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Ciclos

14 de outubro de 2010

por Berenice Sica Lamas

sob olhos maternos
solstícios equinócios
pétalas pérolas pinceladas
menina de cinco anos

luz e sombra, pistilo
repletos de bolas balões
seus meninos
mãe aos trinta

ferro química fogo, estilo
raro encontro, correnteza
mulher de sessenta
inconsumada

Escritora e acadêmica da Academia Literária Feminina RS

Orquestra

15 de julho de 2010

por Berenice Sica Lamas

No domingo à tarde, em casa, Laura abre o álbum de fotografias. Ali estava toda a orquestra, os violinos, os violoncelos, o pianista, a cabeleira do maestro num fragmento de foto, as partituras, as roupas pretas e brancas. Excelentes fotos. A tristeza e o espanto de todos ali estavam. Desde seus onze anos preparara-se para brilhar com a orquestra na capital e agora, após vinte anos de duro estudo e aperfeiçoamento, desempregada. Uma violinista sem emprego não era qualquer mulher desempregada. Malditos deputados, sem sensibilidade suficiente em manter verbas para uma orquestra. Um suspiro fundo escapa e enxuga uma lágrima inútil, o peito pleno de mágoa. Tadzio entra e afaga seu rosto, mãe, o teu quebrou? Te compro outro violino. Laura vira as páginas do álbum, sem mais atençao.

Na última página, a foto do grupo para o folder do concerto na capital entra em combustão espontânea, chamuscando seus perplexos dedos. Arde a arte pela sobrevivência.

do livro Falsas Ficções, 2001.

