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Assembleia Geral das Nações Unidas cria a ONU Mulheres

2 de agosto de 2010

A criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres é resultado de anos de negociação.

No dia 2 de julho, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, por unanimidade, a criação de uma nova entidade que visa a atender as demandas de mulheres e meninas de todos os continentes. A entidade das Nações Unidas para a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, denominada ONU Mulheres, é resultado de anos de negociações entre Estados-membros e movimentos de defesa das mulheres no mundo.

Em comunicado, o secretário-geral Ban Ki-moon afirmou que a criação da nova agência “vai aumentar significativamente os esforços da ONU para promover a igualdade de gênero, expandir as oportunidades e combater a discriminação em todo o mundo”.

A ONU Mulheres vai unificar o trabalho já desenvolvido pelos quatro organismos das Nações Unidas dedicados às mulheres: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem); Escritório de Assessoria Especial em Questões de Gênero (OSAGI); Divisão para o Avanço das Mulheres (DAW); e Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação para a Promoção da Mulher (INSTRAW).

Ban Ki-moon nomeará uma subsecretária-geral para dirigir a nova agência, a partir de sugestões dos Estados-membros e parceiros da sociedade civil. A subsecretária-geral integrará todas as instâncias decisórias superiores da ONU e apresentará relatórios ao secretário-geral.

A ONU Mulheres deve estar em pleno funcionamento operacional em janeiro de 2011, com duas funções principais: apoiar os organismos intergovernamentais na formulação de políticas, padrões e normas globais, e auxiliar os Estados-membros a implementá-los, fornecendo apoio técnico e financeiro e estabelecendo parcerias com a sociedade civil.

Divórcio já!

8 de julho de 2010

por Maria Berenice Dias*

Como existe a crença de que ninguém é feliz sozinho sem ter alguém para amar, sempre houve a tentativa de manter as pessoas dentro do casamento, que antes até indissolúvel era.

Foi necessária uma luta de um quarto de século, somente no ano de 1977, ter ocorrido a aprovação do divórcio. Ainda assim, inúmeras eram as restrições e os entraves para a sua concessão. A separação, ainda que consensual, só podia ser obtida depois de um ano do casamento. A separação litigiosa dependia da identificação de culpados, e somente o “inocente” tinha legitimidade para ingressar com a ação. Depois, era necessário aguardar um ano para converter a separação em divórcio.

Já o divórcio direto estava condicionado ao prazo de dois anos da separação de fato. Ou s eja, dependia do decurso do prazo ou de simples declaração de duas testemunhas de que o casal estava separado por este período.

Todos esses artifícios nada mais buscavam do que desestimular o fim do casamento. Mas, apesar da insistência do legislador, não adianta, todos perseguem o sonho da felicidade, que nem sempre é encontrada em uma primeira escolha.

Decorridos mais de 30 anos de vigência da Lei do Divórcio, ninguém duvida que estava mais do que na hora de se acabar com a duplicidade de instrumentos para a obtenção do divórcio. Facilitando o procedimento, abrevia-se o sofrimento daqueles que desejam por fim ao casamento e buscar em novos relacionamentos a construção de outra família.

Por isso está sendo tão festejada a aprovação da PEC 28/2009 pelo Senado Federal. Ao ser dada nova redação ao art. 226, § 6º da Constituição Federal, d esaparece a separação e eliminam-se prazos e a perquirição de culpa para dissolver a sociedade conjugal. Qualquer dos cônjuges pode, sem precisar declinar causas ou motivos, e a qualquer tempo, buscar o divórcio. A alteração, quando sancionada, entra imediatamente em vigor, não carecendo de regulamentação. Afinal, o divórcio está regrado no Código Civil, e a Lei do Divórcio manda aplicar ao divórcio consensual o procedimento da separação por mútuo consentimento (art. 40, § 2º). Assim, nada mais é preciso para implementar a nova sistemática.

