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Relacionamento de uma pessoa com outra

6 de setembro de 2011

Marco Antonio Fetter*

Nem o amor, e muito menos o casamento, surgiram assim sem mais nem menos. Foi criado, estruturado, se fez para atender algumas necessidades, ou melhor, o sentimento do amor e a instituição do casamento nasceram para atender as nossas melhores necessidades. Da alma e da vida. De uma vida com alma.

… é de se perguntar, então: onde e como começou o casamento? Por mais que alguns queiram acreditar, a caricatura do homem da caverna arrastando sua noiva pelos cabelos para a sua caverna não foi…com toda a certeza, o modo pelo qual o casamento começou.

Outros entusiastas teóricos românticos podem especular que o homem começou em bandos de laços frouxos partilhando sexo, companheiras e filhos, juntamente com sua comida. Mas, embora tal opinião de vida comunal promíscua seja intrigante, os antropólogos não encontram provas para sustentar essas idéias propostas por antigos antropólogos e filósofos.

Mesmo os nossos parentes mais próximos entre os primatas não vivem em bandos promíscuos – podem ser mais ecléticos em sua vida sexual do que gostamos de pensar que somos, mas eles também seguem certas normas  de relacionamento.

Simplesmente não sabemos quais foram às primeiras normas do homem no casamento embora se especule que o “vínculo do par” foi à unidade fundamental do homem em suas fases iniciais de desenvolvimento humano. 

Mas isso é apenas uma teoria, e, como as pesquisas da história humana e antropológica nos mostram, o modo de vinculação do homem no casamento tem sido espantosamente diverso, variando desde a monogamia até a poligamia. Entretanto, naquelas sociedades em que se preferem outras formas de casamento, a monogamia também existe, é uma norma universal em todas as sociedades do mundo.

Esse tipo de união da mulher e do homem pode não ser sexualmente exclusivo ou durar a vida inteira, mas sua presença em toda parte confirma o fato de que o relacionamento de uma pessoa com outra é uma norma humana básica.

O relacionamento de uma pessoa com outra satisfaz as necessidades profundamente humanas do indivíduo, as necessidades desenvolvimentistas e psicológicas da intimidade, confiança, afeição, associação e validação da experiência. Não precisa ser permanente, exclusivo ou dependente, mas o relacionamento de duas pessoas – de uma com a outra – permite uma aproximação e intimidade psicológica que nenhuma outra espécie de relacionamento oferece.

Na teoria, o casamento não deve ser necessário para haver um relacionamento de uma pessoa com outra. Na verdade, nem é preciso haver casamento para se legitimar um filho. Num mundo de verdadeira compreensão humana, o filho deve ser legítimo porque nasceu. Todos os requisitos para cuidá-lo – cuidado maternal, garantia de interdependência e cooperação com os outros, podem ser atendidos sem o casamento legal.

O amor e o companheirismo existentes entre um casal não necessitam de documento nenhum para fazê-los atuar ou assegurar sua existência. Ou precisam?

O compromisso com outra pessoa não pode ser legislado ou registrado. O “verdadeiro compromisso vem de dentro, não de fora de um relacionamento”. A assinatura de um contrato não pode garantir a ninguém o compromisso de outra pessoa no sentido emocional; porque a ausência de tal contrato deve significar falta de compromisso? Não deve, é claro. Mas, infelizmente, às vezes significa, e bastantes vezes para permitir que aqueles que acreditam no compromisso da companheira (ou companheiro) pensem duas vezes. Não precisaríamos do contrato de casamento, na realidade, se todos nós tivéssemos alcançado uma etapa de desenvolvimento humano que assegurasse responsabilidade e confiança mútuas entre todas as pessoas. 

*Doutor em Sociologia da Família – www.rebraf.com.br

A arte de seduzir

30 de março de 2011

por Frei Betto*

Toda ditadura é megalômana. E a que governou o Brasil sob botas e fuzis, de 1964 a 1985, não foi diferente. A construção da rodovia Transamazônica simboliza a arrogância do regime militar.