Marcha – a – ré

10 de julho de 2010

Hilda Simões Lopes

A chuva se estilhaça, o limpador de parabrisa vai e vem, a mão de Pedro na alavanca engrena segunda, a navalha de borracha varre as gotas e o gosto acre queima a boca, a garganta, ameaça os miolos. Maria Aparecida endurece o corpo, aperta os dedos e se abraça, as unhas apunhalando as carnes. Caem confetes de água negra e imagens que o limpador leva, iguais a fala de Pedro, “Cida, não dá pra entender, com tudo pra seres feliz”, igual a conversa da tia Natália, “E essa cara, Cida? aceita a vida como ela é, marido bom a gente agrada”. A chuva é mais forte, desaba um rio pelos contornos, a visão é difícil, mas ela só vê, nítida, a própria dilaceração e os avessos e os gestos de Pedro, cheios de serras, lesmas, escorpiões. A mão de Pedro volta a mudar a marcha, a chuva ameaça romper o carro, as unhas de Maria Aparecida batem nos ossos, “Estás doente, não tens motivo pra não seres feliz”. Ela se lembra dos couros dos animais mortos, estaqueados, pregos nas extremidades, e se percebe tão esticada que já começa a se partir. E a voz, “Para mulher de homem rico que não tem amante, separação não tem cabimento”. O carro tropeça, a cabeça de Maria Aparecida sacode e ela pisca demorado, quando abre os olhos está envolvida pela perna da caranguejeira que sai da boca de Pedro, “ Cida, o que mais tu queres?” A caranguejeira se enrola mais, as trovoadas estouram o mundo e Maria Aparecida esfrega as mãos no rosto limpando-se da imundície, relaxando braços e pernas. E se entrega à chuva, morrerá limpa, igual à sua casa, filhos, armários, cozinha, tudo impecável, no lugar, cumprindo as funções com a perfeição das existências que não pensam. Estouram novas trovoadas, relâmpagos rasgam as trevas, ela se enxerga casando, embrulhada em nuvens brancas e pergunta se a alvura não será mais perigosa que o negrume. Volta a se ver noiva e as vozes, “A gente vê, são duas metades que se encontraram”. Metade, o que é uma metade? o outro lado, a base, o tempo de ser suporte, as garras descendo pelos avessos, igual beliscão fininho de menina malvada em tempo de colégio, ninguém via, o mais doloroso. Sente a aspereza do couro do acento na pele dos dedos, o barulho cadenciado da chuva, lembra o conto de Garcia Marquez, a mulher sangrando pelo dedo da aliança, hemorragia incontrolável, morte. A trovoada reconduz a voz, “Deves estar doente, com a vida que tens, separação, idéia de mulher desvairada”. O carro mergulha, a gosma acre enche-lhe a boca, o nariz, os ouvidos, ela entope. Imagens do casamento da filha, do filho saindo de casa, ela escondendo de Pedro ser por causa dele, cumprindo os desígnios, “Mulher tem que acomodar as arestas, deve servir de algodão entre marido e filhos”. Vê a casa sendo construída, feita de mata-borrão, prometendo absorver infelicidade. Fizeram a planta com cuidado, havia pontos com aspiradores gigantes: as lareiras, a piscina, a churrasqueira, onde todos os males seriam tragados. A voz de Pedro: “Estás proibida de voltar a este assunto cretino”. Estás, estás, sim, estás acostumada à tortura mental, dias e dias em silêncios guardados por tanques de guerra camuflados, era culpada, e não sabia de quê, mas estava proibida de ser infeliz, e os tanques trepidavam, e ela afundava na taquicardia, tremedeira, pressão caindo até o desmaio. Estoura o raio, abre os olhos, é mulher ruim, é culpada de tudo e não tinha feito nada, é infeliz e não podia ser. Uma voz a deixa cega, “A mulher é a responsável pela felicidade de uma família”. Caem pedras, a capota e o parabrisa ameaçam se partir, o temporal urra. Os negócios de Pedro, os dinheiros de Pedro, os desamigos de Pedro, a culpada é ela, os tanques de guerra encostam, casamento era avalizar a felicidade de um outro, era ser taipa de açude, o aguaceiro é tanto que o carro quase pára. A voz da mãe, “Como podes estar assim? casamento é isso mesmo”. Sacode o rosto, ergue os cabelos, respira fundo, pensa que o temporal é violento, então haverá dia de sol, entende avessos, há muito observa as gentes de veludo com avessos de punhais. Ergue-se a voz da amiga, ”Quando a gente tem marido como o teu e não agüenta mais, pede jóia, viagem, nova decoração para a casa”. O carro avança, já é madrugada e ainda chove pingos recheados. Outra amiga: “Cida, arruma um amante, homem casado e importante, o caso será secretíssimo, a gente fica mais bonita e se sente culpada, aí consegue levar o casamento adiante.” A perna da caranguejeira se ampliou e agora enrola-se em sua cintura, ouve gritos de que é culpada de tudo, pergunta o que fez de errado e os tanques rodopiam sobre seu corpo, algum lugar sangra, a navalha vai e vem no parabrisa, o carro estaciona e ela vê os pingos negros, é prisioneira da morte. Destrava a porta, quase se joga ao chão, Pedro já desceu e avança pelo avarandado. Ela permanece de pé, estática, inundando-se de chuva. “Cida, estás louca, sai da chuva”, ele fala gesticulando, chaves na mão. Ela olha as águas, a sangüeira a seus pés, ouve o fio da própria fala, “Pedro, eu não vou entrar”. Ele grita, “Estás louca, anda logo, olha os raios”. Arrebenta-se nova trovoada e faíscam raios, as pedras do caminho tremem. “Cida, não me ouves, Cida!” Maria Aparecida ensaia os primeiros passos, descobre-se firme, ergue a cabeça, esboça um sorriso. Enxerga festival de luzes em seu caminho, o rugido das trovoadas se transmuta na marcha triunfal de Aída, águas dançam à sua frente. Alguém grita, “Estás ensopada, corre, vem”. Ela abre a bolsa, pega a chave do próprio carro e se dirige a ele. Entra. Engrena a marcha-a-ré.

