilizada pela primeira vez na pesquisa com a finalidade de obter respostas mais fidedignas. “No capítulo relativo à violência vivenciada por homens e mulheres, os entrevistados preencheram o questionário em sigilo e colocaram em um envelope. Dessa forma, evitou-se que o entrevistado se sentisse inibido ou influenciado.” 

Dos homens entrevistados, 15% admitiram já terem agredido  fisicamente as mulheres, sendo que 12% afirmaram ter batido nas companheiras “sem motivo” e 38% por ciúme. 

População não confia na proteção da polícia 

O estudo mostrou ainda que a sociedade não confia na proteção jurídica e policial nos casos de violência doméstica. Essa é a percepção de 59% das mulheres e de 48% dos homens. 

“O número de denúncias feitas ainda é pequeno em relação à violência que existe. Isso acontece porque as políticas públicas, que incluem delegacias especializadas e centros de referência para que a mulher confie e vá denunciar, ainda estão aquém da necessidade”, afirma Maria da Penha Fernandes, que teve a história de vida como inspiração na criação da Lei Maria da Penha, que completará cinco anos em vigor. Em 1983, Maria da Penha ficou paraplégica após levar um tiro do marido.

Em todo o país há somente 388 delegacias especializadas no atendimento à mulher, 70 juizados de violência doméstica, 193 centros de referência de atendimento à mulher e 71 casas para abrigo temporário.

Fonte: Pesquisa Instituto Avon/Ipsos - Percepções sobre a Violência Doméstica Contra a Mulher no Brasil 2011

Dieese lança Anuário das Mulheres com dados para políticas públicas

12 de julho de 2011

Na última segunda-feira (04) a CTB participou, representada por sua secretária da Mulher Trabalhadora, Raimunda Gomes, do lançamento do 1º Anuário das Mulheres Brasileiras, construído pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).

O levantamento é uma compilação de dados sobre a participação da mulher na sociedade disponíveis em pesquisas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Sistema Único de Saúde (Datasus), Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Unidade
Segundo Zenaide Onório, presidente do Dieese, o anuário vai servir para “elevar a discussão de políticas públicas que defendam a mulher trabalhadora e que evidenciem o problema da desiguladade social vivida pela mulher na relação do trabalho e, principalmente, no que se refere à violência doméstica”.

De acordo com ela, a violência sofrida pela mulher não aumentou, mas os dados estão aumentando porque elas “estão buscando informações e estão denunciando mais os casos de agressões. A desigualdade social enfrentada pela mulher é ainda mais evidente quando se fala da mulher negra.”

Para Angélica Fernandes, secretária de articulação institucional da SPM, o anuário mostra, em um único documento, todos os dados que atestam os problemas enfrentados pela mulher na sociedade brasileira. “Não estamos trazendo novidades aqui, mas estamos dando visibilidade à desigualdade entre homens e mulheres. É importante termos uma mulher como presidente da República, mas a pergunta que fazemos é como estão as outras mulheres no país?”, disse a secretária.

Angélica afirma que as mulheres precisam se unir para ter representatividade nas diversas esferas de poder. “Temos de desenvolver políticas públicas para a mulher, seja no âmbito federal, estadual e municipal. Precisamos de representatividade política feminina nos sindicatos e movimentos sociais.”

Contra desigualdade
A economista do Dieese e coordenadora do anuário, Patrícia Lino Costa, disse que as atividades executadas pelas mulheres atualmente podem se caracterizar como dupla jornada de trabalho. “A mulher trabalha dentro e fora de casa, mas recebe apenas pelo trabalho feito fora de casa. O mercado formal e os afazeres domésticos precisam ser pagos de maneira igual e também com equidade relativa ao mesmo trabalho feito pelos homens.”

Patrícia disse que as mulheres, como parte interessada no desenvolvimento de políticas que diminuam a desigualdade social, precisam atuar diretamente em prol deste objetivo. “Não só as mulheres, mas toda a sociedade precisa caminhar junta para identificar os problemas e buscar as soluções adequadas em busca da igualdade social, seja no trabalho, na relação com a saúde, com a família e na segurança.

Para Raimunda Gomes, a Doquinha, as desigualdades entre homens e mulheres expressas em números já são conhecidas pelo movimento sindical, no entanto a secretária da Mulher Trabalhadora parabeniza a instituição pela construção e divulgação do material. “Os dados que estão contidos nesse documento não são mais novidades para nós, mas o fato do Dieese elaborar um anuário específico com esse recorte de gênero para divulgar junta à sociedade é de grande relevância”, confirma Doquinha.

