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Mulheres desaprovam retrato que mídia faz delas

10 de janeiro de 2012

Corpo, mídia e sexualidade. Este é um dos temas da pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, realizada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, por meio de seu Núcleo de Opinião Pública, e em parceria com o SESC, mostra como a mulher se sente em relação ao próprio corpo.

Se os homens em geral apreciam ver rostos e corpos de belas mulheres na publicidade e em programas de TV, para as mulheres essa representação, além de pouco atraentre, contribui para uma desvalorização da classe feminina.

Confira alguns números da pesquisa

Para Gustavo Venturi, professor do departamento de sociologia da Universidade de São Paulo e um dos coordenadores da pesquisa, a opinião das entrevistadas ”mostra um amadurecimento da reflexão sobre a imagem da mulher. O percentual de desaprovação já era alto em 2001 e agora, cresceu mais. Isso mostra que elas estão conscientes de que a mídia, muitas vezes, impõe padrões que não são reais e que não representam a figura feminina”.

Outro dado interessante revelado pela pesquisa é que a grande maioria das mulheres (74%) é a favor de algum tipo de controle (governamental ou do próprio mercado) sobre o teor do conteúdo exibido pela publicidade e pela mídia. “Esse índice nos causou bastante surpresa porque é comum a sociedade reagir de maneira negativa a qualquer possível ideia de controle ou censura”, comenta o pesquisador.

Quatro em cada cinco (80% hoje, 77% em 2001) acham ruim que “na televisão sempre tem programas com mulheres dançando com roupas curtas, mostrando bastante o corpo”, sobretudo por avaliar que isso “dá muita atenção só para o corpo e desvaloriza todas as mulheres” (51%, contra 56% antes).

Três em cada quatro brasileiras (74%) são favoráveis a “um maior controle da programação e da publicidade na TV”, dividindo-se entre as que acreditam que isso deve ser feito por autorregulamentação das TVs e agências de publicidade” (38%), as favoráveis a uma “maior fiscalização ou censura por parte do governo” (37%), e ainda as que prefeririam o controle “por um órgão ou conselho com pessoas da sociedade” (20%).

A maioria das mulheres (64% hoje, 59% em 2001) avalia que de um modo geral elas próprias “saem perdendo” por ser comum no Brasil usarem “roupas que marcam o corpo, como calças justas, saias curtas e blusas decotadas”. Apenas 9% acreditam que as mulheres “saem ganhando” com isso (18% em 2001).

Apenas 50% das mulheres hoje (54% em 2001) declaram-se totalmente satisfeitas “com sua aparência física” em comparação a 70% dos homens.

Entre a quase metade das mulheres (47%) que não está plenamente satisfeita com sua aparência, declaram-se espontaneamente descontentes com a barriga 15%, acima do peso 14% e com os seis 7%.

Fonte: Meio & Mensagem/Fundação Perseu Abramo

Mulheres desaprovam retrato que mídia faz delas

6 de setembro de 2011

Corpo, mídia e sexualidade. Este é um dos temas da pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, realizada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, por meio de seu Núcleo de Opinião Pública, e em parceria com o SESC, mostra como a mulher se sente em relação ao próprio corpo.

Se os homens em geral apreciam ver rostos e corpos de belas mulheres na publicidade e em programas de TV, para as mulheres essa representação, além de pouco atraentre, contribui para uma desvalorização da classe feminina.

Para Gustavo Venturi, professor do departamento de sociologia da Universidade de São Paulo e um dos coordenadores da pesquisa, a opinião das entrevistadas ”mostra um amadurecimento da reflexão sobre a imagem da mulher. O percentual de desaprovação já era alto em 2001 e agora, cresceu mais. Isso mostra que elas estão conscientes de que a mídia, muitas vezes, impõe padrões que não são reais e que não representam a figura feminina”.

Outro dado interessante revelado pela pesquisa é que a grande maioria das mulheres (74%) é a favor de algum tipo de controle (governamental ou do próprio mercado) sobre o teor do conteúdo exibido pela publicidade e pela mídia. “Esse índice nos causou bastante surpresa porque é comum a sociedade reagir de maneira negativa a qualquer possível ideia de controle ou censura”, comenta o pesquisador.