De livros e vinhos

10 de julho de 2010

Berenice Sica Lamas

Atravesso o pátio com cuidado. Circulo a ameixeira, abro a porta. Não quero derramar uma só gota do copo de leite de papai. Me atrai sua ampla peça isolada da casa em meio à parreira e ao arvoredo – misto de ateliê biblioteca oficina gabinete. Cavaletes, telas, tintas, pinceis, livros, revistas, torno com lixeira e serra circular, formão, goiva, cinzel, bigorna onde improvisa ferramentas, lamparina para aquecê-las e moldar a cera, martelo, madeiras, sarrafos, cheiro de serragem, plaina elétrica, esmeril, réguas e lápis de carpinteiro grafite plano. A coleção de serrotes de diversos tamanhos me fascina. Ele diz ser o local de suas transmutações… para mim, ambiente mágico de sua risada solta, lenços gitanos e réstias de sol que trespassam a vidraça, reluzindo os metais, o punhal, o espelho, o chapéu.

Papai saboreia o leite em pequenos goles, molhando o bigode. O caixote com os vinhos portugueses Ramos Pinto chegara e eu, constante contente, cumpro o ritual: abro-o, apanho o pequeno volume de capa vermelha, o raro brinde do “grande Camilo” como diz papai, “do castelo que precisa cor” completo eu – e coloco na estante ao lado dos demais. Chamo-a prateleira dos vinhos e papai sorri com ternura.

Na cadeira giratória de madeira e palhinha, volteio até tontear. Mamãe não serve o leite quando papai pinta as moças e então, não entrando na oficina, fico espiando através da janela. Ele se aproxima com a mão em concha, cheirando à água de toilette.

Um de cada cor, filhota?

Bem coloridinho, papai.

Ouvindo meus gritos, mamãe acorre em pânico, papai estrebucha com ataque.
Ardo em febre. Uma grande poça de lagrimas e xixi manchada de tinta escorre pela desordem do chão. Nadam preguinhos e parafusos, que chovem pelas minhas pernas.

(do livro Falsas Ficções, 2001)

Gloriosa infância

10 de julho de 2010

Ivanise Mantovani

Ivanise Mantovani

Gloriosos invernos da infância,
brincar com a neve bonita
de interiorana distância.
Grande portão de ferro.
De crochê eram as cortinas.
Assim vivi com meus avós
plantando e colhendo boninas.

Gloriosos verões da infância,
dormir sob o jardim coberto,
num pijama azul-piscina.
Acordar com a passarada,
galinhas, coelhos e patos.
Comer do pão feito em casa
coberto de marmelada.

Problema de homens

30 de junho de 2010

por José Saramago

Vejo nas sondagens que a violência contra as mulheres é o assunto número catorze nas preocupações dos espanhóis, apesar de que todos os meses se contem pelos dedos, e desgraçadamente faltam dedos, as mulheres assassinadas por aqueles que crêem ser seus donos. Vejo também que a sociedade, na publicidade institucional e em distintas iniciativas cívicas, assume, é certo que só pouco a pouco, que esta violência é um problema dos homens e que os homens têm de resolver. De Sevilha e da Estremadura espanhola chegaram-nos, há tempos, notícias de um bom exemplo: manifestações de homens contra a violência. Até agora eram somente as mulheres quem saía à praça pública a protestar contra os contínuos maus tratos sofridos às mãos dos maridos e companheiros (companheiros, triste ironia esta), e que, a par de em muitíssimos casos tomarem aspectos de fria e deliberada tortura, não recuam perante o assassínio, o estrangulamento, a punhalada, a degolação, o ácido, o fogo. A violência desde sempre exercida sobre a mulher encontrou no cárcere em que se transformou o lugar de coabitação (neguemo-nos a chamar-lhe lar) o espaço por excelência para a humilhação diária, para o espancamento habitual, para a crueldade psicológica como instrumento de domínio. É o problema das mulheres, diz-se, e isso não é verdade. O problema é dos homens, do egoísmo dos homens, do doentio sentimento possessivo dos homens, da poltronaria dos homens, essa miserável cobardia que os autoriza a usar a força contra um ser fisicamente mais débil e a quem foi reduzida sistematicamente a capacidade de resistência psíquica. Há poucos dias, em Huelva, cumprindo as regras habituais dos mais velhos, vários adolescentes de treze e catorze anos violaram uma rapariga da mesma idade e com uma deficiência psíquica, talvez por pensarem que tinham direito ao crime e à violência. Direito a usar o que consideravam seu. Este novo acto de violência de género, mais os que se produziram neste fim-de-semana, em Madrid uma menina assassinada, em Toledo uma mulher de 33 anos morta diante da sua filha de seis, deveriam ter feito sair os homens à rua. Talvez 100 mil homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de género, com resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia.
Publicado em O Caderno de Saramago | Comments Off – Julho 27, 2009