O avanço é significativo e para lá de salutar, pois atende ao princípio da liberdade e respeita a autonomia da vontade. Afinal, se não há prazo para casar, nada justifica a imposição de prazos para o casamento acabar. Com a alteração, acaba o instituto da separação. As pessoas separadas judicialmente ou separadas de corpos, por decisão judicial, podem pedir a conversão da separação em divórci o sem haver a necessidade de aguardar o decurso de qualquer prazo. Enquanto isso, elas devem continuar a se qualificarem como separados, apesar do estado civil que as identifica não mais existir. Mas nada impede a reconciliação, com o retorno ao estado de casado (CC 1.577).

Além do proveito a todos, a medida vai produzir significativo desafogo do Poder Judiciário. Cabe ao juiz dar ciência às partes da conversão da demanda de separação em divórcio. Caso os cônjuges silenciem, tal significa concordância que a ação prossiga com a concessão do divórcio. A divergência do autor enseja a extinção do processo por impossibilidade jurídica do pedido, pois não há como o juiz proferir sentença chancelando direito não mais previsto na lei. Já o eventual inconformismo do réu é inócuo. Afinal, não é preciso a sua anuência para a demanda ter seguimento. E, como para a concessão do divórcio não cabe a identificação de culpados, não haverá mais n ecessidade da produção de provas e inquirição de testemunhas. As demandas se limitarão a definir eventual obrigação alimentar entre os cônjuges e a questão do nome, caso algum deles tenha adotado o sobrenome do outro.

Sequer persiste a possibilidade de ocorrer o achatamento do valor dos alimentos, uma vez que restaram revogados os artigos 1.702 e 1.704 do Código Civil. Do mesmo modo, acaba a prerrogativa de o titular do nome buscar que o cônjuge que o adotou seja condenado a abandoná-lo. Não mais continuaram em vigor os artigos 1.571, § 2º e 1.578 do Código Civil.

Existindo filhos, as questões relativas a eles precisam ser acertadas. É necessária a definição da forma de convivência com os pais – já que a preferência legal é pela guarda compartilhada – e o estabelecimento do encargo alimentar. Sequer os aspectos patrimoniais carecem de definição, eis ser possível a concessão do divór cio sem partilha de bens (CC 1.581).

Felizmente este verdadeiro calvário chega ao fim. A mudança provoca uma revisão de paradigmas. Além de acabar com a separação e eliminar os prazos para a concessão do divórcio, espanca definitivamente a culpa do âmbito do Direito das Famílias.

Mas, de tudo, o aspecto mais significativo da mudança talvez seja o fato de acabar a injustificável interferência do Estado na vida dos cidadãos. Enfim passou a ser respeitado o direito de todos de buscar a felicidade, que não se encontra necessariamente na mantença do casamento, mas, muitas vezes, com o seu fim.

*Advogada especializada em Direito das Famílias e Sucessões
Ex-Desembargadora do Tribunal de Justiça-RS
Vice-Presidenta Nacional do IBDFAM

Casamento e divórcio, imposição de afeto

4 de maio de 2010

por Maria Berenice Dias*

Todas as pessoas querem acreditar que o amor é para sempre. Todavia, ele é infinito enquanto dura. Quando acaba só tem um jeito. Terminar um casamento implica definir direitos e deveres com relação aos filhos e partilhar bens. Esta é a única maneira de preservar o direito à felicidade.

Mesmo assim, injustificavelmente, o estado resiste em permitir que as pessoas acabem com as relações de casamento. Houve um tempo que o matrimônio era indissolúvel: até que a morte os separe! Mesmo com a Lei do Divórcio, a imposição de prazos, a identificação de culpados e a necessidade de um duplo procedimento persistem. Embora haja, é preciso primeiro separar para depois converter a separação em divórcio, e isso em conseqüência do decurso de um ano. Existe, no entanto, a possibilidade de obter o divórcio direto depois de dois anos da separação de fato. Dessa maneira, ninguém consegue casar outra vez antes de tais prazos. Poderá sim viver em união estável, mas não poderá convertê-la em casamento.

As pessoas são livres para casar, mas não para por fim ao casamento ou casar novamente. Estas verdadeiras cláusulas de barreira são impostas sem sequer questionar a existência de filhos ou interesses de ordem patrimonial.