Confira alguns números da pesquisa: 

Quatro em cada cinco (80% hoje, 77% em 2001) acham ruim que “na televisão sempre tem programas com mulheres dançando com roupas curtas, mostrando bastante o corpo”, sobretudo por avaliar que isso “dá muita atenção só para o corpo e desvaloriza todas as mulheres” (51%, contra 56% antes).

Três em cada quatro brasileiras (74%) são favoráveis a “um maior controle da programação e da publicidade na TV”, dividindo-se entre as que acreditam que isso deve ser feito por autorregulamentação das TVs e agências de publicidade” (38%), as favoráveis a uma “maior fiscalização ou censura por parte do governo” (37%), e ainda as que prefeririam o controle “por um órgão ou conselho com pessoas da sociedade” (20%).

A maioria das mulheres (64% hoje, 59% em 2001) avalia que de um modo geral elas próprias “saem perdendo” por ser comum no Brasil usarem “roupas que marcam o corpo, como calças justas, saias curtas e blusas decotadas”. Apenas 9% acreditam que as mulheres “saem ganhando” com isso (18% em 2001).

Apenas 50% das mulheres hoje (54% em 2001) declaram-se totalmente satisfeitas “com sua aparência física” em comparação a 70% dos homens;

Entre a quase metade das mulheres (47%) que não está plenamente satisfeita com sua aparência, declaram-se espontaneamente descontentes com a barriga 15%, acima do peso 14% e com os seis 7%.

Meio & Mensagem/Fundação Perseu Abramo

Projeto Crescer

20 de julho de 2011

Equilíbrio profissional, liderança no mercado, comportamento, capacitação.

Confira o depoimento de Eloá Muniz e conheça mais sobre o projeto Crescer.

http://www.crescerhumano.com.br

Dias 05, 06 e 07 de agosto o projeto apresenta o curso de Programação Neurolinguística Vivencial. Saiba mais e Participe!

Ana é mulher de fibra e coragem

12 de julho de 2011

por Silvio Tendler*

Ana não é de desistir no meio da caminhada, logo agora que começa a descobrir as primeiras traições e jogos de interesse pessoais. Tão perto de si, do seu gabinete, dentro do ministério que comanda. Ana já deve ter percebido olhares e sorrisos matreiros que conspiram enquanto afagam.

Muita espuma se faz contra Ana de Hollanda, que está fazendo um trabalho realmente sério à frente de um dos ministérios mais complicados de administrar.

Já ocupei o cargo de Secretário de Cultura de Brasília durante a administração Cristovam Buarque de Hollanda e sei o quanto é difícil administrar artistas e seus egos. E Ana está apagando incêndios, à frente de uma gestão herdeira de uma dívida de mais de 600 milhões de reais e em face a um contingenciamento de verbas que tolhe as ações do ministério.

A briga em torno do tal do Creative Commons é assunto de lobista. Os Creative Commons não oferecem nada mais que os copyrights e quem ganha com essa briga são advogados e seus contratos milionários. Quando se trata de copyright X copyleft aí a coisa muda de figura, pois discutimos direitos versus liberação total. Os mecanismos de liberação parcial de direitos oferecidos pelo Creative Commons também existem nocCopyright na medida em que o autor faz o que bem quiser com sua obra. Tudo não passa de demagogia para vender balangandãs para índios colonizados. Basta colocar na documentação do ministério “livre para reprodução desde que citada a fonte” e ponto, menos um problema para resolver.

Quanto ao cinema, a ministra tem acertado e nossa relação hoje com a Ancine melhorou muito com a chegada da Ana de Hollanda.

Falta nas outras áreas uma agenda positiva e propositiva que coloque a estrutura do ministério em marcha. Os secretários que se manifestem e apresentem seus programas de ação já!

Quem foi o gênio que aconselhou a ministra a receber diárias desnecessárias enquanto permanecia o final de semana no Rio de janeiro, em sua casa, aguardando o trabalho na segunda feira? Isso não é assunto para ministro. Quem aconselhou ao erro deveria apresentar-se como o responsável pela bobagem que a fragilizou.