Delicadezas

29 de junho de 2010

por Ivanise Mantovani*

Levantei-me naquela manhã com dor de cabeça e me sentindo febril.

Caminhava pela calçada quando ouvi uma voz débil dizer: – Gosto mais das flores pequeninas.

Mas de onde vinha a voz? Não havia ninguém!

No jardim bem tratado deparei com parte de uma bengala prateada. Meus olhos curiosos atravessaram cerca e folhagens e lá estava uma senhorinha de idade avançada. Debruçava-se sobre um canteiro. Sorria, não para mim.

Acompanhei seu olhar e vi uma borboleta que, de tão deslumbrante, parecia vestida para uma festa. Pairava sobre as flores, asas irrequietas.

Atenta, pretendi ouvir mais.

Logo percebi que as duas trocavam segredos feitos de delicadeza. Surpreendente foi assistir o voo mágico daquelas duas criaturas contornando as flores para alcançarem o infinito.

A bengala? Ficou ali reluzindo ao sol.

*Escritora, poeta e artista plástica.

Mulheres artistas: recortes e reflexões

27 de junho de 2010

por Berenice Sica Lamas

Em uma sociedade em que talvez milhares de mulheres estejam sem espaço para criatividade alem do biológico, com seu imaginário cerceado pelo papel feminino pressuposto da domesticidade, com suas possibilidades de expressão artística interditas, mais do que nunca é necessário pensar, ler, escrever e refletir a respeito.

Merecem lembrança as obras que nunca chegaram ao papel, à tela, à partitura, ao palco, à galeria, ou seja, arte não construída, e não apenas desvelar compositoras, escritoras, pintoras cujas obras chegaram ao domínio publico. Nossa cultura reconhece a competência para criar como qualificativo masculino, dificultando espaços ao trabalho da mulher artista profissional. Não faz parte da representaçao da sociedade aceitar a posição de criação cultural da mulher, em que sua capacidade criativa, sua imaginação criadora prescindem do útero. Uma das implicações em uma sociedade de domínio masculino é a mulher ser cerceada em sua expressão de criaçao artística, como uma maneira de aprisiona-la.

O fato de algemar seu imaginário, não permitindo que expresse sua visão de mundo, que narre suas experiências, é outra forma de anula-la e manter o domínio. Uma mulher artista foge ao olhar patriarcal, que não consegue prende-la nem domina-la. Ela escancara através de sua obra o seu desejo, suas lutas, magoas, e denuncia o regime masculino. Com sua arte ela abre espaços políticos, um novo poder, um questionamento, uma dissonância nos papeis postos.

Passa a haver uma inserção consistente e consciente da mulher na sociedade, pois suas obras tem um significado socio histórico que transmite às pessoas uma recriação do real que pode leva-las à reflexão/açao/mudança. Isso porque há uma ruptura das representações sociais. A condiçao humana da mulher não é somente de reprodução, mas de reproduzir transformando. A mulher artista inclui um novo conteúdo em seu projeto de vir a ser.