Quando este nem é o desejo dos cônjuges, a quem interessa a mantença dessa união? Será que ainda se acredita que, como a família é a base da sociedade, ela se desfaz; renasce com outro formato; reconfigura-se com novos partícipes?

O Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM, para acabar com este verdadeiro calvário, apresentou o projeto que se transformou na Proposta de Emenda Constitucional nº 413-C, a chamada PEC do Divórcio. Ela acaba com a separação, permanecendo o divórcio como a única forma de dissolver a sociedade conjugal, sem identificação de culpados e a necessidade de adimplemento de prazos.

Esta é, com certeza, a única forma de assegurar o respeito a um punhado de princípios constitucionais. Obrigar alguém a permanecer casado afronta o respeito à dignidade humana, o direito à liberdade, à convivência familiar e – às claras – o direito fundamental à afetividade.

Atentar a um fato, no entanto, é imperioso. Prejudica especialmente a mulher e os filhos a necessidade de esperar que flua um lapso temporal desde o fim da vida em comum até a chancela estatal do término da união. Quando da separação é a mulher que permanece com a guarda dos filhos e geralmente o homem fica na administração do patrimônio. São garantidos direitos e identificadas responsabilidade de ordem pessoal e patrimonial, quase sempre, por ocasião do divórcio que ocorre a imposição de deveres.

Até serem fixados alimentos e partilhados os bens, portanto, o marido é beneficiado com a perenização do estado de indefinição. Ele pode, enquanto isso, dispor livremente do patrimônio comum. Quando finalmente o divórcio se torna possível, muitas vezes não há mais vestígios dos bens e nem o encargo alimentar atende ao critério da proporcionalidade. Tudo foi consumido, vendido ou desviado. Ou seja, a mulher fica com os ônus e o homem com os bônus.

Atentando a esta realidade talvez seja possível identificar a quem interessa as coisas ficarem como estão. É possível serem estes os motivos que estejam a impedir a imediata aprovação da PEC do divórcio, que, ao contrário, deveria ser chamada de PEC do casamento. Afinal, só depois do divórcio é que as pessoas podem casar de novo.

É necessário, mais uma vez, que as mulheres se mobilizem para evitar que se perpetuem os enormes prejuízos decorrentes da indefinição patrimonial gerada pela injustificável resistência em chancelar o fim do vínculo afetivo.

A dignidade feminina acaba sendo afrontada com a tentativa de manutenção do casamento.

* Advogada e Vice-Presidente Nacional do IBDFAM – www.mariaberenice.com.br

As mulheres não podem prescindir da ação política

29 de abril de 2010

por Maria João Silveirinha (Investigadora e professora universitária, na Universidade de Coimbra)

O feminismo em Portugal, como movimento político, foi durante muitos anos quase inexistentes por comparação à maioria dos países europeus. Estruturalmente não era possível fazer exigências de igualdade política e, portanto, a militância feminista era muito difícil. Será bom recordar que em 1936 a Constituição do Estado Novo estabelecia a igualdade de direitos perante a lei, “salvas, quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem da família” e que no Código Civil de 1967 a família ainda era chefiada pelo marido.

Nestas condições, acrescidas de uma fortíssima debilidade real em termos educacionais, econômicos, sociais, dificilmente o feminismo se poderia afirmar entre nós. Com efeito, para além dos controles formais, toda uma forte estrutura de dominação informal ligada aos papéis sociais e à extrema hierarquização social e econômica dificultava qualquer ressonância social do feminismo como expressão das lutas femininas. Pelo contrário, ganhava uma estranha expressão em organizações governamentais e estatais de mulheres e juventude, de que são exemplos a Obra das Mães pela Educação Nacional e a Mocidade Portuguesa.

Por todas estas razões, e não significando isto que não tenham existido momentos (mais que movimentos) feministas, talvez em termos formais, só o movimento para a Libertação das Mulheres possa ser considerado um movimento feminista.

Hoje o feminismo em Portugal partilha – ainda que aparentemente só do ponto de vista teórico – dos dilemas que se colocam às feministas de todo o mundo, incluindo a sua dilaceração por expressões identitárias de cor, de classe, de preferência sexual, etc.