Continuo solidário a Ana de Hollanda e tenho certeza que ela superará essa crise.

* Documentarista, diretor de Anos JK, Jango e Utopia e Barbárie, entre outros clássicos do cinema brasileiro.

SARAU WISLAWA NO 68° ANIVERSARIO DA ALFRS

22 de maio de 2011

por Berenice Sica Lamas

Em 11 de abril a Academia Literária Feminina comemorou 68 anos de sua fundação em 1943 com um Sarau em homenagem à poeta polonesa Wislawa Szymborska, lembrando ainda o ano Chopin festejado em 2010. Estiveram à frente do evento Tiago Halewicz, pianista e curador-adjunto do Studioclio e Carmen Presotto, poeta e gestora do site Vidraguas.

Tiago relatou fatos da vida da poeta, entrelaçando leituras de seus poemas, e Carmen também dizia poemas. As vezes recitavam juntos alguns poemas, conferindo um belo efeito à voz de Wislawa. Tiago recitou um em língua polonesa e mesmo sem o significado – após revelado em português – encantou o publico pela sonoridade e assonância descobertas em língua desconhecida. Poesia é universal, em qualquer idioma. Foi utilizado o volume “Memória Cultural Polonesa”, livro de autoria do próprio Tiago, que ao final do evento, vendeu vários exemplares.

Wislawa possui uma obra extensa, sendo detentora do Premio Nobel de Literatura de 1996. Atualmente aos 88 anos de idade ainda escreve e vive com simplicidade. Privilegia o canto do cotidiano em seus versos, o social, o político e a cultura.

Uma brevíssima amostra – fragmentos – de seus versos:
“EXEMPLO

Um vendaval
despojou todas as folhas das árvores ontem à noite
com a excepção de uma folha
deixada
a baloiçar sozinha num ramo nu.

Com este exemplo
a Violência demonstra
que sim, senhor –
gosta da sua piadinha de vez em quando.”

“Nada acontece duas vezes
e nem acontecerà. Por este motivo
nasceremos sem pratica
e morreremos sem rotina.” …

… “São treze e vinte.
Como o tempo voa.
Deve ser agora.
Ainda não.
Sim, è agora.
A bomba, ela explode”.

“Depois de toda guerra
Alguém precisa fazer a limpeza.
Já que uma ordem como essa
Não vai se fazer sozinha” …

“Somos filhos da época,
A época é política.
Todos os teus, nossos, vossos

Assuntos diurnos, assuntos noturnos
São assuntos políticos” …

Durante e depois da apresentação de Tiago e Carmen, o publico foi bastante participativo com questões, indagações e esclarecimentos sobre a biografia e obra da poeta em foco. O Sarau suscitou muito interesse, pelo observado.

Carmen, em um gesto sensível e delicado, ofereceu uma cesta com rosas em diversos tons de amarelo, bege, amarelo-rosado e branco. Junto às flores, envelopes contendo fragmentos de textos e/ou poemas das 40 patronas das cadeiras da Academia. A cesta passou entre o publico, que foi retirando as rosas e os envelopes, e lendo seus conteúdos, conferindo ao sarau um tom inusitado e de homenagem nostálgica. Portanto, foram lembradas literariamente as patronas no dia do 68° aniversario da Academia, em uma justa e bela homenagem.

A presidente da Academia – Eloá Muniz – ainda entregou 3 diplomas de sócias participativas a três novas integrantes,(aqui favor colocar o nome das 3 – eliete, Isabel ….) pessoas que colaboram e prestigiam a Academia. A acadêmica Teniza Spinelli ofereceu de surpresa uma homenagem à Academia e ao publico presente ao Sarau: a apresentação de uma poética espacial encantadora. A bailarina e coreógrafa integrante do Grupo MEME – memória do movimento – Thais Helena de Freitas dançou em coreografia de sua autoria ao som de belíssima musica clássica, recitando o poema Quintal de Osório, de autoria da referida acadêmica, de seu livro Genius Loci da Coleção Sempre Viva da ALFRS. A coreógrafa valeu-se das palavras e respectivas imagens do poema para transformá-las em movimento.