Para ela, a instituição acertou em cheio na confecção do material. “Agora, cabe a nós reproduzirmos as informações. Porque todas as nossas pautas com relação à desigulades no mundo do trabalho se sustentam através de dados. Um documento elaborado pelo Dieese, um instituto reconhecido nacionalmente, reforça a todos sindicatos a necessidade de se construir uma política de igualdade entre homens e mulheres no mundo do trabalho. Ainda mais neste ano que estamos no debate da PL da Igualdade, que tramita no Congresso Nacional”.

Fonte: Portal CTB

Lei Maria da Penha citada como exemplo em relatório da ONU

12 de julho de 2011

A Lei Maria da Penha sobre violência contra as mulheres foi citada em relatório da ONU Mulheres como exemplo de legislação pioneira no mundo na defesa dos direitos das mulheres. A pesquisa “Progresso das Mulheres do Mundo: Em Busca da Justiça” foi realizada em 139 países para conferir o avanço de leis de proteção feminina. Segundo o estudo, apesar de alguns sucessos, mulheres em todo o mundo continuam enfrentando injustiças, violências e desigualdades em casa e no trabalho.

Sancionada em 2006, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340) aumentou o rigor nas punições aplicadas em casos de violência doméstica. O nome da lei é uma homenagem à biofarmacêutica Maria da Penha Fernandes, que ficou paraplégica depois de sofrer duas tentativas de assassinato por parte de seu marido, o economista colombiano Marco Antonio Heredia Viveros.

“Identificando falhas ou mudando leis que violam princípios constitucionais ou os direitos humanos, tais casos (como o de Maria da Penha) podem motivar ações governamentais para prover aos cidadãos, garantir direitos iguais das minorias ou acabar com a discriminação”, diz o relatório da ONU.

Delegacias da mulher
Além da Lei Maria da Penha, o relatório cita ainda a liderança do Brasil e da América Latina na criação de delegacias especiais para mulheres. O texto afirma que 13 países latinoamericanos e caribenhos possuem postos policiais especializados. “O Brasil abriu a sua primeira delegacia da mulher em 1985, em São Paulo. Hoje existem 450 delegacias da mulher em todo o país. Elas ajudaram a aumentar a conscientização e levaram a uma alta nas denúncias de violência contra mulheres”, diz o texto.

O relatório apresenta uma série de recomendações para fazer com que a Justiça funcione com mais eficiência em favor das mulheres. Entre elas, está o maior apoio às organizações femininas, a adoção de cotas para mulheres nos parlamentos, aumentar o número de mulheres na força policial e implementar programas de reparação voltadas para o gênero.

Para a diretora da ONU Mulheres e ex-presidente do Chile, Michele Bachelet, em muitos países as mulheres continuam atrás no acesso à justiça. “(O relatório) mostra que, onde as leis e os sistemas judiciários funcionam bem, eles podem prover um mecanismo essencial para que as mulheres tenham concretizados os seus direitos humanos”, afirma Bachelet no texto.

Acesse o relatório na íntegra em pdf: http://progress.unwomen.org/
Fonte: Agência Patrícia Galvão

Brasil tem o primeiro portal de Consumo Colaborativo

12 de julho de 2011

O DescolaAí.com possibilita o acesso aos produtos o que evita a necessidade de novas compras e aumenta a vida útil dos objetos.

Quem nunca comprou algo por impulso que acabou encostado em um canto da casa? Ou precisa de um objeto por um curto período de tempo e não vê a necessidade de comprá-lo? O portal DescolaAi.com foi desenvolvido para reunir, de forma segura, quem tem um objeto a emprestar a quem precisa de alguma coisa.

De livros, CDs, até equipamentos esportivos, ferramentas, barracas de camping e outros objetos podem ser disponibilizados ou procurados no primeiro portal brasileiro do gênero. Isso faz com que os produtos possam integrar o banco de dados do site e assim, ser usado por mais pessoas e mais vezes. “Várias vezes compramos coisas que usamos pouco e que acabam até estragando por falta de uso”, comenta o diretor do portal, Gui Brammer. O DescolaAí.com aumenta a vida útil dos produtos.

Ao acessar o portal e se cadastrar, o usuário pode procurar por um objeto que esteja precisando, como uma raquete, por exemplo. O sistema realiza uma busca baseada no CEP (Código de Endereçamento Postal) e identifica a pessoa mais próxima geograficamente que possa emprestá-la.

Assim que a oferta e a demanda são identificadas, o sistema coloca os dois usuários em contato e gera um código de segurança que somente será conhecido por eles, para que se identifiquem. A negociação do valor, o tempo do empréstimo e a entrega serão definidos pelos usuários, nesta etapa do processo.