Poderemos dizer que o que dá forma às diversas formulações da teoria feminista é a determinação de eliminar a subordinação das mulheres. Mas no momento em que se tenta aprofundar este acordo, logo surgem os travões ao mesmo, expressos nas muito diferentes explicações dos seus elementos: Que subordinação? Que igualdade? O que é uma mulher (e um homem)? Como se consegue essa igualdade?

Só muito recentemente foi abandonando o pressuposto da inferioridade natural das mulheres, aceitando que as mulheres, tanto como os homens, deveriam considerar-se “seres livres e iguais”, capazes de se auto-determinar. Neste início de século pode dizer-se que quase todas as democracias adotaram leis anti-discriminatórias que procuram assegurar um igual acesso das mulheres ao emprego, à educação, aos cargos políticos, etc..

Mas também neste início de século é bem visível como estas mesmas leis não trouxeram a igualdade sexual. Não mudaram as mentalidades, dir-se-á. E muitas, efetivamente, não mudaram. Mas talvez o problema seja também de outra ordem mais complexa. Numa sociedade em que, num quadro legal de competência neutras em matéria de sexo, se premiam crescentemente “estruturas de mérito”, o problema reside no fato de essas mesmas “estruturas de mérito” estarem normalmente definidas de uma tal forma que os homens são frequentemente mais aptos para elas. Tal legitima num movimento circular, uma sociedade que, mesmo reconhecendo formalmente o princípio da igualdade, continua fundada no androcentrismo e na autoridade masculina.

Encurraladas em estruturas onde verdadeiramente não podem (e também frequentemente não querem) concorrer, o problema da desigualdade transforma-se num problema de dominação, para o qual a solução não só é a ausência de discriminação formal, mas a substantiva distribuição do poder.

O feminismo deu frutos concretos em alguns dos seus objetivos e, sobretudo, conscientizou as mulheres. Mas ainda são muitos os lugares concretos e simbólicos que não permitem à agenda feminina esgotar-se. As armas da dominação são hoje mais subtis (ainda que se mantenham também muitas das de sempre) – a tecnologia, as novas tecnologias reprodutivas, a exploração da intimidade, o avanço do neoliberalismo, o fundamentalismo – e isso gera também uma maior diversidade da experiência e, portanto do pensamento feminista.

O feminismo não é, como por vezes se pretende, um movimento de emancipação à medida da mulher branca heterossexual de classe média. Tão-pouco é defensável que o feminismo já não é necessário porque as mulheres resolveram os seus problemas.

A expressão da dominação é necessariamente diferente em cada período histórico e as mulheres encontraram discriminações de diferentes tipos em diferentes momentos, pedindo reivindicações específicas. Mas, de formas diferenciadas, as mulheres não poderão prescindir da ação política (mesmo que a partir da sua experiência pessoal e localizada) como antídoto do cansaço.

Feministas espanholas lutam pelo aborto livre e gratuito e atacam Igreja Católica

18 de março de 2010

O dia 7 de março ficou marcado por uma manifestação das feministas da Espanha, que saíram às ruas para protestar contra setores da oposição que pregam a Marcha pela Vida. Elas se referem aos controles patriarcais, dentre eles as hierarquias da Igreja, que buscam privar as mulheres do direito de decidir autonomamente sobre o próprio corpo. A principal reivindicação é o aborto livre e gratuito, medida capaz de impedir a morte de milhares de mulheres em abortos inseguros em muitos países. No mundo, todo ano morrem mais de 70 mil mulheres em abortos clandestinos, numa chacina visível aos olhos negligentes e insensíveis das autoridades constituídas.