As atividades do sarau pareciam se entrelaçar de modo harmonioso, sucedendo-se num clima intelectual e amistoso. Após todos confraternizaram e brindaram em delicioso coquetel.

Escritora e Poeta

O Livro dos Erros

22 de maio de 2011

por Lícia Peres*

Uma das coisas mais aberrantes com que nos defrontamos neste momento é a utilização de livros destinados à educação com erros crassos da língua portuguesa, ou melhor dizendo, a deseducação institucionalizada. E o MEC serve para quê? Não é sua obrigação defender o nosso idioma como dispõe o artigo 13 da nossa Constituição?

É sabido que a educação se dá através da consolidação do conhecimento. É, portanto, dever da escola ensinar certo, corrigindo quem fala errado, não por discriminação, mas justamente para auxiliar os estudantes no domínio da sua língua materna que os auxiliará no processo de mobilidade social.

A tentativa de alguns ditos especialistas em linguística de flexibilizar as regras da escrita é um tremendo equívoco. “Os pé”, “menas”, “nós fumo”, e tantas expressões oriundas de um aprendizado deficiente em famílias iletradas devem, na escola, ser corrigidas. Assim a instituição estará cumprindo sua função de preparar os estudantes para competir, em igualdade de condições, com aqueles de famílias mais cultas. Não é possível, de forma paternalista, sonegar-lhes o direito de aprender, deixando “passar” os erros cometidos. Até porque o alunato, em qualquer nível, tem aspirações e quer melhorar sua condição de vida. Assim, muitos, mesmo com sacrifício, trabalham de dia e frequentam a escola noturna.

Ademais, há um aspecto que não pode ser desconsiderado. Em qualquer concurso, a exigência em relação ao conhecimento da língua portuguesa costuma ser rigorosa e até mesmo eliminatória. Como alguém oriundo de um ensino deficiente desde as séries iniciais poderá ter êxito em suas pretensões? Nesse caso constata-se a verdadeira discriminação: a que limita de antemão a ascensão dos mais pobres transformando seus sonhos em mera ilusão.

*Socióloga

O Enigma do Tempo Retido nos Museus

19 de maio de 2011

Teniza Spinelli*

A frequente comparação do museu com uma máquina do tempo – que desloca e transporta o indivíduo para outros mundos – leva-nos a crer que o espaço expositivo no museu, de fato, nos conduz a um tempo diferenciado e inusitado. Esse tempo concebido e problematizado – foco do olhar – pode ser o passado, o presente ou mesmo a projeção de um tempo ou lugar do futuro. Mas seguramente nunca será o tempo real vivido pelo visitante fora do espaço artificial, idealizado e institucionalizado. Porque o tempo no espaço da exposição museológica será sempre um simulacro do tempo real.

Para esclarecer essa assertiva fomos buscar inspiração em uma antiga lenda oriental. Trata-se da história de Urachima Taro, famoso pescador japonês e sua viagem a um mundo desconhecido.

Urachima, ao salvar uma estranha tartaruga maltratada por garotos, em uma praia de sua aldeia, liberta, sem saber, uma princesa encantada, filha do rei do mar. Como prêmio, a princesa o convida a conhecer o seu palácio, no fundo das águas. Impressionado por aquele mundo, Urachima se envolve e, acaba permanecendo ali, casado com a princesa.

A lenda, pela riqueza dos fatos abordados, nos permite fazer inúmeras reflexões: a tartaruga, por ter vida longa, constitui-se num símbolo milenar da passagem do tempo em seu lento, constante e irreversível percurso. Ela é ainda, neste caso, um vetor de comunicação. Em um museu, a exposição é o espaço do estranhamento, do hermético a decifrar. Trata-se de um local onde o visitante se percebe através dos objetos e, ao reconhecê-los, se conhece e se transforma. A mensagem contida nos objetos (meios), proposta pelo emissor (profissional do museu) no contexto museológico está destinada ao visitante-receptor denominado público de museu.