Para garantir a segurança do dono do objeto que será emprestado, o sistema registra os dados do cartão de crédito do locatário e estipula um valor – que será usado como caução -, para o caso do produto ser devolvido danificado.

Após a devolução, o sistema acusa o fim do empréstimo, libera o pagamento para o dono do produto e solicita – a quem emprestou e a quem tomou emprestado – que pontuem a atuação um do outro, de forma a criar um ranking com os usuários do portal mais confiáveis. “O DescolaAí.com possibilita que os produtos não fiquem parados na casa das pessoas e que elas possam ter lucro com eles”, comenta Brammer.

Depois de um período de testes rigorosos nos sistemas de segurança e pagamento, o portal foi lançado em julho, com a função aluguel (empréstimo remunerado). Em breve, irá contemplar uma plataforma virtual para a realização da troca de produtos entre os usuários cadastrados. Outra iniciativa que está prevista para os próximos meses é a criação de eventos, nos quais os usuários poderão se conhecer pessoalmente e realizar empréstimos ou trocas.

Conceito de Consumo Colaborativo – O DescolaAí.com traz ao Brasil o conceito de Consumo Colaborativo, que estimula que os produtos sejam usados por mais pessoas, aumentando sua vida útil e evitando o uso de novas matérias-primas.

Essa ideia nasceu nos Estados Unidos, nos anos 2000, como uma alternativa ao modelo de consumo excessivo que marcou a sociedade norte-americana nos anos 80. Lá, por exemplo, há mais de 50 milhões de furadeiras no mercado e, em média, cada uma delas é usada em toda a sua vida útil, de 6 a 13 minutos.

A prática do Consumo Colaborativo combina com as atuais demandas da sociedade por ações sustentáveis. Segundo Gui Brammer, quando se empresta um produto, se deixa de comprar um novo e se reduz a extração de novas matérias primas. Além disso, o acesso aos bens também é um benefício social. “Mais que o livro em si, o acesso a ele é o real ganho à população”, completa o executivo.

O DescolaAí.com é gerenciado pela GreenBusiness, empresa liderada por Gui Brammer e especializada em soluções de logística reversa. Entre suas ações, a companhia gerencia a TerraCycle no Brasil.

Para conhecer o site, acesse www.descolaai.com e faça seu cadastro.

Fonte: Maxpress

Ana é mulher de fibra e coragem

12 de julho de 2011

por Silvio Tendler*

Ana não é de desistir no meio da caminhada, logo agora que começa a descobrir as primeiras traições e jogos de interesse pessoais. Tão perto de si, do seu gabinete, dentro do ministério que comanda. Ana já deve ter percebido olhares e sorrisos matreiros que conspiram enquanto afagam.

Muita espuma se faz contra Ana de Hollanda, que está fazendo um trabalho realmente sério à frente de um dos ministérios mais complicados de administrar.

Já ocupei o cargo de Secretário de Cultura de Brasília durante a administração Cristovam Buarque de Hollanda e sei o quanto é difícil administrar artistas e seus egos. E Ana está apagando incêndios, à frente de uma gestão herdeira de uma dívida de mais de 600 milhões de reais e em face a um contingenciamento de verbas que tolhe as ações do ministério.

A briga em torno do tal do Creative Commons é assunto de lobista. Os Creative Commons não oferecem nada mais que os copyrights e quem ganha com essa briga são advogados e seus contratos milionários. Quando se trata de copyright X copyleft aí a coisa muda de figura, pois discutimos direitos versus liberação total. Os mecanismos de liberação parcial de direitos oferecidos pelo Creative Commons também existem nocCopyright na medida em que o autor faz o que bem quiser com sua obra. Tudo não passa de demagogia para vender balangandãs para índios colonizados. Basta colocar na documentação do ministério “livre para reprodução desde que citada a fonte” e ponto, menos um problema para resolver.

Quanto ao cinema, a ministra tem acertado e nossa relação hoje com a Ancine melhorou muito com a chegada da Ana de Hollanda.

Falta nas outras áreas uma agenda positiva e propositiva que coloque a estrutura do ministério em marcha. Os secretários que se manifestem e apresentem seus programas de ação já!

Quem foi o gênio que aconselhou a ministra a receber diárias desnecessárias enquanto permanecia o final de semana no Rio de janeiro, em sua casa, aguardando o trabalho na segunda feira? Isso não é assunto para ministro. Quem aconselhou ao erro deveria apresentar-se como o responsável pela bobagem que a fragilizou.

Continuo solidário a Ana de Hollanda e tenho certeza que ela superará essa crise.

* Documentarista, diretor de Anos JK, Jango e Utopia e Barbárie, entre outros clássicos do cinema brasileiro.