Publicado originalmente em http://fotograccion.org

Segundo as feministas espanholas, estes setores, alinhados à Igreja Católica, pretendem impor seus padrões morais e religiosos como políticas públicas. O movimento saiu às ruas para defender o direito de decidir livremente sobre o próprio corpo ao mesmo tempo em que refutam toda autoridade médica, jurídica, estatal ou religiosa de tomar decisões sobre a vida delas. O protesto se tornou mais eloqüente pela mostra dos seios como um ato de irreverência, escapando das formas de regulação e de controle a que foram submetidos, modelados, ampliados, mostrados, sujeitados e escondidos. “Hoje nossos peitos são resistência política, tornar visível um corpo que historicamente tem sido expropriado, aprisionado, seqüestrado, controlado e dominado. Peitos que se atrevem a dizer basta, que rompem cadeias, que se mostram placidamente decididos a ser seios que condenam a privatização, a coisificação, que negam, resistem e escapam, seios que reclamam justiça, seios que desejam a liberdade, seios da subversão, que demandam direitos”, disseram a feministas.
Elas reivindicam o direito fundamental ao aborto livre e gratuito na saúde pública.

Em Gravataí o mando é das mulheres

16 de março de 2010

“Título de um antigo filme romano, Lá Matriarca, que no Brasil levou o nome de O Mando é das Mulheres”, hoje representa a realidade de uma das principais cidades da região metropolitana – Gravataí, que hoje tem quatro mulheres ocupando os mais altos postos dos poderes constituídos. A prefeito Rita Sanco, que é bem verdade se elegeu com os votos do deputado Daniel Bordignon, impedido que foi pela justiça eleitoral de concorrer ao cargo. Na Câmara de Vereadores é a Anabel Lorenzi que comanda o Legislativo, no judiciário é a juíza Evortiz Marques Fernandes. A mais recente posse se deu na OAB, na qual foi eleita como presidente a advogada Paula Barbosa Vargas.

Ela tomou posse no dia oito de março, no Dia Internacional da Mulher, e na ocasião elencou as suas metas para o biênio 2010/2012: “A valorização da classe, o combate ao aviltamento dos honorários, o fortalecimento das relações institucionais e a defesa das prerrogativas dos profissionais e de melhores condições de trabalho”, disse.

Na nova diretoria da subseção somente Paula Barbosa Vargas é mulher, sendo seus pares todos homens: Hercules Ramão Perrone (vice-presidente), Diego da Veiga Lima (secretário-geral), Stefano da Fonseca Barbosa (secretaria-geral adjunta) e Deivti Dimitrios Porto dos Santos (tesoureiro).

No Conselho Subseccional há equilíbrio entre os gêneros com três representantes cada um: Carlos Frederico Bazile da Silva, Silvana Brunetti Castilhos, Habia dos Santos Espíndola, Luis Fernando Ducatti, Maria Dorziria Gretes e José Carlos Ribeiro Garcia.

“O” feminal a um clic

9 de março de 2010

O feminal chega até sua tela para trazer informações do universo feminino priorizando o conteúdo afirmativo da luta feminista.

Neste contexto por que “O” feminal? Simples. Para subverter a ordem. É secular que a educação de homens e mulheres se faz pela teoria, seja qual for a área, pelo viés masculino. A sociedade patriarcal reproduz a ideologia masculina.

O mais estranho é que a mulher desde que se aventurou pelo espaço público ficou confinada a área de trabalho na educação das crianças e, eventualmente, saúde; apenas ampliou o trabalho que já realizava do espaço privado e reproduziu esta ideologia.

Hoje a mulher ocupa todas as instâncias profissionais, mas continua reproduzindo a ideologia masculina, por alienação, por desejo de poder, para ser aceita pela maioria, por ser careta, por não ser careta, por não ter consciência de sua identidade.

Atualmente, as mulheres são maioria nos cursos de educação superior, nos programas de pós-graduação; mas quanto mais estudam, mais reproduzem o mundo masculino. É contraditório, mas real.

Ao completar cem anos do Dia Internacional da Mulher ainda lutamos por condições de trabalho, por equidade e por igualdade de salários. Em relação à luta pela eliminação da violência contra a mulher não avançamos muito. Elas continuam sendo queimadas e violentadas pelos seus parceiros. Andamos em círculo.