Na história em questão, o pescador é este indivíduo-visitante. Ao mesmo tempo em que ele desencanta/desvela o objeto olhado – na lenda a tartaruga/princesa – ele é também por ela encantado, gerando-se uma transformação. Urachima acaba fascinado pelo desconhecido: o mundo submerso da memória.

Que tempo é este que Urachima encontra no fundo do mar? Não é o tempo que ele viveu na aldeia, nem o tempo futuro que desconhece. Trata-se de um tempo presente, porém um tempo paralelo coexistente ao seu.

Conforme a lenda, a busca interior do personagem o consome. Embora vivendo com a princesa e rodeado de fabulosos tesouros, Urachima não consegue ser feliz. Como um exilado, ele teme perder a identidade e, por isso, deseja reencontrar aquele passado deixado para trás. Decidido a partir, recebe da princesa uma caixa fechada. Ela recomenda-lhe que não a abra, caso contrário jamais poderá regressar e vê-la novamente. A caixa nas mãos de Urachima representa uma incógnita. Assim como a tartaruga, este objeto é um vetor simbólico da comunicação com o tempo. A caixa contém o segredo do conhecimento ali acumulado e encerrado.

Cumprida a saga do retorno, no momento em que Urachima volta à tona, aflora à superfície das águas e caminha pela orla da praia, ele não reconhece mais a antiga aldeia. Descobre que seus parentes e amigos haviam morrido há séculos. Percebe que o tempo não tinha a mesma equivalência nos dois mundos. A lenda nos leva a crer que não há caminho de volta no tempo. Quando se move uma porta, não há retorno para o mesmo lugar, mas sim um abrir-se para o novo – um tempo reinaugurado. A identidade se constrói no caminhar e não no tentar reaver o que ficou para trás.

Como derradeira chance, em busca do auto-conhecimento, Urachima tenta reverter o tempo e projeta o futuro no fundo do mar. Mas o fundo do mar agora era passado. Desesperado, sem entender o enigma, Urachima esquece a recomendação da princesa e abre a caixa. Tal como a caixa de Pandora, ela contém um segredo, uma revelação radical para o visitante. Seu interior desvenda para ele a materialidade do tempo e opera nele uma transformação física. Urachima começa a envelhecer com rapidez e transforma-se num ancião. Amadurecido pelos anos e pelo conhecimento acumulado, sozinho, o pescador acaba morrendo na praia, no mesmo lugar da partida, agora também chegada. Cumpre-se assim a roda da vida.

Transpondo a lenda para o espaço museológico, podemos deduzir que a incógnita do tempo está contida nos objetos dos museus – signos – em sua relação com as pessoas, pois se tornam vetores de comunicação. O tempo é finito para os seres humanos, porém os objetos permanecem como testemunhos materiais, herdeiros da passagem do homem sobre a terra. Eles são verdadeiras máquinas do tempo a conduzirem os visitantes nos museus. Assim, a memória é uma condição do homem que o diferencia dos animais, pois somente o homem é capaz de capturar o tempo, de entender e traçar a sua própria trajetória e ter consciência de sua finitude.

Concluindo: entrar num museu – não importa qual tipologia – não é necessariamente entrar no passado. É, sobretudo, estabelecer nexos e relações sem fazer juízo de valor entre o velho e o novo, o bom e o mau, o feio e o belo. É exercitar a capacidade humana de reflexão. A memória não está, portanto, nos objetos dos museus, mas na capacidade humana de projetar e perceber nos objetos/bens culturais os condutores de processos mentais e de reflexões.

*Jornalista e museóploga

O que a TV nos manda ver

30 de março de 2011

por Sandra Fernandes*

Você já reparou que temos o hábito consolidado de sentar no sofá, ligar a TV e esperar por informações acerca do que está acontecendo no mundo, dia após dia, ouvindo, consumindo, mas nunca questionan-do? Alguma vez já se perguntou que fatia dos acontecimentos mundiais, nacionais e locais está repre-sentada ali? Já pensou em quanta coisa fica fora dos noticiários? Já parou para refletir que existe al-guém que decide o que entra no ar e o que não entra? Já se perguntou quais critérios essa pessoa usa para fazer essa triagem noticiosa decidindo o que será e o que não será repassado ao telespectador? Será que aquilo que ela considera importante seria o mesmo que você consideraria importante? Se você pudesse selecionar as informações, será que escolheria as mesmas notícias? O que eles mostram ali realmente influencia sua vida?