Rasgou-se a selva de leste a oeste. Abriu-se a estrada em paralelo a caudalosas vias fluviais. Em vez de aprimorar o sistema de navegação pelo rio Amazonas e seus afluentes, a ditadura preferiu obrigar a floresta a ajoelhar-se a seus pés. Possantes máquinas puseram abaixo árvores milenares encorpadas de madeiras nobres, destruíram ecossistemas preciosos, alteraram o equilíbrio ecológico da região.

Tudo em nome de uma palavra tão propalada e, no entanto, vazia de significado: desenvolvimento. Leia-se: exploração predatória da maior floresta tropical do mundo, aberta à voracidade de mineradoras, madeireiras e, sobretudo, do latifúndio predador, quase sempre movido a trabalho escravo.

“No meio do caminho havia uma pedra”, repetiria Drummond. Povos indígenas. Como impedir que oferecessem resistência? Simples: através da arte de seduzir. A Funai ergueu tapini (cabanas de folhas). Dentro, utensílios de caça e cozinha, ferramentas etc. Os índios, encantados com os objetos, acolhiam gentilmente os caras-pálidas. E ingenuamente eram cooptados pelas relações mercantilistas. Em troca de bugigangas perdiam saúde, terras, liberdade e vida.

Detalhe: o mato, não o gato, comeu a Transamazônica, fonte de riqueza e poder de umas tantas empreiteiras.

Hoje, os índios somos todos nós. Os tapini, os shopping, a publicidade, as veneráveis bugigangas que nos agregam valor. O inumano imprime sentido ao humano, como faziam os deuses de ouro denunciados pelos profetas bíblicos: tinham boca, mas não falavam; olhos, mas não viam; ouvidos, mas não escutavam; pés, mas não andavam…

Estamos todos somos sob o efeito hipnótico do consumismo. Não importa se o produto é frágil ou de má qualidade. Seu design nos cativa. Sua publicidade nos faz acreditar que estamos comprando a oitava maravilha do mundo! E, ingenuamente, que se trata de um produto durável, mesmo conscientes de que o capitalismo não se importa com o direito do consumidor, e sim com a margem de lucro do produtor.

Como se livrar do labirinto consumista que, na verdade, se consuma nos consumindo? Não vejo outra porta de saída fora da espiritualidade, somada a uma nova visão do mundo. Sem espiritualidade corremos o risco – sobretudo os mais jovens – de dar importância àquilo que não tem. Imbuídos da baixa autoestima que nos incute a publicidade (“você não é ninguém porque não possui este carro, não veste esta roupa, não faz esta viagem…”) encaramos a mercadoria como algo que nos agrega valor. Não basta a camisa, a bolsa ou o tênis. Têm que ser de grife, com a etiqueta exibida do lado de fora. Assim, todos à nossa volta haverão de reconhecer o nosso status. E quiçá invejar-nos. E aquele ser humano que, ao lado, carece de produtos refinados, é visto como não tendo nenhuma importância. Pois não se enquadra no atual princípio pós-cartesiano: “Consumo, logo existo.”

É espiritualizada toda pessoa cujo sentido de vida deita raízes em sua subjetividade e cujas opções são movidas por ideais altruístas. Ela não faz do que possui -conta bancária, títulos, casa, carro etc.- seu fator de autoestima. Sabe que tem valor em si, que não é nutrido pela posse de bens e sim por sua capacidade de fazer o bem aos outros. Sua autoestima se funda na generosidade, solidariedade e compaixão. Ela é feliz porque sabe fazer outras pessoas felizes.

O mercado tudo oferece. Todos os seus produtos nos chegam embrulhados em papel de presente: se compramos este carro, seremos felizes; se bebemos aquela cerveja, nos sentiremos alegres; se adquirimos tal roupa, ficaremos joviais. O único bem que o mercado jamais oferta é justamente este que mais buscamos: a felicidade. No máximo, o mercado tenta nos convencer de que a felicidade é o resultado da soma de prazeres.

Ora, a felicidade é um bem do espírito, jamais dos sentidos, da cobiça ou da arrogância. É feliz quem ousa destampar o próprio ego e conectar-se com o Transcendente, o próximo e a natureza. Esse irromper para fora de si mesmo tem nome: amor. E se manifesta nas dimensões pessoal, no dom de si ao outro, e na social, no empenho de construir um mundo melhor.