 Ao reproduzir dois aforismos de pensadores importantes na formação intelectual das pessoas, que se dedicam ao aprofundamento do pensamento teórico, que talvez indiquem um caminho para romper com o círculo como o grande Jean-Jacques Rousseau “as mulheres não sabem correr; quando fogem é para serem alcançadas” e, Fréderic Nietzche, “a mulher não é feliz enquanto não se sentir propriedade de alguém” fica claro quanto ainda precisamos andar.

Evidentemente, estes pensamentos pinçados isoladamente não podem representar todo o pensamento destes homens, mas evidenciam comportamentos que permeiam todo o seu legado. A mulher é oral e o homem textual. A oralidade feminina passa de geração a geração mitificando os fatos, mas a textualidade masculina perpetua os fatos historicamente.

O Feminal vem na direção contrária. Cada vez que uma mulher pronunciar o nome deste espaço de conteúdo colaborativo lembrará: é preciso construir uma visão feminista deste pensamento, seja qual for, e emitirá textualmente de forma afirmativa.

Nada mudará de uma só vez, mas a utopia do “clic” poderá iniciar a construção de um pensamento feminino, como um legado às futuras gerações.      

Eloá Muniz

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Primeira mulher assume o Rotary

6 de março de 2010

Alice Polacchini é a primeira mulher eleita governadora do Rotary Club Internacional, Distrito 4680. Ela assumirá em julho e comandará a organização na gestão 2010/2011. Ela participou em San Diego, Estados Unidos, do curso de treinamento para o cargo. Ao todo, estiveram presentes 500 governadores eleitos de 165 países.
Alice destaca a importância do posto e de ser a primeira mulher no Estado a comandar o Rotary. Ela ainda se comprometeu a estender a campanha de vacinação e erradicação da poliomielite em todo o mundo. Há cinco países que ainda registram a patologia.
Os rotarianos são sócios de seus respectivos Rotary Clubs, que, por sua vez, são membros do Rotary Interncional. Alice pertence ao Rotary Club Porto Alegre Independência. Um dos projetos desse Club é a prevenção de doenças, especialmente virais. Em 2010, a meta é ampliar as campanhas de orientação à população, para que mais pessoas se previnam e saibam como proceder em caso de detecção da patologia.
Outra meta é adquirir, em parceria com outros órgãos ou entidades, equipamentos de identificação de morte cerebral, já que UTIs no Estado que não têm o aparelho, descumprindo a legislação.

A história do feminismo é revestida de lutas

6 de março de 2010

Uma mulher à frente do seu tempo
Nísia Floresta foi a precursora do feminismo no Brasil, nascida no Rio Grande do Norte em 1810 sempre lutou por uma educação feminina igualitária. Viveu ainda no Pernambuco, no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Europa, onde passou os últimos anos de vida. Deixou inúmeras obras e em mais de uma língua, abordando não somente a situação da mulher no século XIX, mas também a escravidão, o índio e as belezas do Brasil. “Certamente Deus criou as mulheres para um melhor fim, que para trabalhar em vão toda sua vida”, texto da obra Nísia Floresta em “Direitos das Mulheres e Injustiças dos Homens”.
Obra: Em Papara, nasce uma ilustre brasileira; A Peregrina das Letras; Alguém ousa falar pelas mulheres; A Luta feminina em todos os tempos; Na Capital do Império, Nísia rompe paradigmas; Contra toda forma de dominação; A exclusão atravessa os séculos; Uma brasileira entre a vanguarda européia; As cartas entre Comte e MME. Brasileira; A intelectual contemplando a história; A Pátria na bagagem; A volta ao sítio Floresta; O Brasil redescobre Nísia Floresta; Os desafios da atualidade.
Nísia Floresta morreu aos 75 anos não sem antes, em Paris tornou-se amiga do filósofo positivista francês Auguste Comte.
Em 2006 foi focalizada pelo Projeto Memória da Fundação Banco do Brasil, que levou aos quatro cantos do Brasil a obra desta importante personalidade, cujo pensamento, obra se transformou em herança daquela que foi uma das maiores mentes femininas do Século XIX.