É assustador pensar que tem alguém decidindo por nós o que iremos saber e aquilo de que não tomare-mos conhecimento. A quem servem esses senhores anônimos, mas conscientes do que fazem, levando mensagens a um público semi-adormecido? Precisamos acordar, despertar de nossa passividade e refle-tir acerca de como são fabricados, distribuídos e vendidos esses produtos chamados notícias, bens in-tangíveis, mas que nem por isso deixam de ser bens de consumo. Ligamos nossa TV despreocupada-mente acreditando que iremos ouvir verdades. Será? Acreditamos que seus “conselhos” são bons. Será que são? Pensamos que as notícias veiculadas refletem realmente o que há de mais importante para saber. Será mesmo? Você já reparou nos anúncios que assiste enquanto espera pelo próximo bloco?

Quem são aquelas empresas que investem milhões para veicular seus nomes e seus produtos naquele chamado horário nobre em que milhões e milhões de pessoas estão, tal qual você, sentados assistindo aquele programa jornalístico?

Claro, elas bancam o custo da produção televisiva que, todos sabemos, é muito alto e que nós recebe-mos gratuitamente em nossos lares. Mas, será que em algum momento não pode haver um choque entre os interesses deles (patrocinadores) e nosso direito de conhecer os fatos e suas verdades? Se houver esse conflito, que sairá ganhando, nós, simples consumidores – e no mais das vezes, nem consumidores somos porque não podemos comprar o que eles vendem – ou os grandes e poderosos grupos que patro-cinam os telejornais e enchem de glamour e de dinheiro os concessionários de canais de TV? Aliás, vale lembrar que as TVs têm apenas concessões e que, portanto, prestam um serviço publico por dele-gação do Estado.

Você já reparou que há varias formas de contar a mesma história? Várias abordagens, várias ênfases, vários significados? Já reparou que normalmente a primeira frase de uma matéria televisiva já determi-na de que forma ela deve ser interpretada e já prepara o caminho para a conclusão que deve ser tomada sobre o que foi dito? Já reparou que não há questões em aberto para você refletir?

Tudo vem pronto, mastigado, resolvido. Em perfeita harmonia como roupa prêt-à-porter e como a co-mida fast-food, também alguém já lhe poupa o trabalho de pensar, de refletir, de analisar os fatos. O risco é você começar a acreditar que não tem capacidade para pensar, já que não lhe dão essa oportuni-dade.

Você já reparou que todos os dias as pessoas repetem, nas ruas, no trabalho, nos bares, a surrada frase “você viu… na TV ontem, que coisa horrível/engraçada/triste/absurda?” E se você, naquela fatídica noite, precisou levar sua sogra para a rodoviária e perdeu o famigerado pautador de assuntos, passa a ser considerado um desprezível e desatualizado cidadão que não leu na cartilha da boiada a lição da noite anterior. O curioso é que todos saem com a mesma opinião pasteurizada sobre os assuntos e ai de você se discordar do senso comum! Em suma, alguém decide sobre o que você vai conversar no dia seguinte e que impressão você vai causar no seu grupo social. Curioso, não? Mais curioso ainda é que tudo isso nos parece normal. Estranho é questionar essas coisas.

Mas precisamos questioná-las. Não podemos permanecer adormecidos, passivos, conformados. Preci-samos ansiar pela verdade simples, clara e objetiva e, sobretudo, não podemos deixar de considerar que toda mensagem é transmitida por alguém que está dentro de um contexto, que faz escolhas, que tem um objetivo ao transmiti-la. É necessário que essas mensagens astutamente elaboradas cheguem a cabeças críticas e conscientes e não apenas depósitos cerebrais de informações e interpretações pré-fabricadas.

* Jornalista e Psicóloga

Meninos e meninas: qual o papel de cada um?