O que a TV nos manda ver

30 de março de 2011

por Sandra Fernandes*

Você já reparou que temos o hábito consolidado de sentar no sofá, ligar a TV e esperar por informações acerca do que está acontecendo no mundo, dia após dia, ouvindo, consumindo, mas nunca questionan-do? Alguma vez já se perguntou que fatia dos acontecimentos mundiais, nacionais e locais está repre-sentada ali? Já pensou em quanta coisa fica fora dos noticiários? Já parou para refletir que existe al-guém que decide o que entra no ar e o que não entra? Já se perguntou quais critérios essa pessoa usa para fazer essa triagem noticiosa decidindo o que será e o que não será repassado ao telespectador? Será que aquilo que ela considera importante seria o mesmo que você consideraria importante? Se você pudesse selecionar as informações, será que escolheria as mesmas notícias? O que eles mostram ali realmente influencia sua vida?

É assustador pensar que tem alguém decidindo por nós o que iremos saber e aquilo de que não tomare-mos conhecimento. A quem servem esses senhores anônimos, mas conscientes do que fazem, levando mensagens a um público semi-adormecido? Precisamos acordar, despertar de nossa passividade e refle-tir acerca de como são fabricados, distribuídos e vendidos esses produtos chamados notícias, bens in-tangíveis, mas que nem por isso deixam de ser bens de consumo. Ligamos nossa TV despreocupada-mente acreditando que iremos ouvir verdades. Será? Acreditamos que seus “conselhos” são bons. Será que são? Pensamos que as notícias veiculadas refletem realmente o que há de mais importante para saber. Será mesmo? Você já reparou nos anúncios que assiste enquanto espera pelo próximo bloco?

Quem são aquelas empresas que investem milhões para veicular seus nomes e seus produtos naquele chamado horário nobre em que milhões e milhões de pessoas estão, tal qual você, sentados assistindo aquele programa jornalístico?

Claro, elas bancam o custo da produção televisiva que, todos sabemos, é muito alto e que nós recebe-mos gratuitamente em nossos lares. Mas, será que em algum momento não pode haver um choque entre os interesses deles (patrocinadores) e nosso direito de conhecer os fatos e suas verdades? Se houver esse conflito, que sairá ganhando, nós, simples consumidores – e no mais das vezes, nem consumidores somos porque não podemos comprar o que eles vendem – ou os grandes e poderosos grupos que patro-cinam os telejornais e enchem de glamour e de dinheiro os concessionários de canais de TV? Aliás, vale lembrar que as TVs têm apenas concessões e que, portanto, prestam um serviço publico por dele-gação do Estado.

Você já reparou que há varias formas de contar a mesma história? Várias abordagens, várias ênfases, vários significados? Já reparou que normalmente a primeira frase de uma matéria televisiva já determi-na de que forma ela deve ser interpretada e já prepara o caminho para a conclusão que deve ser tomada sobre o que foi dito? Já reparou que não há questões em aberto para você refletir?

Tudo vem pronto, mastigado, resolvido. Em perfeita harmonia como roupa prêt-à-porter e como a co-mida fast-food, também alguém já lhe poupa o trabalho de pensar, de refletir, de analisar os fatos. O risco é você começar a acreditar que não tem capacidade para pensar, já que não lhe dão essa oportuni-dade.

Você já reparou que todos os dias as pessoas repetem, nas ruas, no trabalho, nos bares, a surrada frase “você viu… na TV ontem, que coisa horrível/engraçada/triste/absurda?” E se você, naquela fatídica noite, precisou levar sua sogra para a rodoviária e perdeu o famigerado pautador de assuntos, passa a ser considerado um desprezível e desatualizado cidadão que não leu na cartilha da boiada a lição da noite anterior. O curioso é que todos saem com a mesma opinião pasteurizada sobre os assuntos e ai de você se discordar do senso comum! Em suma, alguém decide sobre o que você vai conversar no dia seguinte e que impressão você vai causar no seu grupo social. Curioso, não? Mais curioso ainda é que tudo isso nos parece normal. Estranho é questionar essas coisas.

Mas precisamos questioná-las. Não podemos permanecer adormecidos, passivos, conformados. Preci-samos ansiar pela verdade simples, clara e objetiva e, sobretudo, não podemos deixar de considerar que toda mensagem é transmitida por alguém que está dentro de um contexto, que faz escolhas, que tem um objetivo ao transmiti-la. É necessário que essas mensagens astutamente elaboradas cheguem a cabeças críticas e conscientes e não apenas depósitos cerebrais de informações e interpretações pré-fabricadas.

* Jornalista e Psicóloga