O imaginário social pressuposto e historicamente construído do papel feminino é de um ser acessório, subalterno e cristalizado nas atividades da domesticidade e determinado para reproduzir a espécie. A mulher artista rompe com essa representação, pois possui a capacidade de açao inerente ao humano. Não serve unicamente à reprodução com seu suporte biológico, mas empreende uma ação transformadora. Ela não é exclusiva procriadora, e sim autora/atriz de sua vida, utilizando sua capacidade de invençao, imaginação, buscando a transcendência da arte. A socialização impõe os pressupostos, que são continuamente repostos e tendo também continuamente movimentos de ruptura. É capaz de vontade, empreendimento e ação. Ato volitivo e fazeçao. Inventora, buscando o ilimitado, burlando a finitude humana, cumprindo missão de sujeito e cidadã.

Na sociedade patriarcal, criar arte e cultura, alem de filhos, é provocativo e ameaça o status quo. Sair da cozinha e do cuidado dos filhos e competir com os homens, criando cultura, não é compatível com o pressuposto para a mulher. E ainda por cima na área das artes, não valorizada por não ser considerada de resultados produtivos, repleta de representações: “cantar não é trabalhar”, “pintar não é trabalhar”, “escrever não é trabalhar”. A vida cotidiana da mulher artista, enriquecida por suas atividades profissionais de criação, é libertaria e revolucionaria, remetendo a mulher a uma autonomia, emancipação e superaçao de suas vivencias anteriores de rejeições, proibições, lutas e resistencias.

*Psicóloga, escritora, ensaísta e orientadora de oficinas literárias.

Poemas de Humanidade

30 de maio de 2010

Por Luiz Antonio de Assis Brasil

Pontes de Miranda é um nome mítico nas letras jurídicas, uma geração inteira aprendeu a admirá-lo, e seu imenso Tratado de Direito Privado permanece um marco da doutrina internacional. Só os mais familiarizados com sua obra sabem que foi, também, um filósofo, um humanista, um matemático, e agora, pelas mãos da Betty Yelda Brognoli Borges Fortes, tradutora e estudiosa, sabemos tidos que foi um poeta, e um poeta superior, com exata noção da força da palavra.

Este livro Poemas e Canções (Poèmes et Chansons) publicado originalmente na língua francesa, é dividido em cinco partes, nominados sucessivamente como inscrição da coluna interior, Penetração, Suíte dos músicos, Sinfonia Humana e Cantos e Poemas. Muito embora imaginemos que o poeta desejasse ser entendido como alguém que, à semelhança de Fernando Pessoa, contivesse dentro de si várias modulações estéticas e de conteúdo, podemos intentar uma análise compreensiva de Poemas e Canções, ainda que superficial perante a grandeza da obra. Isso será feito na identificação de algumas vertentes temáticas dominantes; outras haverá, por certo, mas que, dada a natureza introdutória deste escrito, terão de ficar para outros hermeneutas, quiçá mais competentes.

O sentido da musicalidade – Eis algo visível (audível?) em Poemas e canções. A escolha do poema de Victor Hugo não foi aleatória, ou mera garridice para impressionar seus contemporâneos; foi uma decisão em que deve ter pesado muito a harmonia, reconhecida como uma bela qualidade do Francês. A medida em que lemos o original e, a seguir, a bela tradução de Betty Borges Fortes, que manteve a sonoridade da obra, percebemos o quanto seu autor dava tento à escansão do verso, ainda que livre. Bem sabia que, mesmo lido, o poema obriga-nos a uma respiração, vestígio, ainda, do tempo em que todo o texto era recitado.

Este livro é uma bela surpresa para todos, e todos somos devedores da tradutora Betty Borges Fortes que, com seu talento, sua audácia intelectual, seu denodo e, sobretudo, sua persistência, soube transpor para o Português um livro de que estávamos à espera – mesmo sem o saber.
Boa leitura.

Para adquirir a obra contate www.fnac.com.br no Barra Shopping Porto Alegre.