* Escritor e assessor de movimentos sociais
Fonte: Adital

O Caminho da Tranquilidade

31 de janeiro de 2011

Dalai Lama

É através da arte de escutar que seu espírito se enche de fé e devoção e que você se torna capaz de cultivar a alegria interior e o equilíbrio da mente.

A arte de escutar lhe permite alcançar sabedoria, superando toda ignorância. Então, é vantajoso dedicar-se a ela, mesmo que isso lhe custe a vida.

A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância.

Se você é capaz de manter sua mente constantemente rica através da arte de escutar, não tem o que temer.

Este tipo de riqueza jamais lhe será tomada. Essa é a maior das riquezas.

Creio que há uma importante distinção a ser feita entre religião e espiritualidade.

Julgo que a religião esteja relacionada aos ensinamentos ou dogmas religiosos, rituais, orações e assim por diante.

Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano – tais como o amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia – que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros.

É por isso que às vezes digo que talvez se possa dispensar a religião.

O que não se pode dispensar são essas qualidades espirituais básicas.
Os inimigos externos não são permanentes. Se lhes mostrarmos respeito, eles se tornarão nossos amigos.

Mas o inimigo interno é um eterno inimigo a quem nunca devemos ceder.

Este inimigo mora em nossos corações.

Não podemos transformar os maus pensamentos em nossos amigos, mas precisamos confrontá-los e controlá-los.

A essência de toda a vida espiritual é a emoção que existe dentro de você, é a sua atitude para com os outros.

Se a sua motivação é pura e sincera, todo o resto vem por si.

Você pode desenvolver essa atitude correta para com seus semelhantes baseando-se na bondade, no amor, no respeito e, sobretudo na clara percepção da singularidade de cada ser humano.

A estação das flores em cada um de nós

30 de maio de 2010

por Luiz Machado, Ph.D*

Natureza se renova a cada primavera: o desabrochar das flores indica a abertura para nova fase na vida: flor, semente, fruto. Também em nossa vida pode haver renovação. No outono, as folhas caem. Na estação seguinte, primavera, surgem as flores.

Será que não podemos seguir o exemplo da Natureza e criarmos um outono mental em que exerçamos a expiação para fazer uma limpeza em nossa mente: dos medos, da ansiedade, das culpas, dos ódios, da raiva, dos rancores, da inveja e de todos os sentimentos ruins que atravancam nossa mente não deixando espaço para os sonhos que se transformam em objetivos e, por fim, em resultados.

As religiões, desde as mais primitivas, pregam a limpeza da mente para colocar nela os quadros mentais emotizados do que se pretende conseguir.

Em emotologia, nós mostramos que, se a mente estiver entulhada com sentimentos que consomem energia, onde haverá espaço e energia para conseguirmos o que queremos? E mais, nós mostramos que tudo o que a Emotologia preconiza deve ser uma prática diária e, pelo menos, uma vez por ano como, por exemplo, na primavera, fazer uma limpeza profunda em nossa mente para que a emotização produza seus resultados. Evidentemente, há várias técnicas não só para a limpeza da mente como para enchê-la com os quadros mentais emotizados do que queremos conseguir. Sabemos que não é fácil, por isso mesmo precisa ser uma prática diária.

Uma vez me ocorreu de fazer um levantamento de como eu estava gastando minhas energias e fiquei muito assustado, o que me conduziu a um processo de mudança interior. Então, eu convido você a verificar quanta energia você está gastando com sentimentos ruins e quanto está empregando naquilo que deseja conseguir. É possível que esteja desperdiçando 80% e empregando apenas de 10% a 20% para conseguir os resultados pretendidos, na vida, na profissão, na situação financeira etc. A primavera é uma boa época para fazer esse exame de consciência.

*Cientista Fundador da Cidade do Cérebro – Mentor da Emotologia
Fonte: www.cidadedocerebro.com.br

Emotologia: a ciência do ser humano

30 de maio de 2010

Prof. Luiz Machado

Inicialmente, façamos algumas considerações sobre ciência. A palavra vem do particípio presente latino sciens, do verbo scire, “saber”. Quando queremos ir na essência do conhecimento é sempre aconselhado recorremos à etimologia para aumentar nossa percepção; assim, no caso de ciência, a idéia é mais voltada para o que se sabe e como se sabe que o objeto de estudo.