Mundo feminino da Índia lidera a transformação

6 de março de 2010

Paulatinamente o mundo indiano vem sendo descortinado mostrando sua evolução e revelando o choque cultural após a independência, onde pontificam grandes personalidades ícones, e, não raro, ídolos daquela que é a terceira potência financeira do mundo.
No pano de fundo, a luta contra o preconceito, a opressão mantida por castas contra as classes mais baixas da sociedade, chamados de intocáveis, ou dalits. Alguma coisa foi mostrada nos capítulos da novela global “Caminhos das Índias”, onde o Brasil descortinou os costumes e modo de vida dos indianos. No obstante, a história e as revoluções nos costumes é sempre um caminho longo e que exige bem mais do que cenas de enredo global. A libertação do domínio inglês e luta empreendida por um líder chamado Mahatma Ghandi, responsável pela independência da Índia e pelo surgimento de outras lideranças, como Jawaharlal Nehru, o pai de Indira Ghandi, todos eles membros do Partido do Congresso, que governou e transformou o país.
Ghandi e Nehru não somente lutaram pela liberdade indiana, tendo como aliados os integrantes das classes mais baixas e, principalmente, forjando a luta das mulheres por mudanças no regime de opressão a que estiveram submetidas durante muitos anos até galgar postos representativos na sociedade organizada. A história começara ainda antes mesmo de Indira Ghandi e começamos por mostrar a Princesa Kapurthala, cujo nome era Ana Delgado Briones, uma espanhola que viveu um conto de fadas ao casar-se com o Príncipe de Kapurthala, que é uma região no interior da Índia. Ela é protagonista de uma história onde a vida nababesca dos marajás com suas quatro esposas mostra uma cultura de castas. Ela não tinha este título e por esse motivo foi discriminada pelas outras mulheres do Príncipe, que não a aceitaram, além de ser este o 5° matrimônio, que não é válido pelas leis muçulmanas. Nesse ínterim, aparecem Mahatma Ghandi e Jawaharlal Nehru, que promovem passeatas nacionalistas. A Índia começa a respirar os ventos da liberdade.
Em meio a isto a Princesa é flagrada em adultério pelo Príncipe Kapurthala, originando o divórcio que lhe rende vultuosa pensão. De Madri onde passa morar toma conhecimento da Independência da Índia e o surgimento político de Rajkumari Amsit Kour, a prima rebelde do Príncipe, seu ex-marido. Seguidora de Nehru torna-se a primeira mulher a ocupar um Ministério no país, tendo ocupado duas vezes o Ministério da Saúde.
Em 1966 surge Indira Ghandi, empossada como primeira-ministra vem a revoar os privilégios de uma casta secular e pondo fim ao império dos marajás. Filha de Jawaharlal Nehru e criada ao lado de Mahatma Ghandi, ela tinha uma mente racional e moderna, sem a menor identificação com nenhuma casta, estado ou religião. Indira aboliu os últimos privilégios dos marajás. Em 1947, após a independência do domínio inglês, viram seus estados integrados à União Índia, recebendo em troca regalias garantidas pela constituição, tais como a conservação de seus títulos, jóias e palácios, além de receberem um pagamento anual feito pelo Estado e a isenção de impostos e taxas de importação. O calafrio também se estendeu às elites quando ela anunciou a nacionalização dos bancos e das companhias de seguro. Indira beneficiou o povo e conseguiu o apoio de todos os partidos de esquerda.
Seu governo era populista e imprimiu a revolução agrícola, tornando seu país auto-suficiente na produção de alimentos. Fundamentalmente possuía empatia com a camada pobre e eles a levaram a ser a primeira-ministra mais poderosa da independência. “A Índia é Indira, Indira é a Índia”, dizia o povo. Todos os grandes líderes mundiais da época queriam estreitar seus laços com uma das mulheres mais poderosas do mundo: de Yasser Arafat a Jimmy Carter, passando por Margaret Thatcher.
Indira Ghandi reinou absoluta por 20 anos na Índia, de 1964 a 1984, quando foi assassinada, revolucionou os costumes, guindou o país à condição de terceira maior potência econômica mundial e seu o segundo mais populoso do planeta, como 1,1 bilhão de habitante.