23 de fevereiro de 2011

por Karen Cirillo

O que significa ser uma menina? E um menino? Há comportamentos inatos, capacidades ou interesses que vão além de ser um menino ou uma menina? Existem coisas que meninos ou meninas não podem ou não estão autorizados a fazer por causa de seu sexo? Ambos têm as mesmas oportunidades na vida?

Meninas são… Menino são… é o tema do Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV, que será celebrado este ano no dia 6 de março. A ideia do Unicef, promotor do evento há mais de 15 anos, é contar com a participação dos meios de comunicação. Neste dia, o Unicef sugere que a mídia em geral abra sua programação para dar vez e voz as crianças e, neste ano, para debater a questão do gênero.

O Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV foi criado para dar mais visibilidade aos direitos de meninas e meninos. Com o passar dos anos, tornou-se também um dia para celebrar os mais jovens na mídia.
O direito à participação e à liberdade de expressão é essencial para o desenvolvimento dos adolescentes. Ao dar voz aos mais jovens, as emissoras têm a oportunidade de fortalecer meninas e meninos em seus conhecimentos sobre os meios de comunicação. Isso mostra a outros adolescentes que eles também podem se expressar. E mostra ao mundo o que os mais jovens pensam sobre sua vida e suas comunidades.

Para mais informações

http://www.unicef.org/videoaudio/video_55906.html

kcirillo@unicef.org

As redes sociais e a democracia

9 de novembro de 2010

Em nossa democracia, é muito baixa a possibilidade de decidir e intervir. A única delas é o voto, pouco para um exército acostumado a clicar, a escolher tudo a toda hora.

por Fernand Alphen

Redes sociais: duas entre cada dez palavras pronunciadas por qualquer bem pensante hoje em dia, em papos de “Abalar Bangu”. Mais um daqueles inúmeros fenômenos que surgem para acrescentar alguns charts às palestras dos gurus Best Sellers. Mais um tema para excitar os especuladores, os caçadores de talentos e os vendilhões de empresas.

Tudo nas novas plataformas de informação são reedições corrigidas e ampliadas. Os luditas e blasés adoram dizer isso. Portanto, para eles, redes sociais são espécies de “Rotary(s) Clubes” digitais.

Esse tipo de desmistificação é sempre um divertido argumento para brochar os excessivamente excitados mas é quase sempre um álibi intelectual para uma inépcia de entendimento das mudanças de comportamento que estão por detrás dessas “velhas novidades”.

Mas o que me interessa mais nos clubinhos virtuais é uma espécie de panacéia democrática que por ali grassa. Sem querer intelectualizar demais o papo, já é lugar comum dizer que a molecada tem um interesse muito passageiro, para não dizer inexistente, por política. A não ser em momentos de euforia ideológica, como a atualmente em curso no ringue das eleições norte-americanas, ela tem um desprezo absoluto por qualquer lógica majoritária.

É que de fato, essa coisa de submeter-se a qualquer decisão da “maioria”, é frustrante em tempos de liberdade de expressão absoluta e universal, de cauda longa, de morte do direito autoral e etc.

Em nossa democracia, é muito baixa a possibilidade de decidir e intervir. A única delas é o voto, pouco para um exército acostumado a clicar, a escolher tudo a toda hora.

É essa falência do “majoritário” que motiva e apaixona as redes sociais em todas as suas manifestações.

No limite, é como se estivéssemos encubando uma nova ordem mundial em que os humanos se agrupassem em torno de idéias compartilhadas, interesses ou polêmicas comuns, gostos e simpatias antes de geografias, línguas e qualquer outro tipo de aglutinação física.

No limite, as redes sociais configuram os novos “Estados” que trocam o majoritário pela unanimidade. E não há “exclusividade” nem “limite” de “nacionalidades”. Pode-se pertencer ao quantos “países” quisermos, com múltiplas “identidades” até e “desertá-los” quando eles não mais interessarem ou outros mais atraentes surgirem.

Antes de tratar-se de uma utopia, a experiência da nova ordem e sua possibilidade virtual vai corroendo todos os organismos e reinventando as relações sociais irremediavelmente.

* É diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S – falphen@fnazca.com