Na verdade, ninguém sabe realmente o que é ciência, assim como também não se define o que é arte. Mas sabemos que a ciência está mais voltada para a maneira como encaramos o conhecimento, sem distorções, sem quaisquer visões que tentem modificar a análise dos fatos, procedendo com total isenção, e não o tipo de conhecimento em si. A idéia errônea de que ciência é tudo aquilo que dá estouro no laboratório vem do tempo dos alquimistas e é totalmente ultrapassada.

A ciência procura desvendar o oculto por meio da atitude do pesquisador, por procedimentos guiados pelo espírito científico, isto é, com rigor, objetividade, sem preconceitos, sem tendenciosidade, com fundamentos metodológicos precisos.

Em relação à emotologia, comecemos pela origem da palavra: do latim e (x), “fora”, “para fora”, motio, “ação de mover” e o pospositivo grego –logia, de lógos, “tratado”, “estudo de”, mais o sufixo –ia, que forma nomes de ciências.

A palavra emotologia é um hibridismo, formada de elementos latinos e (x), motio e outro grego lógos, da mesma forma que a palavra sociologia, do latim socius, “companheiro” e lógos, criada por Auguste Comte para indicar o estudo científico da organização e do funcionamento das sociedades humanas e das leis fundamentais que regem as relações sociais, as instituições etc.

A emotologia é um corpo de conhecimentos sistematizados com base em elementos das neurociências e da física quântica, que, adquiridos via observação direta, identificação, descrição, investigação experimental, pesquisa e explicação teórica de determinadas categorias de fenômenos e fatos, são metódica e racionalmente formulados para promover o desenvolvimento das potencialidades humanas como elemento de autopreservação.

Esse é o conceito de emotologia. Conceito é uma síntese de uma noção a que se chegou pelo estudo, pela reflexão, pela experiência. Prefere-se conceito à definição, pois esta última palavra implica contornos bem delineados, com limites bem definidos daquilo que se quer explicar, o que não se consegue com o rigor exigido no campo das ciências.

Vamos analisar o conceito: um corpo de conhecimentos sistematizados. Muitos dos conhecimentos abrangidos pela emotologia encontravam-se esparsamente distribuídos em outros campos do saber humano e aqui nós os reunimos para dar-lhes consistência e destaque tal a sua relevância para as pessoas; com base em elementos das neurociências e da física quântica. A neurociência (esta palavra também é usada no plural: neurociências) indica qualquer ciência que se refere ao sistema nervoso; física quântica, ciência que investiga as leis do universo no que se refere às partículas extremamente pequenas ou no que diz respeito à energia; adquiridos via observação direta.

A observação direta é um método científico. O que faz um conhecimento ser científico não é a sua natureza e, sim, a maneira como é estudado e apresentado. A identificação é o ato ou efeito de conhecer, de reconhecer, de distinguir os traços característicos de alguma coisa, no caso, para poder estudá-los com rigor; descrição: depois de observados fenômenos e fatos vem a descrição, que consiste numa representação do que foi verificado; investigação experimental que consiste no fato de as mesmas causas produzirem os mesmos tipos de efeitos, podendo o ato ser repetido.

A emotologia tem leis e efeitos; pesquisa é um conjunto de atividades que têm por finalidade a descoberta de novos conhecimentos no domínio científico, literário, artístico etc.; explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos indica o ato de tornar claro aos outros o resultado da observação, identificação e conclusões destacando as características comuns para melhor compreendê-los; são metódica e racionalmente formulados indica que o método científico, com racionalidade, isto é, comparados os dados e informações, deduziram-se conseqüências e foram enunciados de forma precisa conforme os estudos; para promover o desenvolvimento das potencialidades humanas como elemento de auto-realização – aqui está a grande razão de ser da emotologia pois a auto-realização é o maior fator de motivação para que o ser humano cumpra sua destinação biológica e a Natureza persiga sua maior finalidade: a preservação da espécie. Esse é o objeto da Emotologia.

Fonte: www.cidadedocerebro.com.br